• Política de Proteção da Infância e de Pessoas Vulneráveis
terça-feira, outubro 20, 2026
  • Login
  • Registre-se
Portal Vida e Família
  • Notícias
    • Vida
      • Início da Vida
      • Final da Vida
      • Políticas Públicas
    • Família
      • Pré-matrimonial
      • Pós-matrimonial
      • Casos Especiais
    • Igreja
      • No Mundo
      • No Brasil
  • Artigos
  • Regionais
    • Centro-Oeste
    • Leste 1
    • Leste 2
    • Leste 3
    • Nordeste 1
    • Nordeste 2
    • Nordeste 3
    • Nordeste 4
    • Nordeste 5
    • Noroeste
    • Norte 1
    • Norte 2
    • Norte 3
    • Oeste 1
    • Oeste 2
    • Sul 1
    • Sul 2
    • Sul 3
    • Sul 4
  • Cursos
  • Vídeos
  • Loja
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Portal Vida e Família
  • Notícias
    • Vida
      • Início da Vida
      • Final da Vida
      • Políticas Públicas
    • Família
      • Pré-matrimonial
      • Pós-matrimonial
      • Casos Especiais
    • Igreja
      • No Mundo
      • No Brasil
  • Artigos
  • Regionais
    • Centro-Oeste
    • Leste 1
    • Leste 2
    • Leste 3
    • Nordeste 1
    • Nordeste 2
    • Nordeste 3
    • Nordeste 4
    • Nordeste 5
    • Noroeste
    • Norte 1
    • Norte 2
    • Norte 3
    • Oeste 1
    • Oeste 2
    • Sul 1
    • Sul 2
    • Sul 3
    • Sul 4
  • Cursos
  • Vídeos
  • Loja
  • Login
  • Registre-se
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Portal Vida e Família
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Artigos

Vocação matrimonial e juventude, desafios e perspectivas na Igreja Contemporânea

03/09/2025
em Artigos
Tempo de leitura: 14 mins leitura
A A
0
Papa a uma esposa traída: “o perdão encontra força na graça de Deus”

(Foto: Vatican Media)

Introdução

A vocação matrimonial é um chamado divino que reflete o plano de Deus para a humanidade, especialmente no âmbito da comunhão de amor entre Cristo e a Igreja. Nesse contexto, o matrimônio cristão é elevado à condição de sacramento, sendo uma expressão visível e concreta do amor de Deus. Entretanto, para os jovens da contemporaneidade, essa vocação enfrenta inúmeros desafios. O contexto sociocultural atual, marcado pela fluidez nas relações, pela busca por autonomia e pela relativização de valores, muitas vezes obscurece a profundidade e o propósito do matrimônio como um compromisso de vida, exigindo maior atenção pastoral e catequética por parte da Igreja (Catecismo da Igreja Católica, 1993).

O mundo contemporâneo, influenciado por valores pós-modernos, apresenta uma visão relativista sobre o matrimônio, que muitas vezes o reduz a uma escolha pessoal e circunstancial. Sociólogos como Bauman (2004) apontam para a fragilidade das relações líquidas, onde os laços são mantidos apenas enquanto oferecem satisfação individual. Essa dinâmica é especialmente prejudicial para os jovens que, ao serem imersos em um ambiente de instabilidade emocional, frequentemente têm dificuldade em entender o matrimônio como uma vocação de entrega mútua e compromisso. A desvalorização do matrimônio sacramental contribui para a crise da família, impactando a construção de uma sociedade fundamentada em valores cristãos.

Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026

Diante dessa realidade, a Igreja desempenha um papel fundamental ao propor uma pastoral voltada para a juventude, capaz de dialogar com os desafios do mundo atual. Documentos como Amoris Laetitia destacam a importância de uma abordagem que valorize a formação integral dos jovens, considerando não apenas a preparação para o sacramento do matrimônio, mas também o fortalecimento de sua espiritualidade e maturidade emocional. O Papa Francisco (2016) enfatiza que essa formação deve ser dinâmica e acessível, permitindo que os jovens encontrem na Igreja um espaço acolhedor e iluminador para suas dúvidas e inquietações.

O acompanhamento pastoral surge como uma ferramenta indispensável nesse processo. Mais do que orientar sobre aspectos doutrinários, ele oferece um suporte humano e espiritual que ajuda os jovens a enfrentar os desafios do discernimento vocacional. João Paulo II, em sua exortação apostólica Familiaris Consortio (1981), reforça a necessidade de preparar os jovens para uma vida matrimonial que seja ao mesmo tempo comprometida e alegre, destacando a importância do amor conjugal como reflexo do amor divino. Assim, a Igreja é chamada a ser uma presença ativa, que inspire confiança e esperança.

Um dos desafios mais complexos que a Igreja enfrenta é a transformação das configurações familiares e relacionamentos contemporâneos. A convivência pré-matrimonial e as uniões informais, por exemplo, são realidades cada vez mais comuns e exigem uma pastoral que seja, ao mesmo tempo, firme na doutrina e sensível às realidades individuais. Como destaca Rosetti (2015), a capacidade da Igreja de acolher essas situações com empatia e discernimento é crucial para reconquistar a confiança dos jovens e guiá-los para uma vivência mais plena de sua vocação.

Adicionalmente, o impacto das tecnologias digitais nas relações interpessoais não pode ser ignorado. Redes sociais e aplicativos de namoro, ao promoverem interações rápidas e superficiais, têm transformado a maneira como os jovens constroem suas relações. Essa dinâmica, embora traga oportunidades, também gera desafios, como a dificuldade de aprofundar vínculos significativos. Turkle (2011) argumenta que a tecnologia pode alienar as pessoas de relacionamentos verdadeiramente autênticos, enfatizando a necessidade de cultivar uma cultura de presença e conexão genuína.

Apesar de todos esses desafios, a vocação matrimonial continua a ser uma expressão poderosa do amor cristão no mundo. Em meio às adversidades, a Igreja permanece como uma guia essencial, oferecendo aos jovens não apenas um caminho de preparação, mas também a possibilidade de testemunhar o matrimônio como um sinal vivo da graça divina. Rahner (1975) enfatiza que o matrimônio, vivido como uma vocação, é uma resposta concreta ao chamado de Deus para transformar o mundo por meio do amor e da comunhão.

 

Desafios Culturais e Sociais na Vivência do Matrimônio pelos Jovens

O matrimônio, como um compromisso duradouro, enfrenta desafios crescentes devido às mudanças culturais e sociais, especialmente na sociedade pós-moderna. Bauman (2004) observa que as relações humanas, na pós-modernidade, se tornaram líquidas e volúveis, o que dificulta a construção de vínculos duradouros, como o casamento. O aumento do individualismo e a busca incessante por liberdade e satisfação pessoal têm gerado um contexto onde a estabilidade conjugal é frequentemente vista como um fardo em vez de uma bênção (Bauman, 2004).

Bauman (2004, p. 102):

 

Os jovens de hoje enfrentam desafios significativos que impactam diretamente sua visão e prática do matrimônio. A sociedade contemporânea, marcada pelo individualismo e pela fluidez das relações, gera uma cultura que desvaloriza o compromisso a longo prazo e enfatiza a busca por satisfação imediata. Essa mentalidade pode tornar o matrimônio um obstáculo, visto que muitos jovens preferem relacionamentos mais efêmeros ou convivências sem o compromisso formal do casamento. A Igreja, portanto, deve ser uma voz crítica que ajude os jovens a perceber o matrimônio como um caminho de amadurecimento, compromisso e amor sacrificial.[1]

 

Além disso, o impacto das redes sociais tem amplificado a superficialidade das relações, o que dificulta a construção de uma conexão emocional e comprometida. Turkle (2017) destaca que a comunicação digital, embora facilite o contato, também reduz a profundidade das interações humanas, o que pode afetar a qualidade das relações amorosas. Para muitos jovens, isso representa um obstáculo ao matrimônio, pois eles priorizam relações efêmeras que se adaptam rapidamente à fluidez digital, em detrimento de vínculos mais sólidos e comprometidos (Turkle, 2017).

A secularização também exerce grande influência sobre a forma como os jovens veem o matrimônio. Taylor (2007) argumenta que a diminuição da religiosidade e a perda de uma visão transcendente da vida contribuem para a desvalorização do matrimônio como uma vocação divina. Ao invés de ver o matrimônio como um chamado espiritual, os jovens muitas vezes o encaram como uma convenção social, sem o devido valor sacramental (Taylor, 2007).

Além disso, as expectativas em relação ao casamento também foram moldadas pela pressão das representações midiáticas. De acordo com Davie (2021), a mídia e a cultura popular criam padrões irreais de felicidade conjugal, dificultando a percepção de que o matrimônio requer esforço contínuo, sacrifício e compromisso. Esse fenômeno pode levar os jovens a idealizar o casamento e, quando se deparam com as dificuldades naturais da convivência, acabam desistindo da ideia do compromisso duradouro (Davie, 2021). Muller (2022, p. 137):

 

A cultura pós-moderna, com sua ênfase na liberdade individual e no relativismo, gera uma visão distorcida do matrimônio, que é visto por muitos como uma escolha secundária ou uma opção temporária, sem um compromisso profundo. A pressão para atender a expectativas sociais de liberdade e realização pessoal interfere na decisão de muitos jovens em buscar a estabilidade conjugal. Para que o matrimônio cristão seja entendido e vivenciado de forma plena, é necessário que a Igreja se engaje na formação de jovens, oferecendo uma visão alternativa que promova a compreensão do casamento como uma vocação, e não apenas como uma instituição social.[2]

 

Outro fator importante é a instabilidade econômica, que tem levado os jovens a adiar o matrimônio. Smith e Snell (2020) indicam que, devido à insegurança financeira e às dificuldades de encontrar estabilidade no mercado de trabalho, muitos jovens preferem postergar o casamento e focar em outras prioridades, como a educação e a carreira. Esse adiamento afeta diretamente o número de casamentos e também o entendimento do matrimônio como uma prioridade de vida (Smith & Snell, 2020).

Nesse contexto, a Igreja tem um papel importante em ajudar os jovens a superar esses desafios, oferecendo um acompanhamento pastoral que valorize as realidades contemporâneas. Burke (2019) enfatiza que a Igreja deve integrar a catequese tradicional com abordagens mais realistas, levando em conta as dificuldades econômicas e sociais que os jovens enfrentam, além de enfatizar a importância do matrimônio como vocação divina e não apenas como uma convenção social (Burke, 2019).

Por fim, a vivência de uma espiritualidade profunda é um antídoto contra os desafios culturais e sociais enfrentados pelos jovens no matrimônio. Francisco (2016) destaca em Amoris Laetitia que a fé e a vida espiritual devem ser integradas no matrimônio, pois oferecem a força necessária para enfrentar as adversidades que surgem ao longo da vida conjugal. A Igreja deve, portanto, orientar os jovens a fortalecer sua espiritualidade pessoal e conjugal, de modo a criar um matrimônio sustentável e baseado em valores cristãos duradouros (Francisco, 2016).

 

A Preparação Pastoral e Catequética para o Matrimônio

A preparação para o matrimônio é um dos pilares centrais na pastoral da Igreja, especialmente quando se trata de jovens. De acordo com Burke (2019), a preparação para o matrimônio não pode ser vista apenas como um curso de instrução doutrinária, mas como um processo formativo integral, que deve incluir aspectos espirituais, emocionais e práticos. A formação de casais jovens deve ajudar a desenvolver uma compreensão profunda do matrimônio como uma vocação e não como um contrato social (Burke, 2019). Francisco (2016, p. 49):

 

A preparação para o matrimônio não deve ser entendida apenas como um período antes do casamento, mas como um processo contínuo, que abrange a vida conjugal e que é essencial para a vivência plena da vocação matrimonial. A Igreja tem a responsabilidade de fornecer uma formação robusta, que combine a catequese tradicional com uma abordagem prática que prepare os jovens para as realidades emocionais e espirituais do matrimônio. Como afirma o Papa Francisco, ‘A preparação ao matrimônio é um processo, que exige acompanhamento, escuta, orientação e, sobretudo, ajuda para compreender o grande valor da vocação matrimonial’.[3]

 

 

O Papa Francisco, em Amoris Laetitia (2016), salienta que a preparação pastoral precisa ser personalizada, considerando as diferentes realidades dos jovens. Ele afirma que a Igreja deve ser acolhedora, oferecendo um acompanhamento contínuo e uma orientação prática para os jovens, de forma a prepará-los para os desafios e alegrias do matrimônio. Segundo o Papa, a pastoral matrimonial deve levar em consideração o contexto cultural e social dos casais, para que eles possam viver plenamente a vocação ao matrimônio (Francisco, 2016).

Uma das principais preocupações na preparação pastoral é o fortalecimento do compromisso dos jovens com o matrimônio. Smith e Snell (2020) indicam que a falta de preparação emocional e espiritual adequada pode levar os jovens a entrarem no matrimônio sem a compreensão necessária sobre os desafios que ele impõe. Portanto, uma preparação mais profunda e contínua é essencial para garantir que os casais jovens se sintam preparados para enfrentar as dificuldades de uma vida conjugal sólida e duradoura (Smith & Snell, 2020).

A catequese matrimonial deve ser mais do que uma simples transmissão de conhecimento teológico sobre o casamento; ela precisa envolver os jovens em um processo de discernimento que os ajude a entender o matrimônio como um compromisso profundo e sagrado diante de Deus. De acordo com Muller (2022, p.95):

 

A preparação pastoral para o matrimônio deve ir além da formalidade, sendo um espaço de escuta, reflexão e oração, onde os noivos possam perceber o casamento como uma vocação e uma chamada divina, ao invés de um mero contrato social’. É esse tipo de formação que fortalece os laços matrimoniais e prepara os casais para os desafios que virão com o tempo.[4]

 

Além disso, a preparação pastoral deve incluir a formação prática sobre os aspectos cotidianos do matrimônio, como a gestão financeira, a educação dos filhos e a resolução de conflitos. Rosetti (2020) argumenta que, muitas vezes, a Igreja foca exclusivamente nos aspectos teológicos e espirituais do matrimônio, negligenciando as questões práticas. A Igreja precisa, portanto, adaptar sua catequese para que os casais jovens se sintam equipados para enfrentar os desafios diários de um relacionamento conjugal (Rosetti, 2020).

Outro ponto importante é a formação afetiva, que deve ser abordada de forma clara e honesta durante a preparação para o matrimônio. Cormac Burke (2019) enfatiza que o amor conjugal não é apenas uma questão de atração física ou emocional, mas um compromisso profundo e duradouro que exige uma grande maturidade emocional. Para isso, é necessário que os casais compreendam a importância de cultivar o diálogo, o perdão e a paciência no relacionamento (Burke, 2019).

A Igreja também precisa criar espaços para que os jovens casais compartilhem suas experiências e dúvidas durante o processo de preparação. De acordo com Walton (2021), os programas de formação em grupo, como retiros e encontros, oferecem uma oportunidade única para que os casais conversem abertamente sobre seus medos, expectativas e questões práticas, fortalecendo a confiança e a união entre eles. A partilha de experiências é um componente vital para o crescimento do relacionamento e para o fortalecimento do compromisso matrimonial (Walton, 2021).

Finalmente, a Igreja deve ser capaz de adaptar sua pastoral às mudanças sociais e culturais. De acordo com Harrington (2023), as novas gerações enfrentam desafios que são diferentes daqueles enfrentados por gerações anteriores. A preparação para o matrimônio, portanto, deve ser dinâmica, incluindo novas abordagens que ajudem os jovens a navegar nas complexidades da vida moderna, mantendo, no entanto, a centralidade da fé cristã e da vocação divina do matrimônio (Harrington, 2023).

 

A importância da família na formação matrimonial dos Jovens

 

A formação matrimonial começa em casa, na família, que é a primeira escola de valores e de afetividade. Segundo o Papa Francisco (2016), a família é o “primeiro lugar onde se aprende a amar”, e é nesse ambiente que os jovens moldam suas expectativas sobre o casamento. A convivência familiar oferece um modelo de relacionamento que pode ser determinante para as escolhas futuras dos filhos. Quando a família é solidamente estruturada e fundamentada nos valores cristãos, ela serve como um pilar de apoio para a construção de um matrimônio saudável e duradouro (Francisco, 2016).

Quando o casamento é vivido dentro de uma espiritualidade profunda, ele se torna um pilar de estabilidade. A relação matrimonial é constantemente desafiada por dificuldades externas e internas, mas a prática constante de valores cristãos como a paciência, o perdão e o amor sacrificial, cultivados pela espiritualidade, confere resistência ao vínculo conjugal. De acordo com Muller (2022, p.121):

 

A espiritualidade não é apenas um fator de união entre os cônjuges, mas também um recurso fundamental para superar os obstáculos e fortalecer a relação, tornando o casamento um testemunho vivo de fé e amor em Deus’. Este compromisso espiritual é a base sobre a qual o matrimônio pode resistir ao tempo e às dificuldades.[5]

 

No entanto, a realidade de muitas famílias contemporâneas, marcadas por separações e conflitos, pode impactar negativamente a visão dos jovens sobre o matrimônio. De acordo com Bauman (2004), a instabilidade familiar observada na sociedade pós-moderna reflete-se na forma como os jovens encaram o compromisso conjugal. Eles podem associar o matrimônio à instabilidade, levando-os a evitar o compromisso a longo prazo. Portanto, as comunidades cristãs precisam proporcionar espaços de formação familiar, em que os jovens possam aprender os valores do amor fiel e sacrificial, fundamentais para um casamento cristão (Bauman, 2004).

A família desempenha um papel fundamental na formação das atitudes e expectativas dos jovens em relação ao matrimônio. Quando uma criança cresce em um ambiente onde o matrimônio é vivido de maneira estável e comprometida, com base nos princípios cristãos, ela internaliza esses valores como fundamentais para a construção de sua própria vida conjugal. Segundo o Papa Francisco (2016, p. 29):

 

A família é o primeiro lugar onde se aprende a amar. A harmonia familiar e o testemunho de um amor autêntico entre os pais são os primeiros passos para que os filhos compreendam o matrimônio como um projeto de vida e não apenas uma instituição. Esse aprendizado familiar fornece os alicerces para a formação de jovens que irão viver o matrimônio de maneira fiel e duradoura.[6]

 

A catequese, desde a infância, deve ser uma base sólida para a vivência dos valores do Evangelho, incluindo o entendimento do matrimônio como uma vocação divina e não apenas uma união civil. Segundo Müller (2022), a educação religiosa prepara os jovens para o matrimônio, ajudando-os a perceber o sacramento do casamento como um compromisso profundo e transcendente, fundamentado no amor de Cristo. Além disso, a educação cristã proporciona aos jovens a compreensão de que o matrimônio não é apenas um projeto pessoal, mas um chamado a servir ao outro, à família e à sociedade (Müller, 2022).

Por fim, a convivência em uma comunidade cristã sólida, onde o exemplo de casais e famílias é valorizado, tem o poder de reforçar as convicções dos jovens sobre o matrimônio. Quando os jovens veem casais que vivem de acordo com os valores cristãos, mesmo diante das dificuldades, eles são incentivados a seguir esse modelo. De acordo com Taylor (2007), a comunidade de fé oferece um espaço seguro onde os jovens podem aprender e experimentar as virtudes do matrimônio, como o respeito, a paciência e a generosidade (Taylor, 2007).

 

Considerações

As questões abordadas neste estudo destacam a relevância da vocação matrimonial dentro da Igreja contemporânea, especialmente quando se trata da juventude. Em um contexto onde os desafios culturais e sociais interferem diretamente nas escolhas dos jovens, é fundamental que a Igreja ofereça um acompanhamento pastoral e catequético que permita uma compreensão mais profunda do matrimônio como um chamado divino, e não apenas uma decisão social ou circunstancial. A preparação para o matrimônio deve ser um processo contínuo, que envolva não apenas a formação teológica, mas também práticas espirituais e emocionais, essenciais para a construção de relacionamentos estáveis e duradouros.

Em conclusão, a Igreja tem uma grande responsabilidade em guiar os jovens para uma vivência plena da vocação matrimonial. A preparação pastoral e catequética deve ser contínua e envolvente, abrangendo todas as dimensões do ser humano: espiritual, emocional, prática e relacional. Somente por meio de uma formação integral, que inclua a educação familiar, a preparação pastoral, a vivência espiritual e o suporte contínuo, será possível enfrentar os desafios culturais e sociais que hoje impactam a instituição matrimonial, garantindo que os jovens possam viver a vocação matrimonial de forma madura e duradoura.

 

QUESTÕES

  1. Como criar consciência nas famílias que a preparação matrimonial inicia nos primeiros dias de gestação e segue um itinerário vocacional? Como tornar a família um santuário da vida?
  2. A família é a escola vocacional por excelência. Como retomar a prioridade dessa escola? Como fazer os pais assumirem o seu papel de educar na fé?

 

REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. 4. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

BRANDÃO, José de Jesus. Matrimônio e família na Igreja atual: desafios e perspectivas. São Paulo: Editora Teológica, 2021.

CASSIOLATO, Marilda. A vida matrimonial e os desafios contemporâneos. Campinas: Editora São Paulo, 2019.

FRANCISCO, Papa. Amoris Laetitia. Vatican Press, 2016. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html. Acesso em: 2 dez. 2024.

GONÇALVES, Carolina. A importância da espiritualidade no matrimônio cristão. 2. ed. Belo Horizonte: Editora Fé, 2020.

LIMA, Carlos. Desafios culturais e sociais na vivência do matrimônio pelos jovens. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Cristã, 2018.

MÜLLER, Hermann. O caminho do matrimônio cristão: vocação e desafios. São Paulo: Editora Católica, 2022. Disponível em: https://www.editoracatolica.com.br/caminho-do-matrimonio-cristao. Acesso em: 9 dez. 2024.

PEREIRA, Jorge. A preparação catequética e pastoral para o matrimônio. Fortaleza: Editora Universidade, 2017.

SANTOS, Maria José. Família e vocação cristã no século XXI. São Paulo: Editora Vozes, 2022.

SILVA, Paulo. O impacto da sociedade contemporânea nas escolhas matrimoniais dos jovens. 3. ed. Curitiba: Editora Nova, 2019.

 

Pe. Rodolfo Chagas Pinho

Presbítero da Diocese de Jacarezinho-PR. Mestrando em Teologia Sistemático Pastoral, PUC-Rio (Rio de Janeiro). Especialista em Pastoral pela Faculdade Jesuíta de Belo Horizonte, Especialista em Família pela Faculdade Mar Atlantico. Bacharel em Comunicação Social – Publicidade de Propaganda. Graduado em Filosofia e Teologia pelo Seminário Divino Mestre em Jacarezinho. Atualmente Assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e Secretário Executivo Nacional da Pastoral Familiar. E-mail: rodolfodiocesano@hotmail.com

 

 

[1] Bauman, Zygmunt. Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos. Jorge Zahar, 2004, p. 102.

[2]  Muller, Hermann. O Caminho do Matrimônio Cristão. Editora Católica, 2022, p. 137.

[3] Francisco, Papa. Amoris Laetitia. Vatican Press, 2016, p. 49.

[4] Muller, Hermann. O Caminho do Matrimônio Cristão. Editora Católica, 2022, p. 95.

[5] Muller, Hermann. O Caminho do Matrimônio Cristão. Editora Católica, 2022, p. 121.

[6] Francisco, Papa. Amoris Laetitia. Vatican Press, 2016, p. 29.

Tags: Setor Pré-MatrimônialVida Matrimonial
Itinerário Bom Pastor Itinerário Bom Pastor Itinerário Bom Pastor
Anterior

Intenção do Papa para setembro: pela nossa relação com toda a criação

Próximo

Regional Nordeste 2 se prepara para a Semana Nacional da Vida

Próximo
Regional Nordeste 2 se prepara para a Semana Nacional da Vida

Regional Nordeste 2 se prepara para a Semana Nacional da Vida

Para comentar é preciso estar logado!

Regionais

Categorias

Newsletter

Assine e mantenha-se informado!

+55 (61) 3443-2900

secren@vidaefamilia.org.br

Quem Somos

O Portal Vida e Família é a página web oficial da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Neste canal, é possível acompanhar nossa atuação no serviço e na promoção da Cultura da Vida e do Amor, através do anúncio do Evangelho da Família e do Evangelho da Vida.
  • Quem cuida da Pastoral Familiar também precisa ser cuidado, formado e fortalecido para a missão.Por isso, o Encontro Nacional de Formação é uma oportunidade para coordenadores paroquiais, diocesanos e regionais ampliarem seus conhecimentos, partilharem experiências e encontrarem novos caminhos para acompanhar as famílias.📅 6 a 8 de novembro
📍 Foz do Iguaçu (PR)Família, torna-te aquilo que és: do anúncio da vocação ao acompanhamento das famílias.Venha viver esse momento de formação conosco!Inscrições abertas e vagas limitadas. Acesse o link da bio para se inscrever.
  • O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, e o bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, dom Bruno Elizeu Versari, fizeram um balanço da participação brasileira no encontro “Dez anos depois da Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje”, realizado entre os dias 7 e 14 de outubro, no Vaticano.Eles reconhecem o empenho da Pastoral Familiar no Brasil e fazem um convite às famílias brasileiras e a todo o clero a continuarem a promover a santidade neste ambiente tão fecundo de amor.
  • Olá, estimadas famílias. Estamos aqui no Vaticano, na sala Paulo VI, para o nosso quinto dia de reflexões sobre os 10 anos da Amoris Laetitia. E hoje tratando especificamente dos do tema nas dificuldades da vida, acompanhamento e apoio necessário às nossas famílias.Para o início desta reflexão, foram introduzidos a os o tema com algumas colocações que vocês encontram também no site apontado onde estão todos esses subsídios que estamos aqui trabalhando. E tudo isso nos fez mergulhar ainda mais profundamente no capítulo oitavo de Amoris Laetitia, como em toda ela que permeia esse cuidado, esse apoio e esse acompanhamento.Mas hoje precisamente falando das dificuldades que passamos enquanto famílias, se suscita a necessidade de passarmos da assistência para o acompanhamento. A importância de formarmos redes de apoio tanto comunitária quanto profissional e pastoral. Não podemos estar sozinhos, precisamos de apoio de toda essa conjuntura.Ajuda mútua, sem julgamentos, fraternal, menos formal, precisamos de processos de discernimento.Nesses 10 anos, Amoris Laetitia nos leva a mostrar o rosto materno da Igreja. Materno como da mãe Aparecida, que ama e abençoa o Brasil. Por isso nós daqui pedimos também a bênção dela sobre todo o nosso povo brasileiro.Um fraterno abraço a todos.
  • Que Nossa Senhora Aparecida interceda por cada lar, fortaleça os casais, proteja as crianças, acompanhe os jovens e cubra com seu manto os idosos e todos aqueles que precisam de cuidado.Que Maria nos ensine a viver uma fé que se transforma em presença, cuidado e amor dentro de nossas famílias.Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!
  • Deus continua nos convidando. Como nossa família tem respondido?O Evangelho deste domingo nos apresenta um convite para participar da alegria do Reino. E, muitas vezes, Deus também nos chama por meio das pequenas oportunidades do cotidiano: na oração em família, na Santa Missa, no serviço, no perdão e na reconciliação.Que nesta semana nossa família tenha um coração disponível para dizer “sim” aos convites de Deus.
  • Home
  • Vídeos
  • Notícias
  • Artigos
  • Regionais
  • Cursos

Pastoral Familiar © 2024 Todos os direitos reservados

Bem vindo de volta!

Faça login em sua conta abaixo

Esqueceu a Senha? Inscrever-se

Criar nova conta!

Preencha os formulários abaixo para se cadastrar

*Ao se registrar em nosso site, você concorda com os Termos e Condições e a nossa Política de Privacidade.
Todos os campos são necessários. Conecte-se

Recuperar sua senha

Por favor, digite seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Conecte-se

Add New Playlist

  • Login
  • Inscrever-se
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Notícias
    • Vida
      • Início da Vida
      • Final da Vida
      • Políticas Públicas
    • Família
      • Pré-matrimonial
      • Pós-matrimonial
      • Casos Especiais
    • Igreja
      • No Mundo
      • No Brasil
  • Artigos
  • Regionais
    • Centro-Oeste
    • Leste 1
    • Leste 2
    • Leste 3
    • Nordeste 1
    • Nordeste 2
    • Nordeste 3
    • Nordeste 4
    • Nordeste 5
    • Noroeste
    • Norte 1
    • Norte 2
    • Norte 3
    • Oeste 1
    • Oeste 2
    • Sul 1
    • Sul 2
    • Sul 3
    • Sul 4
  • Cursos
  • Vídeos
  • Loja

Pastoral Familiar © 2024 Todos os direitos reservados

Esse website utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.