Entre os dias 6 e 8 de outubro, a Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, em parceria com a Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF), promoveu o Congresso Teológico “Teologia do Matrimônio e Conjugalidade”, reunindo professores, pesquisadores, sacerdotes, bispos e agentes pastorais para aprofundar, sob diferentes perspectivas, os fundamentos e os desafios atuais da vocação matrimonial e da vida conjugal.
Ao longo dos três dias, a programação foi estruturada a partir de três grandes dimensões: bíblica, antropológico-moral e canônico-pastoral, favorecendo uma abordagem interdisciplinar e articulada da realidade do matrimônio.
No primeiro dia, dedicado à dimensão bíblica, as reflexões percorreram o matrimônio e a conjugalidade no Antigo Testamento, no Novo Testamento e nos escritos paulinos. Participaram desse bloco a Profa. Dra. Maria de Lourdes Corrêa Lima, o Prof. Dr. Bruno Guimarães e o Prof. Dr. Dom Basílio da Silva, OSB. O encerramento da tarde contou ainda com um painel temático sobre os dez anos da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia, com a participação de Pe. Rodolfo Chagas Pinho e Pe. Rafael Solano, ressaltando a atualidade do documento para a reflexão teológica e para o acompanhamento pastoral das famílias.
O segundo dia voltou-se à dimensão antropológico-moral. A programação contou com a participação de Dom Luiz Antônio Catelan, que abordou o matrimônio e a conjugalidade em perspectiva antropológica, e de Pe. Rafael Solano, que tratou da dimensão moral. A Profa. Dra. Lícia Pereira refletiu sobre família e espiritualidade, enquanto Maria Bárbara Toledo e Sávio Bittencourt contribuíram com o painel temático sobre a pastoral familiar no Brasil, mediado por Pe. Rodolfo Chagas Pinho.
No terceiro e último dia, o congresso aprofundou a dimensão canônica e pastoral do matrimônio. Dom Anselmo Chagas de Paiva, OSB, tratou da responsabilidade dos pais na educação dos filhos, enquanto o Prof. Dr. Cônego Carlos Augusto Azevedo refletiu sobre a contribuição de Amoris Laetitia nas causas de nulidade matrimonial. O Prof. Dr. Rafael Fornasier abordou o matrimônio e a conjugalidade sob a perspectiva da Pastoral Familiar e Dom Gilson, presidente do Regional Leste 1 da CNBB, desenvolveu o tema “Família: Igreja doméstica”.
A realização do congresso aconteceu em um momento particularmente significativo, marcado pelos dez anos de publicação de Amoris Laetitia. A Exortação do Papa Francisco permanece uma referência fundamental para a compreensão da realidade das famílias, sobretudo por sua insistência na necessidade de acolher, acompanhar, discernir e integrar as diferentes situações familiares, sem renunciar à beleza e à verdade da vocação matrimonial.
Ao final dos três dias, o Congresso Teológico “Teologia do Matrimônio e Conjugalidade” reafirmou a importância de promover espaços de reflexão que aproximem o saber teológico da experiência concreta das famílias. Em um contexto de rápidas transformações culturais e sociais, o aprofundamento acadêmico e pastoral do matrimônio mostra-se cada vez mais necessário para ajudar a Igreja a anunciar, com linguagem renovada e fidelidade ao Evangelho, a beleza da família, da comunhão conjugal e da vocação ao amor.
O encontro também evidenciou que pensar o matrimônio hoje significa ir além de respostas prontas. É necessário articular tradição e realidade, doutrina e experiência, verdade e misericórdia, de modo que a reflexão teológica possa contribuir efetivamente para uma pastoral capaz de caminhar com as famílias e ajudá-las a viver sua vocação e missão na Igreja e na sociedade.













