Família

Como é possível não deixar de lado a convivência em família?

por Pastoral Familiar, 24 de abril de 2015, 0 Comentários(s)

“Família Light”

criancas computador sala paisDiante de tantas ofertas do mundo cada vez mais tecnológico, como é possível não deixar de lado a convivência em família? Na opinião de LUCI LÉA LOPES MARTINS TESORO é preciso fugir da síndrome da acomodação que tem invadido as casas.

A família é a menor célula da sociedade, na mesma medida ela representa um ecossistema natural para a defesa da vida humana e da liberdade. A família cumpre com sua missão quando transmite convicções e valores; educa nas virtudes; ensina a pensar, a lutar, a amar, a falar com Deus, e a se defender das influências e agressões externas.

Contudo, hoje, a grande questão, o grande desafio para as famílias é tentar sobreviver aos conflitos gerados pelo arsenal de contra valores que enaltecem o descompromisso com o outro, a valorização do individualismo, do dinheiro e do prazer acima de qualquer coisa, o sensacionalismo barato do sexo explícito, o vale tudo “do quem pode mais chora menos”.

O fato é que a “cultura de morte”, presente na sociedade moderna, tem lutado ferozmente por reduzir a família a uma simples fachada, a uma espécie de residência de indivíduos autônomos, unidos por vagos sentimentos de afeto ou por uma geladeira farta.

Assim nasceu a família light: uma instituição própria dos países ricos, mas que os países pobres e em desenvolvimento, tendem a imitar.

Características da família “light”: segundo Enrique Monastério (1996: Pensar por Libre/ Espanha), a família light costuma ser pequena e gira em torno de aparelhos eletro-eletrônicos fundamentais: a televisão (com vídeo/DVD, jogos), o walkman, o aparelho de som, o computador ligado à Internet, etc. – tais aparelhos produzem um delicioso efeito isolador na medida em que cortam toda relação com os demais e desenvolvem um avassalador poder hipnótico.

Na família light a vida espiritual de cada um de seus membros é uma questão tão íntima e profunda, que, para encontrá-la, se necessitaria do trabalho de uma retro-escavadeira. Ali, a entrega a Deus é considerada como uma neurose, apenas tolerável nas famílias dos demais.

Na família light se fala muito de sexo: o pudor está superado por completo, e todos têm uma exaustiva informação sexual, regrada ao erotismo de filmes pornográficos, sites especializados e sexshops de plantão. Entretanto, jamais se fala a sério de amor, de fecundidade, de fidelidade, de entrega… À família light só interessa o sexo light.

“Na família light tudo é trivial, salvo o trivial. Tudo é opinável, salvo o princípio da opinabilidade universal. Ninguém tem convicções nem crenças, mas opiniões”.

Transtornos: as famílias light também têm suas tragédias, amarguras e desgostos. Eis alguns exemplos: o fracasso escolar do filho e a culpa, obviamente, é sempre do colégio, que produziu traumas na autovalorização do jovem desajustado. A garota mimada engordou e não tem o que colocar para a festa de aniversário da amiga. Deram um arranhão na lataria do automóvel do papai, e não se fala de outra coisa em três dias. E se o garoto chegar em casa ao amanhecer fedendo a bebida ? Então, sim, o pai de família light toma uma decisão firme e diz preocupado: “qualquer dia desses tenho que falar seriamente com meu filho”. Mas, é só!

Em resumo, “as famílias light padecem de uma síndrome de imunodeficiência moral de difícil tratamento e mau prognóstico, já que se vêem expostos a todas as infecções ideológicas de moda”. Não lhes preocupa assuntos profundos, e são particularmente egoístas para pensar no outro. O único que lhes importa é a boa saúde e o conforto material, como que para conservar pelos séculos dos séculos o fresco esplendor dos antigos filmes “hollywoodianos”.

Atitude: chega de acomodação. Que ninguém se acostume à tristeza do amor light e do egoísmo. Que os pais queiram reagir, e reajam. Que se reconstrua a camada de ozônio dos lares poluídos e maltratados pelos maus hábitos; que o peso e a voracidade das ideologias da cultura individualista sejam diluídos; que triunfe o ecossistema de amor e de liberdade das famílias cristãs sobre o alicerce de areia movediça das famílias light. E, sobretudo, que os mais jovens encarem o matrimônio com desejo de construir e melhorar as relações humanas, dispostos a se entregar, a formar uma família e a encher sua vida com esta empresa colossal que Deus lhes encomenda.

Portanto, ame, ame muito, ame sempre, e não deixe que a acomodação, o egoísmo, o isolamento, ou a desculpa pela falta de tempo destruam você e a sua família. Tenha cuidado, pois a família precisa de atenção especial e não a TV, o vídeo game, a Internet, o boteco, os seus amigos, as baladas! Abaixo as famílias light!

*Docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Doutora em História Social pela USP, autora do livro “Rondonópolis-MT: um entroncamento de mão única”.

Artigo publicado originalmente na Revista Vida e Família, edição 98, Dez. 2014.

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