Durante o terceiro dia encontro “Dez anos depois da Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje”, realizado nesta sexta-feira (9), na Sala Paulo VI, no Vaticano, os participantes tiveram a oportunidade de fazer uma escuta sobre as os a necessidade acompanhar os jovens na descoberta do valor do matrimônio. O trabalho foi realizado em grupos formados por casais, especialistas e bispos dos cinco continentes. O encontro segue até a próxima quarta-feira (14).
Diante da discussão, o casal coordenador nacional da Pastoral Familiar, Alisson e Solange Schila, destacou a importância do trabalho realizado no Brasil pelos catequistas de casais que preparam os noivos para o matrimônio. “Percebemos muitas vezes mencionado a necessidade e a clareza na percepção da importância de casais, de famílias, de matrimônios que não são perfeitos, não são ideais, mas são reais, que acompanhem aqueles jovens que buscam o sacramento do matrimônio”, apontou Solange Schila.
“Então, gostaríamos de agradecê-los e dizer-lhes que dentro da dinâmica pastoral aplicada hoje na pastoral familiar do Brasil, temos realidades bonitas de caminhada com jovens namorados, onde o testemunho de casais que os acompanham nos seus grupos são sempre ricos e necessários, além daqueles que trabalham diretamente na catequese matrimonial”, reforçou Alisson Schila.
Avaliações
O prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e Vida, durante a abertura dos trabalhos, cardeal Kevin Joseph Farrell, ressaltou o declínio nos últimos anos no número de casamentos. Entre os fatores que contribuem para a situação, está o número de divórcios, a variedade de formas de vida em casal e a influência das tendências culturais dominantes.
O arcebispo metropolitano e presidente da Conferência dos Bispos Católicos da Austrália, Timothy John Costelloe, compartilhou elementos adquiridos a partir de sua experiência pessoal como educador salesiano de jovens e relatou as reflexões do clero e dos leigos de Perth. O prelado esclareceu os riscos de tratar os jovens “como um grupo sociológico homogêneo”, em vez de como “indivíduos únicos, com suas próprias histórias, experiências e personalidades distintas”. “Devemos levá-los a sério, devemos tanto cultivar quanto demonstrar nosso respeito por eles, e devemos ouvi-los com atenção”, disse.
Ele destacou a “tensão” entre a visão católica e as correntes da sociedade contemporânea, onde as redes sociais apresentam uma visão das relações humanas que privilegia “a felicidade imediata em detrimento da permanência, do sacrifício e da aliança”. Sem contar o legado emocional deixado por divórcios na família, violência doméstica, desigualdades de gênero e perda de credibilidade dos líderes eclesiásticos.
Por outro lado, os jovens sentem-se atraídos por um vínculo duradouro que possa trazer à tona o melhor de si mesmos e constituir um ponto de partida para um futuro “digno de ser vivido”. É aqui que eles devem ser “apoiados nesses desejos e acompanhados em sua caminhada rumo à construção dessas relações”. “O testemunho de casais casados e famílias estáveis representa um instrumento poderoso” para amenizar “o medo do compromisso e as dúvidas sobre a durabilidade”, apontou o bispo australiano.
A experiência na Índia
Ao tomar a palavra, o bispo auxiliar de Bombaim, na Índia, Stephen Eustace Victor Fernandes, disse estar convencido de que os jovens não deixaram de ter sede de amor, mas que simplesmente enfraqueceu a confiança de que o amor possa durar. Suas hesitações escondem “aspirações profundas: ser amados e aceitos, sentir-se parte de algo, ser tratados com dignidade, encontrar a autenticidade e construir um futuro significativo”.
À luz disso, a Igreja não deve se perguntar por que os jovens “não conseguem aceitar o casamento”, mas o que eles buscam “quando falam de amor, liberdade, dignidade” e como acompanhá-los “na descoberta de se o seu desejo mais profundo de amor pode se tornar uma vocação, uma entrega de si ao outro, livre, fiel e duradoura”.
O bispo também afirmou que a formação para uma “vocação enraizada no amor” deveria ser iniciada bem antes da preparação imediata para o casamento: em vez de apresentar a moral cristã em termos de proibições e obrigações, Fernandes convida a falar “do amor como dom, da liberdade como doação de si mesmo, da sexualidade como capacidade da pessoa de amar e se doar, da fidelidade como fundamento da confiança e da estabilidade, e do casamento como aliança capaz de dar sentido à vida”.
“Mas, antes que a Igreja possa falar de maneira convincente, ela deve, antes de tudo, ouvir”, advertiu o bispo auxiliar de Bombaim, a fim de “distinguir entre a rejeição do casamento e o temor de que um amor comprometido para toda a vida não seja mais possível”, disse.











