O Papa Leão XIV recebeu, nesta sexta-feira (06), na Sala Clementina, no Vaticano, cerca de 60 pessoas que participam da III Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. Nos três dias de encontro, os trabalhos são focados nos temas da formação cristã e dos Encontros Mundiais, “realidades importantes para toda a Igreja”, comentou o Pontífice.
Os Encontros Mundiais, disse Leão XIV, exigem um trabalho complexo de organização, mas o Papa preferiu se deter particularmente sobre a formação cristã, a partir das palavras de São Paulo dirigidas aos Gálatas: “Até que Cristo seja formado em vós” (Gal 4,19), que dá tema ao encontro e é um argumento presente em várias passagens do Apóstolo. Por exemplo, quando fala da importância dos “pedagogos em Cristo”, mas sobretudo dos “pais” (1 Cor 4,15):
“É verdade que, na Igreja, às vezes, a figura do formador como ‘pedagogo’, empenhado em transmitir instruções e competências religiosas, prevaleceu sobre aquela do ‘pai’ capaz de gerar a fé. A nossa missão, porém, é muito mais elevada, por isso não podemos nos limitar a transmitir uma doutrina, uma observância, uma ética, mas somos chamados a compartilhar o que vivemos, com generosidade, amor sincero pelas almas, disponibilidade para sofrer pelos outros, dedicação sem reservas, como pais que se sacrificam pelo bem dos filhos.”
A dimensão comunitária da formação
O Papa, então, tratou de outro aspecto da formação: a dimensão comunitária. Assim “como a vida humana é transmitida graças ao amor de um homem e de uma mulher, também a vida cristã é veiculada pelo amor de uma comunidade”. Os pais dão vida aos filhos para “compartilhar a superabundância de amor e alegria que os habita”, assim como deve acontecer na Igreja:
“Não é o sacerdote sozinho, ou um catequista ou um líder carismático, que gera a fé, mas a Igreja, a Igreja unida, viva, feita de famílias, de jovens, de solteiros, de consagrados, animada pela caridade e, portanto, desejosa de ser fecunda, de transmitir a todos, e sobretudo às novas gerações, a alegria e a plenitude de sentido que vive e experimenta.”
O cuidado com a prevenção a abusos nas comunidades
“A missão do formador, continuou o Papa, devem seguir alguns elementos fundamentais, como “a necessidade de favorecer percursos de vida constantes, envolventes e pessoais, que conduzam ao Batismo e aos Sacramentos, ou à sua redescoberta”. Outro aspecto é “ajudar quem empreende um caminho de fé a amadurecer e a custodir um novo modo de viver, que abranja todos os âmbitos da existência, privados e públicos, como o trabalho, as relações e a conduta cotidiana”. E o Papa enalteceu:
“Como podemos ver, a arte de formar não é fácil e não se improvisa: requer paciência, escuta, acompanhamento e verificação, tanto em nível pessoal como comunitário, e não pode prescindir da experiência e da convivência com aqueles que a viveram, para aprender e seguir o exemplo.”
No final do discurso, o encorajamento do Papa Leão XIV à missão, mesmo diante dos desafios e seguindo modelos de fé, como aquele de Santo Agostinho:
“Os desafios que enfrentam, às vezes, podem parecer superiores às suas forças e recursos. Mas vocês não devem desanimar. Comecem pelo pequeno, seguindo, na fé, a lógica evangélica do ‘grão de mostarda’ (cf. Mt 13, 31-32), confiantes de que o Senhor nunca os deixará, no momento oportuno, as energias, as pessoas e as graças necessárias.”
*Com informações do Vatican News
