Família
Relacionamento familiar: A internet aproxima ou distancia as pessoas que estão na nossa casa?
  • por raptor
  • maio 21st, 2020,
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— “Filho, desliga lá o fogo da panela de pressão, por favor?”
— “Calma aí, mãe! Tô mandando uma mensagem pra Aline!”
— “Vai rápido, senão o feijão queima. Eu estou esperando seu tio me atender no Skype! E já vou avisando: nada de usar o celular durante o almoço, tá? Muito menos na hora de dormir.”

Esse tipo de conversa evidencia uma verdade: sem dúvida, a internet vem interferindo na forma como nos relacionamos. E aqui não falamos somente do surgimento de abreviações e novas gírias, a exemplo de “vc”, “brinks”, “flw”, entre outras, como tratamos em uma matéria sobre internetês. Mas principalmente sobre como as relações em família têm sido afetadas.

Imagine uma casa em que os adultos saem cedo para ir trabalhar, as crianças e jovens vão para a escola. Depois de um dia inteiro de muitas atividades para todos, eles se juntam na sala ou durante o jantar. Mas, estar junto ali, fisicamente, não mais implica em diálogo. Cada um pega o seu smartphone e parte para o espaço virtual, seja em conversas pelo Facebook WhatsApp, nos jogos on-line e tantas outras possibilidades no tablet. Será que esse tipo de situação causa algum prejuízo às pessoas ou é apenas mais uma maneira de se viver? A tecnologia está realmente aproximando ou afastando elas?

Pensando nisso, o Portal Boa Vontade conversou com a psicóloga Maria Helena Marzabal Paulino, que é integrante da Associação Brasileira de Terapia Familiar (ABRATEF). De acordo com a especialista, às vezes o afastamento dos familiares não é responsabilidade apenas da tecnologia, mas também uma consequência do grau de união e intimidade que eles compartilhavam antes dela chegar: “Há uma pré-disposição”. Se o afeto e o cultivo de outros bons sentimentos não forem bem valorizados, possivelmente a tecnologia favorecerá um “distanciamento maior, propiciando um isolamento entre os membros da família. Ou seja, cada um fica circunscrito ao seu espaço virtual”, explica.

Considerando a falta de se promover, no dia a dia, afeto e diálogo na relação entre os casais, por exemplo, a tecnologia pode se tornar uma grande vilã. Para se ter ideia, no fim de 2014, a Associação Italiana de Advogados Matrimoniais (AMI) constatou que, infelizmente, cerca de 40% dos divórcios por adultério na Itália envolviam mensagens no WhatsApp como prova de infidelidade. A ferramenta acabava por se tornar um escape para que os cônjuges se “livrassem” de problemas mal-resolvidos entre si e descambassem para ainda mais erros.

E se os adultos já sofrem prejuízos mesmo com a maturidade adquirida com o tempo, nem se fala as crianças, que se encontram em constante desenvolvimento integral. Atividades sem movimento não fazem tão bem aos pequenos quanto àquelas que mexem com o corpo, como pega-pega, esconde-esconde, futebol, e muitas outras. Isso porque os pequenos precisam brincar e gastar a grande quantidade de energia que têm. Imagine uma criança com apenas quatro anos que já utiliza o tablet ~melhor que muita gente~. De acordo com Maria Helena, “uma criança dessa idade está iniciando o seu processo de socialização. E pra isso, ela precisa ter contato presencial com outras crianças. Ela precisa ter uma atividade psicomotora para se desenvolver bem do ponto de vista físico. Ela não pode ficar presa à atividade virtual. Há necessidade da criança de brincar, se socializar; de ter uma relação afetiva de toque. O virtual desenvolve alguns aspectos positivos dela, como os intelectuais, porém empobrece os relacionamentos sociais”.

Ter a relação com os pais enfraquecida é um grande risco para a vida da criança ou do jovem. De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dentre outras razões, a falta de diálogo entre as famílias favoreceu com que 70% dos brasileiros não supervisionem os deveres de casa das crianças, mais de 40% não saibam o que elas fazem no tempo livre e 25% desconheça que o filho tenha faltado às aulas. Essa falta de interação sobre a rotina dos filhos ainda é brecha para grandes malefícios; quando restritas às atividades on-line, os mais novos não desenvolvem suas habilidades de relacionamento interpessoal e ficam expostos a crimes virtuais, como a pedofilia, e aos perigos ocultos da internet.

Por isso, a terapeuta familiar alerta: “Se de um lado a internet permite uma ampliação da construção do seu ‘eu’ [pelo rico conhecimento que fornece], você precisa do contato presencial para ter uma boa evolução. Existe uma linguagem visual, existe uma linguagem da afetividade e tudo isso é muito importante para a saúde mental”. Na ocasião, a especialista ainda falou sobre a importância de conviver pessoalmente com quem está ao nosso redor: “Uma família sem diálogo, onde não há comunicação apesar de estarem juntos, é uma situação extrema de solidão no grupo familiar. (…) Muitos têm compulsão pela internet. A pessoa não vive sem ela e se isola do mundo presencial, acabando até em quadro depressivo”.

Mas o ponto chave aqui é exatamente destacarmos o fato de que não é a internet propriamente dita o problema para as relações sociais, mas o uso incorreto dela: “Do ponto de vista das relações familiares, tanto pode ser uma ferramenta utilizada para aproximar mais os indivíduos, como gerar um distanciamento maior.” Até porque, ela igualmente pode servir para o Bem: basta lembrarmos que a internet, bem como as redes sociais e aplicativos são fontes para aquisição de conhecimento diverso, além de oportunidades para o contato mais facilitado com aquelas pessoas que tanto amamos e estão longe.

Por isso, o uso da internet necessita ser equilibrado, mas não proibido. Em muitas famílias, boa parte dos integrantes só se reúne à noite, após as atividades do dia. Até o momento em que começam, aos poucos, a chegarem ao lar, a internet pode ser grande apoio para se comunicarem. Grupos de família no WhatsApp são opções que muita gente aprecia, já que os pais podem passar recomendações aos filhos, estes avisarem onde estão, primos mandarem fotos e compartilharem coisas que gostam, e assim por diante. Além de tirar selfies em grupo quando reunidos, é possível “terem momentos de jogos em que toda a família participa, ou mostrarem as novidades nas suas redes sociais, situações diversas de compartilhamento de momentos, que é diferente da pessoa estar isolada no mundo virtual”, recomenda a psicóloga Maria Helena.

Mas que esses momentos não sejam em toooodo o tempo. Enquanto estiver junto das pessoas que tanto ama, valorize a presença física delas e a oportunidade que tem para, ao invés de mandar emoticons de abraço, por exemplo, realmente abraçá-las com afeto. Ao invés de expressar seus sentimentos com mensagens de texto, ou áudios, declarar abertamente o quanto essas pessoas são importantes na sua vida e que elas sempre vão poder contar com você, nos momentos bons e difíceis também. Ainda não inventaram algum smarthphone que sinta e retribua seus sentimentos, então troque suas experiências e aquilo que você tem de melhor dialogando com sua família. Dê uma atenção maior aos seus pais, filhos, marido ou esposa, quando estiverem dizendo algo a você e uma notificação começar a chamar a sua atenção. Às vezes, nos prendemos a vídeos, jogos ou mensagens despretensiosas, que poderiam ter nossa atenção posteriormente, e ignoramos assuntos delicados que algum parente próximo deseja tratar bem ao nosso lado.

Continue utilizando essa ferramenta tão indispensável que é a internet, adquirindo as informações importantes para o dia a dia. Mas faça com que sua vida off-line tenha um sentido maior do que navegar na web e não perceber as crianças crescerem, o companheiro de vida alcançando realizações, seus pais adquirindo as rugas do tempo, e este próprio simplesmente passando despercebido por você. Ao invés de rever os históricos de conversa do aplicativo a toda hora, atente-se mais à construção do destino que sua família vem realizando com o seu apoio.

MARINGÁ, PR — Integrando os corações nos Divinos Ensinamentos do Cristo de Deus, família realiza a Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar.

Como ensina o presidente-pregador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, José de Paiva Netto, “a família é o esteio bendito das Almas em evolução”. É nela que encontramos o suporte para evoluirmos como espíritos eternos, frente aos dramas que a vida pode nos apresentar. Por isso, a importância de todos estarem a par das vitórias e lutas de cada um, fortalecendo os laços familiares por meio do diálogo sincero, do respeito mútuo, da oração e de outros hábitos que demonstram a nossa confiança no Pai Celestial. Dessa forma, podem colaborar para os problemas que surgem no âmbito individual de cada pessoa, tomar decisões importantes que envolvam todos em conjunto, rir de situações engraçadas que aconteceram, relembrar momentos marcantes na família, e assim por diante, atraindo uma felicidade que não se pode expressar no ciberespaço. Apenas sentir no mais íntimo do nosso interior.

Por fim, o que se faz necessário é compreender que o mundo virtual não é toda a realidade. Existe vida além da tela! Por isso mesmo, ninguém pode viver vibrado nela 24 horas por dia. Utilize a internet para “se aproximar” de quem está longe, mas dispense-a para aproveitar quem está fisicamente por perto. O diálogo é sempre o recurso mais indicado para se promover afeto, compreender situações mal-resolvidas, perdoar, instruir, e outras ações importantes. Converse mais com sua família, sem esquecer a necessidade de conversas sadias, que também tratem de assuntos elevados. A exemplo disso, na sua casa pode ser realizada a Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar. Nela, sua família, inclusive com amigos e vizinhos, estuda e medita sobre da Doutrina Ecumênica da Religião do Terceiro Milênio, aproximando Celestes Falanges e recebendo o fortalecimento dos vínculos de amor, união e fraternidade. #Ficadica

Que essa matéria ajude você e as pessoas que tanto ama a estarem cada vez mais próximas, compartilhando, não só em posts, mas a cada instante fisicamente juntos, os momentos marcantes que viverem. =)

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