• Política de Proteção da Infância e de Pessoas Vulneráveis
segunda-feira, fevereiro 9, 2026
  • Login
  • Registre-se
Portal Vida e Família
  • Notícias
    • Vida
      • Início da Vida
      • Final da Vida
      • Políticas Públicas
    • Família
      • Pré-matrimonial
      • Pós-matrimonial
      • Casos Especiais
    • Igreja
      • No Mundo
      • No Brasil
  • Artigos
  • Regionais
    • Centro-Oeste
    • Leste 1
    • Leste 2
    • Leste 3
    • Nordeste 1
    • Nordeste 2
    • Nordeste 3
    • Nordeste 4
    • Nordeste 5
    • Noroeste
    • Norte 1
    • Norte 2
    • Norte 3
    • Oeste 1
    • Oeste 2
    • Sul 1
    • Sul 2
    • Sul 3
    • Sul 4
  • Cursos
  • Vídeos
  • Loja
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Portal Vida e Família
  • Notícias
    • Vida
      • Início da Vida
      • Final da Vida
      • Políticas Públicas
    • Família
      • Pré-matrimonial
      • Pós-matrimonial
      • Casos Especiais
    • Igreja
      • No Mundo
      • No Brasil
  • Artigos
  • Regionais
    • Centro-Oeste
    • Leste 1
    • Leste 2
    • Leste 3
    • Nordeste 1
    • Nordeste 2
    • Nordeste 3
    • Nordeste 4
    • Nordeste 5
    • Noroeste
    • Norte 1
    • Norte 2
    • Norte 3
    • Oeste 1
    • Oeste 2
    • Sul 1
    • Sul 2
    • Sul 3
    • Sul 4
  • Cursos
  • Vídeos
  • Loja
  • Login
  • Registre-se
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Portal Vida e Família
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Artigos

A idolatria da estupidez e o desafio da Pastoral Familiar: consciência, sabedoria e educação na fé em tempos de superficialidade

09/02/2026
em Artigos
Tempo de leitura: 13 mins leitura
A A
0
A idolatria da estupidez e o desafio da Pastoral Familiar: consciência, sabedoria e educação na fé em tempos de superficialidade

(Foto: Markus Winker/Unplash)

Por padre Rodolfo Chagas Pinho[1]

 

  1. Introdução: quando a estupidez se torna um ideal social

Expressões como “geração estúpida”, “morte da consciência” ou “fim do pensamento crítico” tornaram-se frequentes em diagnósticos culturais, especialmente diante de fenômenos como hiperconsumo de telas, polarizações digitais, fake news e superficialidade massificada. Embora o tom dessas fórmulas seja muitas vezes exagerado ou nostálgico, elas apontam para uma questão real: como chegamos a uma sociedade em que a incapacidade de pensar criticamente, de concentrar-se e de buscar a verdade parece não apenas tolerada, mas muitas vezes premiada e idolatrada?

Muito se repete hoje que “criamos uma geração incapaz de pensar”, que “ninguém se concentra”, que “acabou o pensamento crítico”. As telas, a avalanche de informações, a cultura do espetáculo e das redes sociais parecem ter produzido sujeitos dispersos, agressivos, dominados por frases prontas e incapazes de diálogo sereno. Mas, se olharmos com mais atenção, perceberemos que não se trata apenas de um problema geracional, e sim de um ecossistema cultural que atravessa todas as idades e ambientes.

Autores como Dietrich Bonhoeffer e Friedrich Nietzsche, cada um a seu modo, ajudam a perceber que a “estupidez” aqui não é simples falta de inteligência, mas uma renúncia moral e espiritual à consciência, uma recusa de pensar, de julgar, de assumir responsabilidade. A pergunta que se coloca à luz da fé é: como a Pastoral Familiar – que atua justamente no coração das relações humanas – pode colaborar para reverter essa tendência, formando pessoas capazes de pensar e amar com sabedoria?

Este artigo propõe uma reflexão filosófico-teológica sobre a idolatria da estupidez e a morte da sabedoria na cultura atual, inspirando-se em Dietrich Bonhoeffer, Friedrich Nietzsche e outros pensadores que analisaram a relação entre poder, massa, ressentimento e declínio da razão. Não se pretende reduzir uma geração inteira a um insulto global – o que seria, ironicamente, mais um ato de estupidez –, mas compreender estruturalmente o modo como produzimos sujeitos cada vez menos aptos à reflexão profunda e à responsabilidade ética.

 

 

  1. Bonhoeffer: a estupidez como força mais perigosa que a maldade

Em seus escritos finais, especialmente nas cartas da prisão, Dietrich Bonhoeffer formula uma análise célebre sobre a estupidez (Dummheit). Para ele, a estupidez não é simplesmente uma falta de inteligência, mas uma disposição moral e espiritual pela qual a pessoa renuncia à própria capacidade de julgar e se deixa ocupar por slogans e palavras de ordem do grupo dominante.[2]

Bonhoeffer observa que o estúpido não é simplesmente “menos” que o malvado; é, sob certos aspectos, mais perigoso: “Contra a maldade se pode protestar, denunciá-la, impedir por meio da força; o mal sempre traz em si um germe de autodestruição, porque deixa ao menos um mal-estar. Contra a estupidez, estamos desarmados.”[3]

O estúpido, escreve ele, não é acessível ao argumento; não porque lhe falte raciocínio, mas porque abdica da responsabilidade de pensar, repetindo como suas as fórmulas do sistema. A estupidez é, portanto, um fenômeno social: cresce quando pessoas se tornam massa manipulada por meios de comunicação, propaganda ou ideologias.[4]

Aplicada ao contexto contemporâneo, a análise de Bonhoeffer é perturbadoramente atual. A proliferação de discursos simplistas, teorias conspiratórias, ódios fabricados e “verdades alternativas” não se explica apenas por ignorância factual, mas por uma espécie de “autoentrega da consciência” a lideranças, algoritmos e bolhas ideológicas. A estupidez assim entendida é decisão de não pensar, renúncia ao trabalho árduo de discernir.

 

  1. Nietzsche: niilismo, ressentimento e nivelamento do espírito

Friedrich Nietzsche, embora escrevendo em outro contexto, fornece ferramentas decisivas para compreender a cultura contemporânea. Em sua crítica à moral do rebanho, Nietzsche descreve como, em certas formas de organização social, a força criativa é sufocada em nome de uma mediocridade niveladora, na qual tudo o que é grande, difícil ou distinto é suspeito.[5]

A moral do ressentimento – que transforma fraqueza em virtude e força em culpa – alimenta uma cultura em que: a excelência é atacada como arrogância; a busca da verdade é relativizada como “opinião pessoal”; o pensar crítico é visto como ameaça à identidade do grupo.[6]

Nietzsche anteviu o niilismo como destino da cultura europeia: o esvaziamento de valores superiores e a crença de que “não há verdade, apenas interpretações”.[7] Nas suas formas tardias, esse niilismo assume o rosto da indiferença irônica: se tudo é opinião, se nada importa, então a própria atividade de pensar torna-se dispensável. Em lugar da sabedoria, instala-se a “graça” superficial, o sarcasmo, a piada permanente.

Na cultura do “meme”, da ironia cínica permanente e do “não me importo”, esse diagnóstico ganha contornos concretos. A geração que cresce sob o regime da hiper-exposição digital é bombardeada por estímulos que desqualificam qualquer esforço de profundidade como “chato”, “intelectual demais”, “não viralizável”. O que se idolatra, muitas vezes, não é a ignorância em si, mas a atitude de zombaria da verdade – uma estupidez ativa, agressiva.

 

  1. Cultura da distração e morte da atenção

Diversos autores contemporâneos – como Byung-Chul Han, Matthew Crawford e Hartmut Rosa – têm mostrado como a lógica do capitalismo tardio, associada às tecnologias digitais, produz sujeitos dispersos, cansados e incapazes de atenção prolongada.[8] A economia da atenção não é neutra: plataformas e dispositivos são desenhados para capturar e fragmentar nossa capacidade de concentrar-nos.

A morte da sabedoria passa, hoje, pela morte da atenção: se não somos capazes de sustentar uma pergunta, não chegaremos a uma resposta profunda; se não suportamos o silêncio, não haverá autoconhecimento; se não acolhemos a experiência do outro com paciência, não haverá diálogo nem comunidade.

Na tradição bíblica e filosófica, sabedoria sempre implicou tempo, escuta, memória e discernimento. O livro dos Provérbios insiste na lentidão do sábio, em contraste com a prontidão do insensato. A antropologia cristã entende a pessoa humana como vocacionada à verdade, isto é, convidada a superar o imediatismo em direção a um sentido que transcende o mero útil.

Quando reduzimos a formação – inclusive religiosa – a fragmentos rápidos, slogans, “posts” motivacionais, sem processos de maturação, contribuímos para a geração de sujeitos incapazes de suportar a densidade da realidade. Não é que lhes falte inteligência natural; falta-lhes ecologia da atenção para que a inteligência se converta em sabedoria.

 

  1. Idolatria da estupidez: quando o tolo vira herói

A palavra “idolatria” designa, na tradição bíblica, a absolutização de realidades finitas: transformar em absoluto aquilo que não é Deus. Hoje, poderíamos falar de uma idolatria da estupidez quando: se premia a vulgaridade, o ódio e a superficialidade com visibilidade e lucro; se transforma em “influenciadores” pessoas cuja única “qualidade” é a capacidade de entreter com banalidades agressivas; se demoniza a complexidade e se exalta a ignorância orgulhosa como autenticidade.

Nesse sentido, a cultura atual não produz apenas indivíduos estúpidos no sentido bonhoefferiano; ela institucionaliza a estupidez como modelo de sucesso. O tolo não é mais objeto de correção, mas de identificação: “fala o que pensa”, “não está nem aí”, “não se complica”.

Bonhoeffer alertava para o perigo de confundir liberdade com ausência de reflexão. A verdadeira liberdade, para ele, é resposta responsável diante de Deus e do mundo; não é explosão de impulsos, mas capacidade de agir com base em critérios.

Nietzsche, por sua vez, embora crítico da moral tradicional, detestava o ressentimento nivelador que destrói toda grandeza. Em certo sentido, a sociedade do espetáculo realiza uma caricatura da transvaloração nietzschiana: não se trata de criar novos valores mais altos, mas de abolir qualquer valor em nome do entretenimento contínuo.

A idolatria da estupidez, portanto, combina dois movimentos: renúncia pessoal à consciência – como descrito por Bonhoeffer; sistemas econômicos, midiáticos e políticos que exploram e alimentam essa renúncia para manter massas manipuláveis.

 

  1. Morte da sabedoria e responsabilidade da tradição cristã

A tradição bíblica opõe constantemente o sábio ao insensato. A sabedoria, longe de ser apenas acumulação de conhecimentos, é arte de viver, capacidade de ordenar a existência em direção ao bem, à justiça e a Deus. O insensato, ao contrário, vive preso ao imediato, incapaz de ver além de seu próprio interesse.

À luz da antropologia cristã, a morte da sabedoria não é apenas problema cognitivo, mas crise espiritual: o ser humano perde o horizonte de sentido que o chama à transcendência. Quando se dissolve a distinção entre verdade e mentira, bem e mal, o próprio juízo moral é paralisado.

Autores como Alfonso García Rubio e Henrique C. de Lima Vaz insistem que a pessoa humana é constituída por relações e chamada à unidade interior;[9] a sociedade que fragmenta, dispersa e desresponsabiliza o sujeito o impede de realizar sua vocação mais profunda. A estupidez idolatrada é, portanto, antropologicamente destrutiva: impede o florescimento da pessoa e da comunidade.

Para a fé cristã, a resposta à morte da sabedoria não é nostalgia elitista (“no meu tempo, as pessoas liam mais”), mas conversão pastoral: recuperar espaços de silêncio, estudo e diálogo nas comunidades; formar consciências críticas, capazes de discernir informações e narrativas; articular fé e razão, espiritualidade e pensamento, liturgia e compromisso ético.

Se a Igreja se contenta em reproduzir a lógica do consumo religioso – mensagens fáceis, emocionalismo, anti-intelectualismo –, torna-se cúmplice da idolatria da estupidez que diz combater.

 

  1. Família: primeiro lugar onde se aprende (ou não) a pensar

Antes de falar da Pastoral Familiar, é decisivo recordar algo simples e profundo: a família é a primeira escola de humanidade e de sabedoria. Na família, aprende-se – ou deixa-se de aprender – a: escutar com atenção; esperar a vez de falar; tolerar frustrações; fazer perguntas; argumentar sem agredir; pedir desculpas e recomeçar.

Se o ambiente familiar é dominado por gritos, telas sempre ligadas, piadas de mau gosto, ironia permanente, ausência de diálogo e de escuta, não é razoável esperar que dali surjam pessoas com pensamento profundo, fé madura e senso crítico. Ao contrário, reproduzir-se-á a lógica da superficialidade.

Por isso, qualquer proposta de renovação da consciência e da sabedoria passa necessariamente por uma pastoral que toque o cotidiano das famílias: horários, hábitos, conversas, modos de usar o tempo e as tecnologias.

 

  1. Como a Pastoral Familiar pode ajudar a mudar essa realidade?

A seguir, alguns eixos de ação que a Pastoral Familiar pode desenvolver, numa perspectiva antropológica e pastoral, para contribuir com a superação da “idolatria da estupidez” e a formação de famílias mais sábias e conscientes.

Um dos pontos centrais da crise atual é a incapacidade de atenção. A Pastoral Familiar pode ajudar as famílias a redescobrir: momentos diários sem telas, mesmo que breves como refeição em que ninguém use celular; 10 minutos de silêncio antes de dormir; um dia da semana com uso mais moderado de tecnologia.

Pequenas práticas de presença real: olhar nos olhos; ouvir sem interromper; perguntar “como você está de verdade?”. Essas pequenas práticas, quando assumidas como “ascese familiar”, criam uma ecologia interior propícia ao pensamento e à oração. Sem atenção, não há consciência; sem consciência, não há sabedoria.

A Pastoral Familiar pode promover encontros e subsídios que ajudem pais, mães e filhos a: compreender como funcionam as redes sociais, os algoritmos, as “bolhas” de informação; aprender a verificar fontes, checar notícias, distinguir fatos de opiniões; relacionar fé e razão, mostrando que o cristianismo não teme a verdade, mas a busca.

Pode-se, por exemplo, organizar rodas de conversa familiares sobre temas atuais, sempre iluminados pela Palavra de Deus e pelo Magistério, estimulando as crianças e jovens a fazer perguntas, argumentar com respeito, escutar pontos de vista diversos. É assim que se treina o músculo do pensamento crítico dentro da fé, em vez de simplesmente repetir fórmulas.

Em vez de alimentar a corrida pelo “sucesso” entendido como dinheiro, fama ou visibilidade nas redes, a Pastoral Familiar pode: resgatar, a partir da Bíblia (livros sapienciais, Evangelhos), a figura do sábio – não como “intelectual distante”, mas como pessoa inteira, capaz de unir inteligência, bondade, justiça e fé; propor testemunhos de homens e mulheres que viveram uma vida bem pensada e bem vivida: santos, educadores, casais, cientistas, artistas.

Em retiros, encontros de casais, preparação matrimonial e encontros com pais, é possível insistir: “Não basta ‘dar certo na vida’; é preciso viver com sabedoria.” Esse deslocamento de ideal é fundamental. Quando a sabedoria volta a ser admirada, a estupidez perde um pouco do seu fascínio.

É fácil condenar os jovens como “superficiais”. É mais evangélico caminhar com eles dentro da crise. A Pastoral Familiar pode promover encontros intergeracionais, em que jovens e adultos conversem honestamente sobre redes, vícios digitais, desinformação, cultura do ódio; incentivar que famílias participem juntas de experiências de serviço (visita a doentes, idosos, pessoas em situação de rua, mutirões), ligando a reflexão à prática concreta; oferecer itinerários catequéticos e vocacionais que ajudem os jovens a discernir seu lugar no mundo com profundidade, sem medo das perguntas difíceis.

Ao invés de oferecer apenas entretenimento religioso, a Pastoral Familiar pode ser lugar onde o jovem aprende que fazer perguntas, duvidar, buscar, estudar faz parte da fé adulta.

 

  1. Liturgia, Palavra e oração como escola de consciência

Celebrar bem não é “decorar ritos”, mas entrar numa pedagogia espiritual que educa a atenção, o silêncio, a escuta, o discernimento. A Pastoral Familiar pode incentivar a oração em família (orações simples, leitura orante da Palavra, bênçãos) como exercício de atenção a Deus e uns aos outros; ajudar a compreender a liturgia como momento de educação do coração e da inteligência: escutar leituras, meditar, responder, rezar com o corpo e propor tempos de retiro familiar, ainda que breves, para sair do ritmo acelerado e experimentar a profundidade.

Nesse caminho, a fé deixa de ser apenas emoção (que passa) ou costume social (que esvazia) e se torna sabedoria de vida, lentamente amadurecida. Por fim, a Pastoral Familiar precisa cuidar da formação de seus agentes. Se os animadores reproduzem a lógica da superficialidade – frases prontas, resistência ao estudo, anti-intelectualismo – será difícil propor um caminho diferente às famílias.

Por isso, é importante oferecer formação doutrinal, bíblica, espiritual e também cultural (sociedade digital, antropologia, psicologia); incentivar a leitura de bons autores (teólogos, filósofos, pensadores cristãos e não cristãos); cultivar entre os agentes um clima de debate fraterno, em que se possa perguntar, discordar, aprofundar. Quando a Pastoral Familiar se torna, ela mesma, um espaço de sabedoria compartilhada, já começa a transformar a realidade ao seu redor.

 

  1. Conclusão: Pastoral Familiar como laboratório de consciência

Não é rigoroso nem justo afirmar, de forma indiscriminada, que “criamos uma geração estúpida”. O que se pode afirmar, com mais precisão, é que produzimos um ecossistema cultural que dificulta enormemente o exercício da atenção, da crítica e da sabedoria; um ambiente em que a estupidez – entendida como recusa da consciência – é estimulada, explorada e frequentemente recompensada.

À luz de Bonhoeffer, essa situação não é apenas desafio intelectual, mas questão ética e espiritual: a renúncia ao pensamento é, em última instância, renúncia à responsabilidade diante de Deus e do próximo. Com Nietzsche, podemos reconhecer que o nivelamento do espírito e o niilismo disfarçado de ironia corroem a possibilidade de uma cultura verdadeiramente criadora.

Se levamos a sério o diagnóstico de Bonhoeffer – a estupidez como renúncia à responsabilidade – e percebemos, com Nietzsche, o perigo de uma cultura que despreza a verdade e glorifica a mediocridade, então a Pastoral Familiar não pode se limitar a organizar eventos. Ela é chamada a ser laboratório de consciência e de sabedoria no interior da Igreja.

Isso não significa transformar a família em academia de filósofos, mas em lugar onde se aprende: a prestar atenção; a escutar e ser escutado; a ligar fé e vida, oração e pensamento, amor e verdade; a resistir, com gestos pequenos e firmes, à idolatria da superficialidade.

Em uma época em que o ruído ameaça sufocar qualquer palavra significativa, o gesto de buscar sabedoria – pela filosofia, pela teologia, pela oração – torna-se um ato profundamente contracultural. Não se trata de condenar uma geração, mas de reconhecer que, sem uma renovação da consciência, a própria possibilidade de futuro comum se perde.

Concretamente, a Pastoral Familiar pode ajudar a mudar a realidade atual quando: acompanha famílias na organização do cotidiano (uso do tempo, tecnologia, diálogo); oferece caminhos de formação para pais, filhos e agentes; articula fé, cultura e compromisso social; mostra que ser cristão é, também, pensar com profundidade e amar com inteligência.

O desafio, portanto, não é apenas “denunciar” a estupidez, mas criar condições para que a inteligência se converta em sabedoria, e a liberdade em responsabilidade. Isto exige escolas, comunidades, famílias e igrejas que apostem, pacientemente, na difícil arte de formar pessoas capazes de pensar – e, por isso mesmo, capazes de amar.

Numa sociedade que premia a estupidez ruidosa, cada família que escolhe o caminho silencioso da sabedoria evangélica torna-se um sinal luminoso do Reino. E a Pastoral Familiar, ao sustentar essas famílias, participa discretamente de uma verdadeira revolução da consciência, sem a qual não haverá futuro humano digno desse nome.

 

 

 

Referências bibliográficas

BONHOEFFER, Dietrich. Resistência e submissão: cartas e papéis da prisão. Diversas edições em português.

GARCÍA RUBIO, Alfonso. Antropologia teológica: salvação cristã – salvos de quê e para quê? Petrópolis: Vozes, 2019.

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.

HAN, Byung-Chul. No enxame: perspectivas do digital. Petrópolis: Vozes, 2018.

LIMA VAZ, Henrique C. Antropologia filosófica. 2 v. São Paulo: Loyola, 1991–1992.

NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal. São Paulo: Companhia das Letras, várias edições.

NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral. São Paulo: Companhia das Letras.

NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. Trad. portuguesa.

SCHILLEBEECKX, Edward. Jesus, a história de um vivente. São Paulo: Paulus.

CRAWFORD, Matthew B. The World Beyond Your Head: On Becoming an Individual in an Age of Distraction. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2015.

ROSA, Hartmut. Aceleração e alienação: esboço de uma teoria crítica do tempo na modernidade tardia. São Paulo: Unesp, 2019.

[1] Presbítero da Diocese de Jacarezinho-PR. Mestrando em Teologia Sistemática PUC-Rio; Especialista em Pastoral pela FAJE; Especialista em Trabalho com Família e Sociabilidade pela Uninter; Bacharel em Comunicação pela FANORPI; Graduado em Filosofia e Teologia pelo Seminário Maior de Jacarezinho – PR. Atualmente, Assessor da Comissão Episcopal Vida e Família CNBB e Secretário-Executivo Nacional da Pastoral Familiar.

[2] BONHOEFFER, Dietrich. Resistência e submissão (também publicado como Cartas e papéis da prisão). Nas cartas de 1943–1945, especialmente o texto sobre “estupidez” como problema maior que a maldade.

[3] Idem. Bonhoeffer descreve a estupidez como incapacidade moral de receber argumentos, pois o indivíduo se tornou “instrumento sem vontade própria”.

[4]Idem. O autor frisa o caráter social da estupidez: ela cresce em contextos de manipulação coletiva e diminui quando as pessoas são chamadas à responsabilidade pessoal.

[5] NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal; Genealogia da moral. Crítica à moral do rebanho e ao nivelamento da grandeza.

[6] Idem, Genealogia da moral, especialmente o Primeiro Tratado, sobre a inversão de valores decorrente do ressentimento.

[7] NIETZSCHE, Friedrich. A vontade de poder (obra póstuma); cf. também A Gaia Ciência, §125 (“A morte de Deus”) como anúncio do niilismo.

[8] HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço; No enxame; CRAWFORD, Matthew. The World Beyond Your Head; ROSA, Hartmut. Aceleração e alienação: análises sobre atenção fragmentada e aceleração social.

[9] GARCÍA RUBIO, Alfonso. Antropologia teológica; LIMA VAZ, Henrique C. Antropologia filosófica – ambos insistem na unidade e relacionalidade constitutiva da pessoa humana.

Tags: ArtigoPastoral Familiar
Exortação Apostólica Dilexi te: sobre o amor para com os pobres - Documentos Pontifícios 65 Exortação Apostólica Dilexi te: sobre o amor para com os pobres - Documentos Pontifícios 65 Exortação Apostólica Dilexi te: sobre o amor para com os pobres - Documentos Pontifícios 65
Anterior

Papa recebe participantes da Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Próximo

Encontros de formação e espiritualidade movimentaram Regional Sul 1

Próximo
Encontros de formação e espiritualidade movimentaram Regional Sul 1

Encontros de formação e espiritualidade movimentaram Regional Sul 1

Para comentar é preciso estar logado!

Regionais

Categorias

Newsletter

Assine e mantenha-se informado!

+55 (61) 3443-2900

secren@vidaefamilia.org.br

Quem Somos

O Portal Vida e Família é a página web oficial da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Neste canal, é possível acompanhar nossa atuação no serviço e na promoção da Cultura da Vida e do Amor, através do anúncio do Evangelho da Família e do Evangelho da Vida.
    The Instagram Access Token is expired, Go to the Customizer > JNews : Social, Like & View > Instagram Feed Setting, to refresh it.
  • Home
  • Vídeos
  • Notícias
  • Artigos
  • Regionais
  • Cursos

Pastoral Familiar © 2024 Todos os direitos reservados

Bem vindo de volta!

Faça login em sua conta abaixo

Esqueceu a Senha? Inscrever-se

Criar nova conta!

Preencha os formulários abaixo para se cadastrar

*Ao se registrar em nosso site, você concorda com os Termos e Condições e a nossa Política de Privacidade.
Todos os campos são necessários. Conecte-se

Recuperar sua senha

Por favor, digite seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Conecte-se

Add New Playlist

  • Login
  • Inscrever-se
Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • Notícias
    • Vida
      • Início da Vida
      • Final da Vida
      • Políticas Públicas
    • Família
      • Pré-matrimonial
      • Pós-matrimonial
      • Casos Especiais
    • Igreja
      • No Mundo
      • No Brasil
  • Artigos
  • Regionais
    • Centro-Oeste
    • Leste 1
    • Leste 2
    • Leste 3
    • Nordeste 1
    • Nordeste 2
    • Nordeste 3
    • Nordeste 4
    • Nordeste 5
    • Noroeste
    • Norte 1
    • Norte 2
    • Norte 3
    • Oeste 1
    • Oeste 2
    • Sul 1
    • Sul 2
    • Sul 3
    • Sul 4
  • Cursos
  • Vídeos
  • Loja

Pastoral Familiar © 2024 Todos os direitos reservados

Esse website utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.