“Administrar é justamente cuidar e fazer crescer e progredir aquilo que Deus nos concedeu.” Com essa reflexão, Dom Moacir Arantes, bispo de Barreiras (BA), destacou a responsabilidade de cultivar os dons recebidos de Deus durante a homilia da Missa de abertura do Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar, nesta sexta-feira, 6 de novembro, em Foz do Iguaçu (PR).
O encontro segue até domingo, 8 de novembro, e reúne 80 participantes, entre casais, padres, agentes leigos da Pastoral Familiar e integrantes de movimentos familiares. Com o tema “Família, torna-te aquilo que és: do anúncio da vocação ao acompanhamento das famílias”, a formação propõe aprofundar a missão pastoral nas diferentes etapas da vida familiar, desde o anúncio e a preparação para a vocação ao matrimônio até o acompanhamento das famílias ao longo de sua caminhada.
Ao refletir sobre o Evangelho, Dom Moacir convidou os participantes a reconhecer que a vida, as possibilidades e as oportunidades são dons recebidos. A responsabilidade cristã, explicou, envolve cuidar daquilo que Deus confia a cada pessoa e colaborar para que esses dons floresçam.
“Deus confiou a nós muitas realidades que Ele poderia ter realizado sozinho, mas Ele quis tornar-nos participantes da administração da criação”, afirmou.
Essa participação se concretiza também nas relações familiares. Ao abordar os vínculos entre esposos e entre pais e filhos, o bispo ressaltou que eles não devem ser compreendidos como posse. A pertença familiar exige corresponsabilidade, acolhimento e envolvimento com a vida do outro.
A reflexão alcança igualmente os ofícios, o trabalho e o serviço à comunidade eclesial. Na perspectiva apresentada por Dom Moacir, os dons e as capacidades pessoais precisam estar a serviço do bem que foi confiado a cada um.
Outro ponto da homilia foi a confiança na misericórdia de Deus. Ao comentar a atitude do administrador da parábola do Administrador Desonesto (Lc. 16,1-8), o bispo chamou a atenção para o medo, as incertezas e as inseguranças que podem orientar as decisões humanas e comprometer o cuidado com aquilo que se recebe.
“E se ele tivesse confessado a sua fraqueza? E se ele tivesse assumido a sua irresponsabilidade e os seus erros e os seus pecados?”, questionou, convidando os participantes a refletir sobre a disposição de reconhecer as próprias limitações diante de Deus.
A responsabilidade pelos dons recebidos, recordou, começa nas experiências cotidianas: na maneira de organizar o tempo, viver os afetos e cuidar da própria vida e das relações. Nesse horizonte, mencionou também a vocação, o sacramento do matrimônio, o ministério ordenado, a paternidade e a maternidade.
As reflexões da celebração introduziram o percurso formativo do encontro, cujos temas são conduzidos pelos professores Diogo Pessotto e Giovani Domiciano Formenton. Ao longo dos três dias, os participantes aprofundam o chamado a anunciar a vocação familiar e a acompanhar sua vivência, fortalecendo a presença pastoral junto às famílias.







