Vida

A velhice é um magistério da fragilidade, diz Francisco

por Andre Luiz, 1 de junho de 2022, 0 Comentários(s)

Foto: Reprodução/Youtube

Na Praça São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco deu continuidade à série de catequeses relacionadas ao tema da velhice. Na audiência geral desta quarta-feira (1°), o Santo Padre falou sobre “Não me abandonar quando minhas forças declinarem”, trecho retirado do Salmo 71.

“A palavra nos encoraja a meditar sobre a forte tensão que habita na condição da velhice, quando a memória das dificuldades superadas e das bênçãos recebidas é colocada à prova da fé e da esperança”, destacou. “A provação apresenta-se com a fraqueza que acompanha a passagem através da fragilidade e da vulnerabilidade da idade avançada. E o salmista – um idoso que se dirige ao Senhor – menciona explicitamente o fato de que este processo se torna ocasião de abandono, engano, prevaricação e arrogância, que por vezes recaem sobre os idosos”, completou o Papa.

Diante disso, o Papa alertou que muitos se aproveitam deste momento de fragilidade dos idosos e outros que os isolam em asilos. “Com efeito, não faltam aqueles que se aproveitam da idade do idoso, para o enganar, para o intimidar de mil maneiras. Tais crueldades também acontecem nas famílias. Os idosos são descartados, abandonados em asilos, sem que seus filhos vão visitá-los ou se vão, vão algumas vezes ao ano. O idoso é colocado bem no canto da existência. E isso acontece: acontece hoje, acontece nas famílias, acontece sempre. Precisamos refletir sobre isso”, comentou Francisco.

“Quando ouvimos dizer que os idosos são despojados da própria autonomia, da sua segurança, até das suas casas, compreendemos que a ambivalência da sociedade atual em relação aos idosos não é um problema de emergências ocasionais, mas um traço da cultura do descarte que envenena o mundo em que vivemos.”

PAPA FRANCISCO

A importância da oração


De acordo com o Santo Padre, o idoso do salmo apresenta o seu desânimo a Deus: “Os meus inimigos já dizem de mim, e os que espiam a minha vida conspiram dizendo: “Deus o abandonou. Podem persegui-lo e agarrá-lo, que ninguém o salvará!”. E, dessa forma, o ancião redescobre a confiança em Deus e o invoca: “Salva-me, por tua justiça! Liberta-me! Inclina depressa o teu ouvido para mim! Sejas tu a minha rocha de refúgio, a fortaleza onde eu me salve, pois o meu rochedo e fortaleza és tu!”.

Segundo Francisco, a oração renova no coração da pessoa idosa a promessa da fidelidade e bênção de Deus. “O idoso redescobre a oração e dá testemunho da sua força. Jesus, nos Evangelhos, nunca rejeita a oração das pessoas que necessitam de ajuda. Os idosos, devido à sua fraqueza, podem ensinar àqueles que se encontram noutras idades da vida que todos nós precisamos nos entregar ao Senhor, para invocar a sua ajuda. Neste sentido, todos devemos aprender com a velhice: sim, há um dom em ser idoso entendido como abandonar-se aos cuidados dos outros, começando pelo próprio Deus”, apontou.

Não esconder as fragilidades

Segundo o Papa Francisco, a velhice é um magistério da fragilidade. “Não esconder a velhice, não esconder as fragilidades da velhice. Este é um ensinamento para todos nós. Este magistério abre um horizonte decisivo para a reforma da nossa civilização. Uma reforma que é indispensável para o benefício da convivência de todos. A marginalização – conceitual e prática – da velhice corrompe todas as fases da vida, e não apenas a da velhice”, ressaltou.

Por fim, o Papa ainda indagou cada um dos participantes da audiência geral sobre como estão se relacionado com os idosos da família. “Vou visitá-los? Procuro ver se não falta nada para eles? Eu os respeito? Os idosos que estão na minha família: pensemos na mãe, no pai, no avô, na avó, tios, amigos. Eu os cancelei da minha vida? Ou eu vou até eles para tomar sabedoria, a sabedoria da vida? Lembre-se de que você também será idoso ou idosa. A velhice chega para todos. E como você gostaria de ser tratado ou tratada no momento da velhice, trate os idosos hoje. São a memória da família, a memória da humanidade, a memória do país. Proteger os idosos que são sabedoria”, concluiu.

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