Neste domingo (8), é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Neste ano, em que celebramos também os 10 anos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, se faz necessário recordar as palavras do Papa Francisco sobre a dignidade da mulher e contra violência. Somente em 2025, o Brasil registrou cerca de 1,5 mil casos de feminicídio no país, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública – o que representa quatro mortes por dia.
De acordo com o então Pontífice, apesar das melhorias notáveis registadas no reconhecimento dos direitos da mulher e na sua participação no espaço público, ainda há muito que avançar nalguns países.
“Não se acabou ainda de erradicar costumes inaceitáveis; destaco a violência vergonhosa que, às vezes, se exerce sobre as mulheres, os maus-tratos familiares e várias formas de escravidão, que não constituem um sinal de força masculina, mas uma covarde degradação. A violência verbal, física e sexual, perpetrada contra as mulheres nalguns casais, contradiz a própria natureza da união conjugal. […]”, disse.
Ele ainda reforça no parágrafo 54: “A idêntica dignidade entre o homem e a mulher impele a alegrar-nos com a superação de velhas formas de discriminação e o desenvolvimento dum estilo de reciprocidade dentro das famílias. Se aparecem formas de feminismo que não podemos considerar adequadas, de igual modo admiramos a obra do Espírito no reconhecimento mais claro da dignidade da mulher e dos seus direitos.”
Francisco também recorda os sofrimentos de muitas famílias em relação às drogas, alcoolismo e jogos de azar, que podem trazer a violência para o seio familiar, incluindo contra as mulheres. “Como apontaram os bispos do México, há tristes situações de violência familiar que são terreno fértil para novas formas de agressividade social, porque «as relações familiares explicam também a predisposição para uma personalidade violenta. As famílias que influem nesta direção são aquelas em que há uma comunicação deficiente; aquelas em que predominam as atitudes defensivas e os seus membros não se apoiam entre si; onde não há atividades familiares que favoreçam a participação; as famílias onde as relações entre os pais costumam ser conflituosas e violentas, e as relações pais-filhos se caracterizam por atitudes hostis. A violência no seio da família é escola de ressentimento e ódio nas relações humanas básicas” (AL 51), apontou.
A Amoris Laetitia (119) também propõe caminhos que devem ser seguidos no seio familiar para que a família cultive o amor e não a violência. “Na vida familiar, é preciso cultivar esta força do amor, que permite lutar contra o mal que a ameaça. O amor não se deixa dominar pelo ressentimento, o desprezo das pessoas, o desejo de se lamentar ou vingar de alguma coisa. O ideal cristão, nomeadamente na família, é amor que apesar de tudo não desiste”.
O texto (AL 204) também destaca o papel da Pastoral Familiar na formação dos leigos sobre o tema, desde a preparação para o matrimônio.
“As respostas às consultações exprimem, com insistência, também a necessidade de formar agentes leigos de pastoral familiar, com a ajuda de psicopedagogos, médicos de família, médicos de comunidade, assistentes sociais, advogados de menores e família, predispondo-os para receber as contribuições da psicologia, sociologia, sexologia e até aconselhamento. Os profissionais, particularmente aqueles que têm experiência de acompanhamento, ajudam a encarnar as propostas pastorais nas situações reais e nas preocupações concretas das famílias. «Os itinerários e cursos de formação destinados especificamente aos agentes pastorais poderão torná-los idóneos a inserir o próprio caminho de preparação para o matrimônio na dinâmica mais ampla da vida eclesial».[235] Uma boa preparação pastoral é importante, «sobretudo tendo em vista as particulares situações de emergência decorrentes dos casos de violência doméstica e abuso sexual».[236] Tudo isto em nada diminui, antes integra, o valor fundamental da direção espiritual, dos recursos espirituais inestimáveis da Igreja e da Reconciliação sacramental”.


