A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) enviou, nesta quarta-feira (8), uma mensagem aos agentes da Pastoral Familiar, bispos referenciais, presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, movimentos, serviços, comunidades e a todo o Povo de Deus no Brasil, após a conclusão dos trabalhos da 50ª Assembleia Nacional da Pastoral Familiar, realizada em Brasília, entre os dias 3 e 5 de julho. O evento teve como tema central a celebração dos 10 anos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia e os 45 anos da Exortação Apostólica Familiaris Consortio.
No documento, a CNPF destaca que os trabalhos indicaram a urgência de superar uma pastoral fragmentada, departamentalizada ou reduzida a eventos pontuais. “A família não é responsabilidade exclusiva da Pastoral Familiar, pois todas as pastorais, de algum modo, encontram e servem as famílias. Por isso, é necessário criar comunhão, evitar duplicações, respeitar a pluralidade da Igreja e trabalhar de forma integrada”, diz o texto.
“Reconheceu-se também que uma Igreja Sinodal só será fecunda se aprender a escutar: as famílias, as paróquias, os agentes, os jovens, os seminaristas e as dores e esperanças do povo. Essa escuta, especialmente vivida no Conselho de Pastoral Paroquial, não é apenas técnica pastoral, mas atitude espiritual que exige preparação, conversão interior, paciência, humildade e abertura à ação de Deus nas realidades concretas das famílias”.
Como forma concreta, a mensagem sugere o compromisso de fortalecer a Pastoral Familiar como serviço transversal na vida paroquial; promover formação humana, espiritual e pastoral permanente; ampliar a escuta das famílias e comunidades; favorecer a pastoral de conjunto; articular movimentos e serviços familiares; desenvolver processos de acompanhamento no pré-matrimônio, no pós-matrimônio e nas situações de fragilidade; cultivar uma espiritualidade familiar e missionária; e ajudar as paróquias a compreenderem que a família deve estar no centro da ação evangelizadora.
“Ao concluir esta 50ª Assembleia Nacional, renova-se o compromisso com uma Pastoral Familiar mais sinodal, missionária, formativa e próxima, inserida na realidade local e com senso de pertença à Diocese, menos marcada por ações isoladas e mais por processos permanentes, menos preocupada com estruturas fechadas e mais aberta à escuta da realidade, menos centrada em eventos e mais comprometida com o cuidado cotidiano, menos fragmentada e mais integrada à vida da Igreja”.
Leia a mensagem na íntegra:
Carta Conclusiva da 50ª Assembleia Nacional da Pastoral Familiar
O lugar da Pastoral Familiar na Igreja Sinodal
Às famílias, aos agentes da Pastoral Familiar, aos bispos referenciais, presbíteros, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, movimentos, serviços, comunidades e a todo o Povo de Deus no Brasil.
Reunidos na 50ª Assembleia Nacional da Pastoral Familiar, bispos referenciais, padres assessores e agentes refletiram sobre o lugar da Pastoral Familiar na Igreja Sinodal, em espírito de comunhão, escuta e corresponsabilidade. O encontro foi ocasião de gratidão pelo caminho percorrido, discernimento diante dos desafios atuais e renovação missionária para avançar com coragem, criatividade e fidelidade ao Evangelho da família.
A caminhada sinodal recorda que a Igreja não caminha por departamentos isolados, mas como Povo de Deus, na pluralidade de vocações, ministérios, carismas e serviços. Por isso, reafirma-se que a Pastoral Familiar não pode ser compreendida como ação restrita a um grupo de casais ou a um setor específico da comunidade. Ela é chamada a ser pastoral de conjunto, serviço transversal e presença articuladora na vida da Igreja, ajudando todas as pastorais, movimentos e organismos eclesiais a reconhecerem a família como lugar fundamental da evangelização, da transmissão da fé, da iniciação à vida cristã, da educação para o amor, do cuidado com a vida e da formação de discípulos missionários.
Os trabalhos indicaram a urgência de superar uma pastoral fragmentada, departamentalizada ou reduzida a eventos pontuais. A família não é responsabilidade exclusiva da Pastoral Familiar, pois todas as pastorais, de algum modo, encontram e servem as famílias. Por isso, é necessário criar comunhão, evitar duplicações, respeitar a pluralidade da Igreja e trabalhar de forma integrada.
Reconheceu-se também que uma Igreja Sinodal só será fecunda se aprender a escutar: as famílias, as paróquias, os agentes, os jovens, os seminaristas e as dores e esperanças do povo. Essa escuta, especialmente vivida no Conselho de Pastoral Paroquial, não é apenas técnica pastoral, mas atitude espiritual que exige preparação, conversão interior, paciência, humildade e abertura à ação de Deus nas realidades concretas das famílias.
Nesse horizonte, assume-se como prioridade a formação dos agentes da Pastoral Familiar, não apenas em conteúdos doutrinais, mas também em atitudes humanas, espirituais e metodológicas. É preciso formar agentes capazes de acolher sem julgar precipitadamente, acompanhar sem controlar, discernir sem relativizar a verdade do Evangelho e integrar sem excluir. Destaca-se, ainda, a necessidade de maior proximidade com seminaristas e clero, para que compreendam melhor o lugar da família na ação evangelizadora da Igreja.
A Pastoral Familiar precisa chegar à base: comunidades, paróquias, famílias e pessoas concretas. É necessário pensar globalmente e agir localmente, com metodologia, continuidade, presença comunitária e capacidade de adaptação às diversas realidades do Brasil. As famílias vivem situações distintas: testemunhos de fé e esperança, mas também feridas causadas por separações, conflitos, dependências, violência, solidão, dificuldades econômicas, fragilidade dos vínculos e perda de sentido. Diante disso, a Pastoral Familiar deve ser presença samaritana, capaz de reconhecer necessidades e responder com caridade pastoral.
Reconhece-se, ao mesmo tempo, que já existem muitas experiências fecundas nas dioceses, paróquias, regionais, movimentos e serviços: formações, encontros de casais, itinerários, visitas às famílias, ações missionárias, acompanhamento de situações especiais, diálogo com outras pastorais e experiências de corresponsabilidade. A sinodalidade não começa do zero; ela já está presente onde há comunhão, participação e missão.
Como pistas concretas, assume-se o compromisso de fortalecer a Pastoral Familiar como serviço transversal na vida paroquial; promover formação humana, espiritual e pastoral permanente; ampliar a escuta das famílias e comunidades; favorecer a pastoral de conjunto; articular movimentos e serviços familiares; desenvolver processos de acompanhamento no pré-matrimônio, no pós-matrimônio e nas situações de fragilidade; cultivar uma espiritualidade familiar e missionária; e ajudar as paróquias a compreenderem que a família deve estar no centro da ação evangelizadora.
Reconhece-se também a importância dos itinerários de acompanhamento, para que a preparação para o matrimônio não seja reduzida a encontros rápidos ou a uma exigência burocrática, mas vivida como processo de discernimento vocacional, amadurecimento humano, aprofundamento da fé e inserção comunitária. Do mesmo modo, o acompanhamento pós-matrimonial precisa ser fortalecido, especialmente nos primeiros anos da vida conjugal, nas crises familiares e nas situações que exigem proximidade pastoral.
Ao concluir esta 50ª Assembleia Nacional, renova-se o compromisso com uma Pastoral Familiar mais sinodal, missionária, formativa e próxima, inserida na realidade local e com senso de pertença à Diocese, menos marcada por ações isoladas e mais por processos permanentes, menos preocupada com estruturas fechadas e mais aberta à escuta da realidade, menos centrada em eventos e mais comprometida com o cuidado cotidiano, menos fragmentada e mais integrada à vida da Igreja.
Pedimos ao Senhor sabedoria para discernir, coragem para mudar, humildade para escutar e perseverança para servir. Que Maria, Mãe da Igreja e Rainha das Famílias, acompanhe a caminhada da Pastoral Familiar no Brasil. Que a Sagrada Família de Nazaré inspire nossas comunidades a serem casas de acolhida, escolas de comunhão e espaços de missão.
Com gratidão pelo caminho percorrido e esperança diante dos passos futuros, seguimos unidos na missão de anunciar, celebrar e servir o Evangelho da família.
Pastoral Familiar do Brasil

