No próximo dia 19 de março, Dia de São José, a Igreja Católica também celebra os 10 anos da publicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco. A Missa em ação de graças pelo acontecimento é, antes de tudo, uma celebração da presença de Deus na vida concreta das famílias. Mais do que recordar a publicação de uma exortação apostólica, a comunidade cristã se reúne para reconhecer que, ao longo desta década, a Igreja foi chamada a olhar com mais atenção, misericórdia e realismo para o cotidiano dos lares.
Celebrar esse aniversário na Eucaristia significa confessar que o Evangelho da família não é uma teoria distante, mas uma boa notícia que se encarna em histórias de amor, fragilidade, perdão, recomeço e fidelidade. É uma ocasião para agradecer pelos frutos já colhidos e, ao mesmo tempo, renovar o compromisso de caminhar com as famílias de hoje.
“A Amoris Laetitia recorda que a família não é apenas destinatária da ação pastoral, mas sujeito vivo de evangelização, chamada a irradiar o amor recebido para além de si mesma. Assim, a Missa pode ser celebrada como envio: envio das famílias para serem sinal de acolhida, solidariedade e reconciliação na sociedade; envio da comunidade para sustentar os casais, os noivos, os pais, os avós, os filhos e aqueles que vivem situações de sofrimento, ruptura ou solidão. Celebrar esse jubileu é reafirmar que a comunhão familiar, quando vivida na fé, torna-se fermento de humanidade nova e contribuição concreta para o bem comum”, enfatiza o assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Rodolfo Chagas Pinho.
O assessor ressalta que a missa é uma oportunidade de renovar a esperança. “Celebrar esses dez anos não é apenas olhar para o passado, mas abrir-se ao futuro com fé, pedindo ao Senhor que continue conduzindo a Igreja no cuidado, na formação e na missão das famílias, para que elas sejam cada vez mais sinal vivo do seu amor no mundo”, disse.
Dicas de preparação
Antes da Missa (acolhida e ambientação): Equipe de acolhida composta por famílias (casal + filhos + avós, quando possível), identificadas com um símbolo simples (fitinha, broche “10 anos AL”).
Mural/varal no átrio: “Sinais de amor em casa” (cada família escreve 1 palavra: “perdão”, “paciência”, “diálogo”, “recomeço”, “cuidado”, “hospitalidade”).
Oração dos Fiéis
- Pelas famílias em crise, para que encontrem acompanhamento e caminhos de reconciliação.
- Pelos noivos, para que tenham itinerários e não “só curso”.
- Pelas crianças e adolescentes, para que encontrem em casa fé, limites e afeto.
- Pelos viúvos, separados, migrantes, desempregados, cuidadores, para que a comunidade seja casa.
- Pela sociedade civil, para que proteja a família com políticas públicas (trabalho digno, moradia, saúde mental, proteção contra violências).
Gestos litúrgicos possíveis
- Renovação das promessas matrimoniais (após a homilia) com uma fórmula breve.
- Bênção das famílias: famílias em pé; sacerdote/diáconos passam pelo corredor com aspersão ou imposição de mãos “à distância”, sem alongar.
- Envio missionário no fim: cada família recebe um cartão com um “compromisso de 30 dias”
Depois da Missa
- Momento simples de confraternização: café partilhado + cadastro para “círculos de famílias” (pequenos grupos mensais com Hora da Palavra)
- Um ponto de “escuta pastoral” (agendamento com equipe de acompanhamento).
- Para as famílias celebrarem em casa: utilizar a celebração comemorativa que está no Hora da Palavra e colocar essas perguntas no ambiente: O que hoje está difícil na nossa casa? Qual pequeno passo de amor podemos dar nesta semana? Quem, fora de casa, precisa do nosso cuidado?
Para crianças
- “Árvore do Amor”: cada criança escreve numa folha de papel um gesto da semana (ajudar, obedecer, pedir perdão) e cola na árvore.
- “Caixinha do Perdão”: em casa, quando alguém se zanga, escreve “o que aconteceu” e “o que posso fazer diferente”; no fim da semana, oração e reconciliação.
- Teatro curto: Caná (Jo 2) ou Bom Samaritano aplicado à casa (“quem cuida de quem?”).
Como chegar à sociedade civil com o anúncio da Amoris Laetitia
- Mensagem pública em 3 frases: Família é o primeiro lugar de cuidado e pertencimento; Vínculos estáveis e amor responsável protegem crianças, idosos e vulneráveis; A comunidade e o poder público devem favorecer condições de vida familiar: trabalho, moradia, saúde, proteção contra violências.
Ações concretas
- Mesa-redonda com CRAS/Conselho Tutelar/educadores/saúde mental: “Como apoiar famílias hoje?”.
- Mutirão de serviços no pátio da paróquia: orientação jurídica, psicossocial, emprego, documentação. (Pastoral + rede pública).
- Campanha de prevenção: violência doméstica, alcoolismo, dependência digital, saúde mental parental.
- Parceria com escolas: encontro de pais sobre “comunicação e limites”, “afetividade e prevenção”.
- Carta pública (curta) aos órgãos municipais: pautas pró-família (creche, renda, apoio a cuidadores, proteção a mulheres e crianças).

