Família

Celebração do Matrimônio: conscientização e cuidado para evitar exageros

por Luiz Lopes, 21 de maio de 2022, 5 Comentários(s)

Músicas de novelas, decoração com tema de filmes, figurinos de personagens, animais entrando na Igreja. Há uma imensidão de elementos cheios de significados afetivos que as pessoas desejam incorporar na cerimônia de casamento. Mas, como a celebração do Matrimônio na Igreja Católica é um rito litúrgico, é preciso muito cuidado e serenidade para manter a dignidade da ocasião. Nem tudo é conveniente para o rito e a Pastoral Familiar pode ser um apoio fundamental para a conscientização de noivos, músicos e cerimonialistas.

O Papa Francisco ensina na exortação apostólica Amoris Laetitia que o Sacramento do Matrimônio “não é uma convenção social, um rito vazio ou um mero sinal externo de um compromisso. O Sacramento é um dom para a santificação dos esposos”.

Nesse contexto em que as pessoas desejam colocar elementos que não fazem parte da celebração litúrgica e o que a Igreja ensina, está uma questão concreta que é objeto do trabalho da Pastoral: a preparação dos noivos.

O Itinerário Vivencial de Acompanhamento Personalizado para o Sacramento do Matrimônio, proposto pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB para a preparação de noivos para o casamento católico, chama atenção para que não se deixe “que tudo transcorra à mercê do modismo, onde o Rito do Casamento não passa de encenação”. Nesse contexto, sugere-se conscientização e evangelização dos noivos quanto ao que eles vão assumir diante de Deus.

No início de seu pontificado, o Papa disse em entrevista que “quando os atos litúrgicos vão se convertendo em atos sociais, perdem a força”. O exemplo foi justamente o da celebração do casamento: “em alguns casos, nos perguntamos o que há de religioso nessa cerimônia, porque o ministro dá um sermão de valores, mas muita gente anda em outra sintonia. Casam-se porque querem a bênção de Deus, mas esse desejo parece tão escondido que não se faz visível”.

Novamente o Itinerário Vivencial utilizado pela Pastoral Familiar orienta que os noivos devem ser iniciados no rito matrimonial.

Nessa preparação, além de se enraizar a doutrina cristã sobre o Matrimônio e a família, com particular menção aos deveres morais, os noivos devem ser auxiliados a tomar parte consciente e ativa na celebração conjugal, apreendendo, além disso, o sentido dos sinais e dos textos litúrgicos”.

Itinerário Vivencial de Acompanhamento Personalizado para o Sacramento do Matrimônio

Além dos noivos, pode ser pertinente a orientação para os músicos e para as empresas de cerimonial, muitas vezes pouco preocupados com a dimensão religiosa da celebração. A orientação é oferecer uma formação com esses profissionais “para conscientizar o que é de fato o Sacramento do Matrimônio, e dos detalhes da celebração: quem pode ler, quais cantos são permitidos e apropriados, como devem se portar fotógrafos e filmadores, etc.”.

Aplicações práticas

Algumas experiências práticas são encontradas no Brasil, com o objetivo de promover bonitas e dignas celebrações do Matrimônio.

Na diocese de Joinville (SC), a Pastoral Familiar está envolvida, desde 2018, na promoção de formações para profissionais que atuam nas paróquias, prestando serviços nas celebrações do Matrimônio. Há um material de formação chamado “Digna celebração do Matrimônio” e os agentes da Pastoral Familiar atuam como acolhida nas paróquias, nas celebrações de matrimônios. Essa iniciativa tem ajudado a preservar o rito de algumas sugestões inadequadas, promovendo o respeito ao templo e à Liturgia.

O material será ampliado para outros sacramentos. Também para os músicos são sugeridas músicas adequadas à celebração litúrgica.

Em Porto Alegre (RS), também há um documento com orientações práticas sobre a celebração litúrgica do matrimônio cristão-católico. O texto indica a Pastoral Familiar como uma das responsáveis pelo cuidado para que a mesma “ocorra de modo digno e significativo”. Também chama atenção para o número e os atributos das testemunhas; para a impossibilidade de substituição do consentimento dos noivos; para o sentido e os momentos das músicas, entre outras orientações.

Já na diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ), a Pastoral Familiar está organizando um diretório sacramental e formando os agentes como cerimoniários para o rito.

Em outras dioceses e arquidioceses, também há documentos e páginas nos sites oficiais que oferecem as orientações práticas para a preparação e celebração do matrimônio, como na arquidiocese de Brasília,

Comentários

  1. Diácono Thiago de Sousa disse:

    Aqui na Diocese de Bacabal-MA, muitas das forânias já aderiram a preparação para contraí matrimônio no processo do IVC, utilizando o guia de preparação para vida matrimonial. Estamos sempre fazendo formação para o setor do pré -matrimonio…

  2. Maria Suely Farias de Oliveira disse:

    Excelente texto documental que deve ser seguido por todas as paróquias.

  3. Pedro Barbosa disse:

    Fico feliz que a igreja, em especial a pastoral famíliar está se empenhando em melhorar a celebração do casamento religioso, tornando – o realmente em Sacramento, que o é. Até então, acompanhamos celebrações sem o verdadeiro sentido. Com músicas, vestidos inadequados para espaço celebrativo, a igreja.

  4. Telma L M Fonseca disse:

    Importantíssimo essa orientação não só no matrimônio como tbm na liturgia geral missas principalmente. Precisamos de formação para todos atuantes e participantes na liturgia e sacramentos .

  5. Teresa Santos de Albuquerque disse:

    Muito bom este texto…o Sacramento do Matrimônio como qualquer outro precisa ser recebido com consciência e respeito.e mais ainda , desejado..quando isso acontece , principalmente no caso do Matrimônio, é quase impossível haver separação , como está acontecendo em massa, por falta de conscientização e entendimento de ambas partes….

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