Dom Marcelo Antonio da Silva
Bispo auxiliar de Santo Amaro
Homilia na Missa de quarta-feira (1º/07), durante o Encontro de Bispos Referenciais e Assessores da Pastoral Familiar em Brasília (DF)
Uma das ações que a Palavra de Deus nos fala hoje é sobre coerência entre fé e vida e sobre os sacrifícios a serem feitos para que haja essa coerência, para que nossa vida corresponda à fé que professamos.
Na primeira leitura, o profeta Amós deixa bastante claro qual deve ser a nossa escolha, quando diz: “Procurai o bem e não o mal, para terdes mais vida”. Em seguida, ele diz que “Deus se aborrece e rejeita as festas… não lhe agradam as assembleias de culto”.
Nós entendemos bem que, aqui, Deus fala de um culto esvaziado de conversão e de coerência com a vida cotidiana. Sabemos que toda a credibilidade da nossa ação pastoral nasce dessa sintonia entre o altar e a vida cotidiana, entre o conhecimento e a prática.
No Evangelho de hoje, Jesus se encontra com dois homens possuídos pelo demônio. É interessante notar que Jesus simplesmente liberta aqueles homens e lhes restitui a dignidade. Percebam que Ele não negocia com o mal e sempre traz ordem onde está presente.
Infelizmente, o ser humano nem sempre prefere a ordem, se a vida está desordenada. O exemplo disso está na reação dos habitantes daquela cidade, que pedem que Jesus vá embora. Preferem preservar a vida cômoda, os interesses mesquinhos, a acolher Jesus, pois sabem que vai dar trabalho mudar de vida, envolverá sacrifícios e renúncias que eles não estão dispostos a fazer. Arrumar a casa dá muito trabalho mesmo.
Neste ano celebramos os 45 anos de Familiaris Consortio e os 10 anos de Amoris Laetitia, e somos convidados a ter um olhar pastoral cuidadoso e especial para a família. O que não será fácil, principalmente em um tempo em que vivemos uma mudança de paradigma e até mesmo uma mudança cultural no que diz respeito à família.
O modelo de família, como é considerado nesses dois documentos, está sendo combatido e, convenhamos, o desafio está ficando cada vez maior.
No entanto, é nosso dever continuar a anunciar a beleza do matrimônio cristão, em meio a uma realidade onde as famílias estão cada vez mais marcadas por fragilidades de vínculos e muitos feridos.
Nosso dever é ajudá-los, nem que seja simplesmente, a descobrir que a graça de Deus nunca os abandonará.
Enfim, peçamos a Deus que nossas comunidades e famílias nunca prefiram a comodidade, a tranquilidade dos próprios interesses, como os habitantes daquela cidade do Evangelho de hoje, à presença transformadora de Cristo.
E peçamos a Deus também que, através de nós, muitas famílias possam reencontrar em Cristo a liberdade, a vida, a ordem, a fé e a alegria de viver, na prática, o Evangelho, com todas as suas consequências. Amém.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
Dom Marcelo Antonio da Silva
Bispo auxiliar de Santo Amaro


