Por padre Evandro Stefanello
Vigário Judicial do Tribunal Eclesiástico de Cuiabá e Assessor Eclesiástico da Pastoral Familiar do Regional Oeste 2
(Artigo elaborado durante a realização do Encontro Nacional de Bispos e de Assessores da Pastoral Familiar)
Vivemos um tempo em que muitos noivos dedicam meses, às vezes anos, ao planejamento da celebração do matrimônio, especialmente ou exclusivamente da festa. Escolhem cuidadosamente o local, a decoração, o buffet, as músicas, as fotografias e cada detalhe da recepção. Tudo isso tem sua importância, pois o dia do matrimônio é um marco inesquecível. Entretanto, é preciso fazer uma pergunta fundamental: estamos preparando apenas um evento ou estamos preparando uma vida inteira de comunhão?
Não é raro que os noivos deixem para procurar a paróquia apenas poucas semanas antes da celebração. Nessa situação, frequentemente consideram demorada a preparação matrimonial ou reclamam do tempo necessário para reunir e analisar a documentação canônica. Contudo, o matrimônio é um sacramento e não apenas um evento social. A preparação e os procedimentos da Igreja existem para garantir que os noivos assumam esse compromisso com liberdade, consciência, maturidade e responsabilidade. Assim como ninguém improvisa uma grande festa, muito menos se deve improvisar um sacramento destinado a durar toda a vida.
É justamente aqui que se encontra a grande diferença entre casamento e matrimônio. O casamento é um momento; o matrimônio é uma vocação. O casamento acontece em um único dia, cercado por celebrações, fotografias e convidados. O matrimônio, porém, é uma resposta ao chamado de Deus para que um homem e uma mulher caminhem juntos por toda a vida, crescendo no amor, na fidelidade e na santidade. A “cerimônia” termina quando os convidados voltam para casa; o matrimônio começa exatamente naquele momento.
Infelizmente, muitos casais chegam ao altar conhecendo perfeitamente o roteiro da celebração, mas pouco refletiram sobre o significado do consentimento que irão manifestar diante de Deus e da Igreja. Preparam-se intensamente para o sábado e para o domingo, mas quase nada para a segunda-feira, quando começa a verdadeira vida matrimonial. Dedicam tempo à organização da festa, mas negligenciam a preparação do coração, da fé, do diálogo e da vida a dois. Esquecem-se de que o “casamento” é celebrado em um dia, enquanto o matrimônio é vivido diariamente.
Por essa razão, a preparação matrimonial não pode ser vista como uma simples exigência burocrática da Igreja. Trata-se de um verdadeiro caminho de amadurecimento humano, espiritual, afetivo e comunitário. Nesse percurso, os noivos são convidados a aprofundar sua fé, compreender a sacramentalidade do matrimônio, fortalecer a comunicação, aprender a enfrentar os conflitos, cultivar o perdão e descobrir que o amor conjugal não se sustenta apenas pelos sentimentos, mas por uma decisão livre, consciente e renovada todos os dias.
Uma fé madura torna o casal mais preparado para enfrentar as inevitáveis dificuldades da vida conjugal. Quem constrói sua família apenas sobre a emoção da celebração corre o risco de ver esse entusiasmo desaparecer rapidamente diante das primeiras dificuldades. Ao contrário, quem edifica o matrimônio sobre Cristo encontra força para permanecer fiel mesmo nas tempestades. O sacramento não é apenas uma bênção para o dia do matrimônio, mas uma fonte permanente de graça para toda a vida matrimonial.
Nesse contexto, o itinerário de preparação para o matrimônio oferecido pela Pastoral Familiar revela toda a sua importância. Muito mais do que um conjunto de encontros ou uma exigência para a celebração do matrimônio, ele constitui um verdadeiro processo de iniciação e amadurecimento na fé. Durante esse caminho, os noivos aprofundam seu encontro com Cristo, compreendem a riqueza do sacramento, discernem com liberdade e responsabilidade a vocação que abraçam, fortalecem a vida espiritual, o diálogo, a abertura à vida e a consciência dos direitos e deveres próprios da aliança conjugal. Assim, a preparação matrimonial torna-se uma oportunidade privilegiada para construir a futura família sobre fundamentos sólidos, fazendo da fé não um elemento secundário da celebração, mas o alicerce permanente da vida conjugal.
Por isso, o maior investimento dos noivos não deveria ser apenas na beleza da cerimônia, mas na beleza da própria vocação matrimonial. Fotografias registrarão o dia da celebração; uma fé sólida, um coração bem preparado e um amor sustentado pela graça de Deus sustentarão décadas de vida em comum. A festa termina, as flores murcham, as luzes se apagam e os convidados voltam para casa. O “sim”, porém, permanece. É esse “sim”, vivido todos os dias, que transforma o matrimônio em um caminho de santificação e faz do amor dos esposos um testemunho vivo do amor de Cristo pela sua Igreja.


