A Arquidiocese de Fortaleza, vinculada ao Regional Nordeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoveu, no último sábado (9), uma formação voltada a agentes de Pastoral, lideranças e movimentos eclesiais que acompanham as famílias. O tema: “Adolescentes sem religião – um apelo à Pastoral Familiar”, com inspiração no artigo do assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, padre Rodolfo Chagas Pinho.
O encontro foi realizado na Faculdade Católica da Arquidiocese de Fortaleza com 130 participantes. A formação chamou a atenção para o crescimento de adolescentes que se declaram sem religião no Brasil. A condução ficou a cargo da irmã Dolores Torres, da Legião de Nossa Senhora Rainha dos Corações e membro da Comissão Arquidiocesana da Pastoral Familiar. Ela destacou a necessidade de a Igreja olhar com menos julgamento para os jovens.
Segundo dados apresentados na formação, 22,3% dos adolescentes afirmam não ter religião. Para a irmã Dolores, isso revela uma mudança profunda na forma de viver a fé, cada vez mais marcada pela busca pessoal de sentido e pela desconfiança em relação às instituições religiosas. “Quando um adolescente se declara sem religião, nem sempre isso significa rejeição completa de Deus. Muitas vezes significa rejeição de experiências religiosas frias, moralistas, incoerentes ou distantes de suas dores concretas,”, destacou a reflexão apresentada.
O Encontro também contou com a presença do padre Edergilson Farias, que é responsável pela Comissão Vida e Família na Arquidiocese de Fortaleza. Durante a formação, foi a reforçado que os adolescentes demonstram uma “sede espiritual”, mas muitas vezes não encontram pontes entre essa busca e a vivência comunitária da fé. Embora valorizem a oração e a espiritualidade em momentos difíceis, muitos jovens ainda se sentem distantes das comunidades eclesiais.
A reflexão apontou que o desafio não está apenas na transmissão de conteúdos religiosos, mas na vivência concreta da fé dentro das famílias. A primeira resposta da Igreja, segundo a formação , não deve ser o excesso de atividades ou cobranças, mas o fortalecimento do lar como espaço principal de experiência com Deus.
A Pastoral Familiar foi convidada a ajudar pais e responsáveis a retomarem o papel de primeiros educadores da fé, com atitudes simples como rezar em família, ouvir os filhos com acolhimento, viverem o perdão e testemunhar a fé no cotidiano. A proposta é transformar uma fé apenas tradicional em uma adesão conscientemente e pessoal a Jesus Cristo.
Outro ponto destacado é que muitos adolescentes possuem uma fé herdada, mas ainda não amadurecida. Eles buscam respostas para questões como sofrimento, sexualidade, injustiça e sentido da vida, e precisam de experiências reais com Deus na oração, na Palavra, nos sacramentos e na convivência comunitária.
A formação também provocou uma reflexão sobre o papel da Pastoral Familiar nas paróquias: mais do que vigiar ou cobrar, a missão é acompanhar, escutar e caminhar junto com os jovens e suas famílias.
Ao final, os participantes reforçaram a importância da oração em família e da vivência comunitária como caminhos para aproximar os adolescentes da fé. O encontro concluiu com um apelo à ação do Espirito Santo para que a missão da Igreja seja vivida com mais criatividade, paciência e amor, para que nenhum jovem se sinta excluído da experiência com Deus.


