No dia 10 de outubro, aconteceu, em Vitória (ES), o 2º Seminário de Serviço à Vida, promovido pela Comissão Vida e Família da Arquidiocese de Vitória. Inspirado pelas palavras de Jesus — “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10) —, o evento foi realizado no Centro de Treinamento Dom João Batista e reuniu lideranças, agentes de pastorais e movimentos, além de pessoas interessadas na promoção e defesa da vida.
Antes da abertura oficial, o arcebispo de Vitória, Dom Ângelo Ademir Mezzari, RCJ, deu as boas-vindas aos participantes e concedeu uma bênção. A abertura foi conduzida pelo padre Celso Porto, assessor eclesiástico da Comissão Vida e Família. Assim como na primeira edição do Seminário, realizada em 2025, a questão do aborto voltou a ocupar um espaço importante na programação deste ano.
Na palestra “A situação do aborto no Brasil: panorama atual e esclarecimento de dúvidas”, Thaissa Haynes explicou que a defesa da vida humana antes do nascimento é uma das prioridades do Serviço à Vida. A palestrante apresentou um panorama do cenário brasileiro, abordando questões atuais relacionadas ao aborto e proporcionando aos participantes a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos e esclarecer dúvidas.
A retomada desse tema, pelo segundo ano consecutivo, reforçou a importância de uma formação contínua, capaz de preparar os católicos para defender a dignidade de cada vida humana, especialmente das mais frágeis e vulneráveis.
Serviço à Vida
O Serviço à Vida possui um campo de atuação muito amplo e deve perpassar todos os setores da Pastoral Familiar, bem como nas demais pastorais da Arquidiocese. Ao aprofundarmos o estudo sobre a defesa da vida humana, percebemos como os diversos temas estão interligados e como essa missão exige um olhar atento à pessoa humana em sua integralidade.
Afinal, a missão do Serviço à Vida é proteger, valorizar e respeitar a vida humana em todas as suas etapas e circunstâncias, desde a concepção até a morte natural. Por isso, nesta segunda edição, o Seminário ampliou seu horizonte, trazendo novos temas de grande relevância, que desafiam a sociedade e exigem dos cristãos uma formação cada vez mais sólida.
O médico Dr. Rômulo Félix abordou o tema “Cuidados paliativos e a chegada da ideia da eutanásia e do suicídio assistido no Brasil”, proporcionando uma reflexão sobre a dignidade humana diante do sofrimento, da doença e da proximidade da morte. A palestra destacou a importância do cuidado, do acolhimento e do respeito à vida, especialmente quando a pessoa se encontra em situação de maior fragilidade.
Outro tema de grande relevância foi apresentado pela médica Dra. Maria Alice Gomes Sarcinelli, que conduziu a palestra “Infertilidade e tecnologias de fecundação humana – moral e ética da Igreja”. A exposição convidou os participantes a refletirem sobre os desafios éticos e morais relacionados às tecnologias de reprodução humana, à luz dos ensinamentos da Igreja Católica, destacando a dignidade da pessoa humana desde o início de sua existência. A médica também abordou os riscos associados à fertilização in vitro e apresentou alternativas de investigação e tratamento da infertilidade que ainda são desconhecidas por muitas pessoas.
O Seminário também abriu espaço para uma reflexão sobre o papel fundamental dos homens na proteção e valorização da vida. Na palestra “A importância dos homens na Defesa da Vida – Paternidade: um chamado à responsabilidade”, Allan Haynes Junior destacou a importância da presença, do compromisso e da responsabilidade masculina, especialmente no contexto da família, da paternidade e do acolhimento à vida.
Um dos momentos especiais do encontro foi a participação do casal Suzy e Marco Araújo, integrantes da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília, que vieram a Vitória compartilhar sua experiência de aproximadamente 30 anos de dedicação à defesa da vida. Na palestra “Serviço à Vida na Prática – como aplicar nos níveis de área e nas paróquias”, o casal apresentou experiências e caminhos concretos para que a defesa da vida não permaneça apenas no campo das ideias, mas se traduza em iniciativas efetivas de formação, conscientização, acolhimento e ajuda às pessoas que mais necessitam.
A partilha de uma trajetória tão longa de dedicação a essa missão foi também um testemunho de perseverança e esperança, mostrando que o trabalho em defesa da vida se constrói diariamente, por meio de pequenos e grandes gestos de amor, compromisso e serviço.
Ao longo do dia, diversos participantes manifestaram o quanto estavam impactados com os conteúdos apresentados. Muitos comentaram que estavam encantados com a riqueza das palestras e surpreendidos com a quantidade de informações que desconheciam, mesmo sobre assuntos tão presentes nos debates da sociedade atual.
Essas manifestações revelaram a importância de promover espaços de formação como esse. Afinal, para defender e valorizar a vida, é preciso também conhecê-la, compreender os desafios que a ameaçam e estar preparado para responder a eles com verdade, caridade e responsabilidade.
O Seminário reforçou, ainda, que o Serviço à Vida não é uma missão reservada a especialistas, mas um chamado dirigido a todos os cristãos. Cada pessoa, em sua família, comunidade, paróquia e ambiente de trabalho, pode contribuir para a construção de uma verdadeira cultura da vida.
Ao final do encontro, permaneceu a certeza de que há muito a aprender e muito a fazer, mas também a esperança de que, a cada pessoa sensibilizada, a cada consciência despertada e a cada gesto concreto de acolhimento, damos mais um passo na construção de uma sociedade que reconheça, respeite e proteja toda vida humana.


