Igreja

Papa convida a aprender com os idosos sobre como enfrentar os sofrimentos

por Andre Luiz, 18 de maio de 2022, 0 Comentários(s)

Nesta quarta-feira (18), o Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a velhice, na Audiência Geral, realizada na Praça São Pedro. A figura de Jó foi abordada pelo pontífice, em relação à provação e à benção da espera.

“Jó que perde tudo na vida, perde a riqueza, perde sua família, perde seu filho e perde a saúde e permanece ali, ferido. Quando Deus finalmente toma a palavra, Jó é elogiado porque compreendeu o mistério da ternura de Deus escondida por trás do seu silêncio. Deus repreende os amigos de Jó que presumiam saber tudo, sobre Deus e sobre a dor, e, vindos para consolar Jó, acabaram por julgá-lo com os seus esquemas preconcebidos. Deus nos preserve deste hipócrita e presunçoso pietismo! Que Deus nos preserve da religiosidade moralista e da religiosidade de preceitos que nos dá uma certa presunção e nos leva ao farisaísmo e à hipocrisia”

Papa Francisco

O Santo Padre ressaltou que o ponto de virada da conversão da fé ocorre no ápice do desabafo de Jó, onde ele diz: “Eu sei que o meu redentor está vivo e que no fim se levantará acima do pó. Mesmo com a pele aos pedaços e em carne viva, eu verei a Deus. Eu mesmo o verei, e não outro; eu o verei com os meus próprios olhos”, recorda o Papa. Segundo ele, poderíamos também interpretá-lo assim: “Meu Deus, eu sei que você não é o Perseguidor. O meu Deus virá e me fará justiça”, apontou. “É a fé simples na ressurreição de Deus, a fé simples em Jesus Cristo, a fé simples que o Senhor sempre nos espera e virá”, completou Francisco.

Papa durante a Audiência Geral desta quarta-feira (18). Foto: Vatican Media

O Papa disse que a parábola no livro de Jó representa de forma dramática e exemplar o que na realidade acontece na vida. Na vida frequentemente, costuma-se dizer que “chove no molhado”. E algumas pessoas são esmagadas por uma soma de males que parece verdadeiramente excessiva e injusta. “Todos nós conhecemos pessoas assim. Ficamos impressionados com o seu grito, mas também muitas vezes nos admiramos com a firmeza da sua fé e amor”, disse o Pontífice ao comentar sobre os pais de crianças com deficiências graves e que têm uma enfermidade permanente.

“Em certos momentos da história, estes acúmulos de fardos parecem que chegam todos juntos. Isto foi o que aconteceu nos últimos anos com a pandemia da Covid-19 e o que está acontecendo agora com a guerra na Ucrânia”, afirmou o Pontífice. “Podemos justificar estes “excessos” como uma racionalidade superior da natureza e da história? Podemos abençoá-los religiosamente como uma resposta justificada à culpa das vítimas, que os mereceram? Não podemos. Existe uma espécie de direito da vítima de protestar, diante do mistério do mal, um direito que Deus concede a todos, afinal é Ele próprio que inspira”, continuou.

Aprendizado

Ao final da catequese, o Papa Francisco destacou que os idosos viram muitas coisas na vida. E que por isso viram a inconsistência das promessas dos homens e força da confiança em Deus. “Os idosos que convertem o ressentimento pela perda na tenacidade pela expectativa da promessa de Deus, são uma defesa insubstituível para a comunidade enfrentar o excesso do mal”, afirmou o Pontífice.

O Papa convidou a olhar para os idosos e idosas com amor. “Os idosos que sofreram muito na vida, aprenderam muito também na vida e no final possuem aquela paz quase mística, ou seja, a paz do encontro com Deus”, concluiu.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.