A Exortação Apostólica Amoris Laetitia completa dez anos!
Em 19 de março de 2016 o Igreja foi presenteada pelo Papa Francisco com a Exortação Apostólica Amoris Laetitia (A Alegria do Amor). Em 2026 celebrarmos o décimo aniversário de um documento que, particularmente, costumo dizer que daqui a cem anos ou mais, estará atualíssimo e será citado, debatido e utilizado como fonte de estudos e trabalhos pastorais, por todos os serviços e movimentos que atuam junto às famílias, especialmente pela Pastoral Familiar.
O documento conta com sete parágrafos introdutórios, seguidos de nove capítulos e termina com uma oração à Sagrada Família. No total são 325 parágrafos que abordam diferentes temas: Palavra de Deus; situação atual da família e desafios; doutrina da Igreja; amor familiar; caminhos pastorais; misericórdia; discernimento pastoral em relação às situações não ideais; e, espiritualidade familiar.
A Exortação Amoris Laetitia é uma grande catequese bíblica, teológica e pastoral, que ressalta a importância do matrimônio e da família. O Papa Francisco destacou que, embora haja dificuldades quanto às questões familiares, verificou-se que o desejo pela família permanece vivo, principalmente entre os jovens, e isso é motivo de grande alegria.
Francisco não trouxe ao debate um modelo de família idealizado, como por exemplo, de uma “família de comercial de TV”, mas um modelo de família real: aquela que precisa lidar com problemas, com o cansaço, com a falta de dinheiro, com as crises de comunicação; mas também com a beleza dos recomeços, do perdão, da reconciliação e do crescimento mútuo. Um verdadeiro caminhar, onde há batalhas, aperfeiçoamento e perseverança.
A partir de fatos concretos, aprendemos que o amor/caridade se manifesta na paciência ao ouvir o outro após um dia exaustivo, na amabilidade de um “obrigado” e na humildade de pedir “desculpas”. Francisco nos recordou que o caminho para a santidade não está apenas nas orações, mas também na ternura com que um casal cuida um do outro e dos filhos.
Para as Pastorais e movimentos que atuam junto às famílias, de maneira especial por meio dos verbos “acompanhar, discernir e integrar”, a Igreja é comparada a um “hospital de campanha”, lugar onde há pessoas com feridas graves, lugar onde há quem, apesar das próprias limitações e fragilidades, coloca-se à serviço, cuidando dos mais frágeis. Aprendemos que a misericórdia de Deus é sempre maior que as nossas limitações. A Amoris Laetitia nos ensinou a carregar as ovelhas feridas no ombro, ao invés de atirar pedras.
A Amoris Laetitia deixa evidente que a família não é e nunca foi um problema, na realidade, trata-se de oportunidade. É o lugar onde Deus se faz presente, não porque tudo é perfeito, mas porque ali se aprende a amar.
Jeandré C. Castelon
Casado, pai de dois filhos, membro da Pastoral Familiar, Advogado e Mestre em Teologia Pastoral.
Oração à Sagrada Família
Jesus, Maria e José, em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor e, confiantes, a Vós nos consagramos.
Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do Evangelho e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado, seja rapidamente consolado e curado.
Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família e da sua beleza no projeto de Deus.
Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém.
Papa Francisco – Amoris Laetitia

