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Home Artigos

O filho como dom: a missão da Pastoral Familiar diante do medo de gerar

04/08/2026
em Artigos
Tempo de leitura: 3 mins leitura
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Uma sociedade justa não se constrói eliminando os que não têm voz, diz Papa

(Foto: Vatican Media)

Por Pe. Rodolfo Chagas Pinho, presbítero da Diocese de Jacarezinho-PR. Assessor da Comissão Episcopal Vida e Família CNBB e Secretário Executivo Nacional da Pastoral Familiar

 

Vivemos um tempo em que muitos casais, mesmo se amando sinceramente, olham para a possibilidade de ter filhos com hesitação, medo ou recusa. Não se trata apenas de egoísmo, como às vezes se diz de forma apressada, mas de um fenômeno mais complexo. Há casais que adiam indefinidamente a abertura à vida por insegurança econômica, medo do futuro, instabilidade afetiva, exigências profissionais, fragilidade emocional, traumas familiares ou simples falta de esperança. Outros dizem claramente que não querem filhos, porque foram convencidos de que a realização pessoal depende de uma vida sem vínculos mais exigentes.

Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026

É importante reconhecer que o medo de ter filhos está ligado também à cultura contemporânea. Muitos jovens adultos cresceram vendo famílias feridas, pais ausentes, separações dolorosas, sobrecarga materna, paternidade imatura e crianças tratadas mais como problema do que como dom. Soma-se a isso uma mentalidade marcada pelo controle absoluto, planeja-se tudo, calcula-se tudo, tenta-se eliminar todo risco. Mas um filho não entra totalmente nos cálculos. Ele é sempre, de certo modo, uma surpresa, uma alteridade, um chamado a sair de si. Quando a cultura transforma a liberdade em ausência de vínculos e a felicidade em conforto individual, a fecundidade começa a ser vista como ameaça e não como plenitude.

Por isso, a primeira tarefa da Pastoral Familiar nesse assunto é acolher os casais sem caricaturas. Muitos não rejeitam o filho porque desprezam a vida, mas porque carregam medos reais e, às vezes, profundos. Há quem tema não conseguir sustentar uma casa; há quem se sinta incapaz de educar; há quem tenha medo de repetir os erros dos próprios pais; há quem veja a chegada de um filho como perda da própria identidade ou colapso da vida conjugal. Antes de repetir princípios, precisa tocar as feridas concretas que tornaram a abertura à vida tão difícil para muitos casais.

Ao mesmo tempo, é preciso anunciar com serenidade e convicção uma verdade: o filho não é um obstáculo à felicidade do casal, mas pode ser uma de suas expressões mais profundas. O filho não deve ser visto como peso inevitável, nem como mero projeto dos adultos, mas como dom. Um dom que exige, sim, renúncia, amadurecimento, responsabilidade e sacrifício, mas que também alarga o coração, dá novo sentido ao amor e faz o casal sair de uma lógica fechada em si mesmo. O amor conjugal, quando amadurece, não tende apenas a preservar-se, mas a tornar-se fecundo. A abertura à vida não empobrece o amor; em muitos casos, o purifica, o aprofunda e o expande.

A Pastoral Familiar pode ajudar muito quando deixa de tratar esse tema apenas em linguagem moral e mostra aos casais que um filho não é só mais uma responsabilidade, mas alguém único, irrepetível, confiado por Deus. O casal precisa ser ajudado a redescobrir que gerar, acolher e educar um filho é participar da obra criadora de Deus e entrar numa missão de grandeza admirável.

Não basta dizer aos casais que o filho é bênção; é preciso cercá-los de apoio, testemunho e comunidade. Muitos têm medo porque se sentem sozinhos. A Pastoral Familiar pode criar espaços onde casais mais jovens encontrem outros que já vivem a paternidade e a maternidade com realismo e esperança. Casais precisam ouvir de outros casais que a chegada dos filhos muda a vida, exige adaptações, traz cansaços reais, mas também introduz alegrias, profundidades e sentidos que antes não imaginavam. Mais do que discursos abstratos, são essas presenças concretas que ajudam a desfazer preconceitos e medos.

Um filho rompe a lógica do controle, do cálculo e do individualismo e ensina que amar é acolher alguém que não foi feito à nossa medida, que terá sua própria história, sua liberdade, suas fragilidades e sua beleza. O filho é dádiva porque revela ao casal que a vida não se esgota em si mesmo. Ele não vem apenas acrescentar uma tarefa, mas inaugurar uma nova forma de amar. Onde a cultura enxerga perda de liberdade, a fé pode ajudar a perceber crescimento em humanidade. Onde muitos veem apenas peso, a Igreja é chamada a testemunhar sentido, esperança e fecundidade.

Portanto, escutar os medos, acompanhar os discernimentos, oferecer formação, sustentar espiritualmente os casais e testemunhar, com delicadeza e verdade, que o filho é dom de Deus e bem para o amor humano, é um serviço da Pastoral Familiar. Não se trata de romantizar a paternidade e a maternidade, nem de ignorar as dificuldades reais da vida contemporânea. Trata-se de recordar, com alegria serena, que a vida acolhida é sempre maior do que a lógica do medo. Quando a Igreja ajuda os casais a olhar o filho não como ameaça, mas como graça, ela colabora para que o amor conjugal reencontre uma de suas expressões mais belas: tornar-se casa para uma nova vida.

Tags: Abertura à vidaartigosPastoral FamiliarVida
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  • Amar também é cuidar.
O Evangelho deste domingo nos lembra que o amor a Deus não pode ficar apenas nas palavras. Ele se torna concreto na forma como olhamos, escutamos, ajudamos e cuidamos das pessoas que fazem parte da nossa vida.
Que nossa família aprenda, todos os dias, a transformar o amor em pequenos gestos concretos.
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  • A família precisa de esperança, acolhimento e amor! 

Em um mundo que tanto precisa de Deus, a Igreja é chamada a ser presença que acolhe, fortalece e anuncia a esperança de Cristo às famílias.

Que nunca nos falte coragem para levar o amor de Deus a cada lar!

Compartilhe essa mensagem tão especial diretamente do encontro “10 anos depois de Amoris Laetitia” para nossas famílias.
  • São João Paulo II dedicou grande parte de seu ministério a recordar ao mundo uma verdade que continua profundamente atual: a família tem uma identidade, uma vocação e uma missão.
Suas palavras nos convidam a olhar para nossas famílias não como famílias perfeitas, mas como famílias chamadas a crescer no amor, na comunhão, no perdão e na fé.
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  • Quem cuida da Pastoral Familiar também precisa ser cuidado, formado e fortalecido para a missão.

Por isso, o Encontro Nacional de Formação é uma oportunidade para coordenadores paroquiais, diocesanos e regionais ampliarem seus conhecimentos, partilharem experiências e encontrarem novos caminhos para acompanhar as famílias.

📅 6 a 8 de novembro
📍 Foz do Iguaçu (PR)

Família, torna-te aquilo que és: do anúncio da vocação ao acompanhamento das famílias.

Venha viver esse momento de formação conosco!

Inscrições abertas e vagas limitadas. Acesse o link da bio para se inscrever.
  • O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, e o bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, dom Bruno Elizeu Versari, fizeram um balanço da participação brasileira no encontro “Dez anos depois da Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje”, realizado entre os dias 7 e 14 de outubro, no Vaticano.

Eles reconhecem o empenho da Pastoral Familiar no Brasil e fazem um convite às famílias brasileiras e a todo o clero a continuarem a promover a santidade neste ambiente tão fecundo de amor.
  • Olá, estimadas famílias. Estamos aqui no Vaticano, na sala Paulo VI, para o nosso quinto dia de reflexões sobre os 10 anos da Amoris Laetitia. E hoje tratando especificamente dos do tema nas dificuldades da vida, acompanhamento e apoio necessário às nossas famílias.

Para o início desta reflexão, foram introduzidos a os o tema com algumas colocações que vocês encontram também no site apontado onde estão todos esses subsídios que estamos aqui trabalhando. E tudo isso nos fez mergulhar ainda mais profundamente no capítulo oitavo de Amoris Laetitia, como em toda ela que permeia esse cuidado, esse apoio e esse acompanhamento.

Mas hoje precisamente falando das dificuldades que passamos enquanto famílias, se suscita a necessidade de passarmos da assistência para o acompanhamento. A importância de formarmos redes de apoio tanto comunitária quanto profissional e pastoral. Não podemos estar sozinhos, precisamos de apoio de toda essa conjuntura.

Ajuda mútua, sem julgamentos, fraternal, menos formal, precisamos de processos de discernimento.

Nesses 10 anos, Amoris Laetitia nos leva a mostrar o rosto materno da Igreja. Materno como da mãe Aparecida, que ama e abençoa o Brasil. Por isso nós daqui pedimos também a bênção dela sobre todo o nosso povo brasileiro.

Um fraterno abraço a todos.
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