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Home Artigos

Carta Dirigida aos Homens

01/12/2025
em Artigos
Tempo de leitura: 6 mins leitura
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Carta Dirigida aos Homens

“Livrai o oprimido das mãos do opressor” (Jr 22,3)

Queridos irmãos, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

No dia 25 de novembro, a comunidade internacional se dedicou à reflexão sobre a eliminação da violência contra as mulheres. Movido pelo impulso desse dia e, também, por uma preocupação séria e inadiável – a violência contra as mulheres -, tomei a liberdade de chegar até vocês por meio desta carta. Em primeiro lugar, quero lembrá-los de que o tema não é apenas um drama social; é uma ferida moral, espiritual e humana, que marca famílias, destrói vidas, traumatiza crianças e humilha a dignidade dada por Deus a cada mulher. No rosto de cada mulher violentada, vemos o rosto Cristo Crucificado, da Igreja ferida.

Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026

Os números oficiais revelam que a gravidade do que enfrentamos é uma realidade que clama aos Céus. Em 2024, o Espírito Santo registrou 15.954 atendimentos por violência contra a mulher no canal Ligue 180 – um aumento de 44% em relação ao ano anterior (BRASIL, 2024). As denúncias formais chegaram a 2.670 registros (BRASIL, 2024).

Segundo o Observatório Mulher ES, somente em 2023, houve milhares de casos de violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial (INSTITUTO JONES DOS SANTOS NEVES, 2023).

Em 2024, 41% dos homicídios de mulheres no ES foram feminicídios (A GAZETA, 2024).

Em 2025, graças ao esforço conjunto do governo e da sociedade, vem se registrando uma pequena queda nos feminicídios, embora cada caso ainda seja uma tragédia que não deveria existir (ESPÍRITO SANTO, 2025).

Mas números não consolam. Porque, por trás de cada um, há uma mulher com nome, rosto, história — e, muitas vezes, filhos traumatizados pelo que viram ou sofreram. A violência, como nos alertou o Papa Francisco, é “uma chaga que desfigura a humanidade” (EVANGELII GAUDIUM, n. 217).

A masculinidade que o mundo ensina – baseada em poder, silêncio, agressividade, descuido e violência -, fere o Evangelho. Um estilo de masculinidade que gera medo não é cristão. Um homem que levanta a mão para ferir uma mulher, nega o batismo que recebeu.

O fazer-se cristão começa nas relações cotidianas: no respeito, nos gestos de cuidado, na renúncia ao machismo, na vigilância sobre as atitudes e palavras.

Como homens cristãos, precisamos nomear claramente o mal que desejamos combater. A violência contra a mulher inclui: violência física: agressões, empurrões, tapas, estrangulamentos, lesões; violência psicológica: humilhações, ameaças, controle, insultos, manipulação emocional; violência sexual: coerção, estupro, abuso, exposição forçada; violência moral: calúnias, difamações, controle público da vida da mulher; violência patrimonial: impedir a mulher de trabalhar, controlar dinheiro, destruir objetos, reter documentos.

Toda violência é incompatível com o Evangelho. A Sagrada Escritura nos recorda: “Maridos, amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja” (Ef 5,25); “Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos” (Mc 9,35); “Enviou-me para libertar os oprimidos” (Lc 4,18).

A violência contradiz diretamente o mandamento do amor. Como o Papa Francisco afirmou: “A violência contra as mulheres é uma covardia que degrada toda a humanidade.” (Audiência Geral, 2022). A Encíclica Amoris Laetitia denuncia a violência doméstica como “uma vergonha que precisa ser erradicada” (AL 54). São João Paulo II também recorda que a mulher possui “uma dignidade inalienável que deve ser respeitada em qualquer circunstância” (MULIERIS DIGNITATEM, 10).

Como pastor diocesano, também como homem, venho lhes fazer um apelo: Em nome de Jesus Cristo, convertamos as nossas atitudes, palavras e comportamentos. A masculinidade de acordo com os princípios cristãos não domina, não humilha, não controla, não grita, não ameaça, não impõe medo.

Ser homem, à luz do Evangelho, é ser cuidador, guardião, servidor, construtor de paz. Por isso, peço-lhes que examinem o coração. A raiz da violência muitas vezes está na dificuldade de lidar com frustrações, na herança de padrões violentos aprendidos na infância, no alcoolismo e no uso de drogas, na falta de diálogo, na incapacidade de expressar emoções. A conversão passa por reconhecer limites e buscar ajuda quando necessário.

Peço-lhes, ainda, com firmeza e fraternidade: caso vejam sinais de violência em um amigo, colega, vizinho ou parente, não se omitam. O amor ao Evangelho não nos permite neutralidade. Jesus tomou partido pela vida, sempre. Sigamos os seus passos. Aconselhem-no. Ofereçam ajuda. Mostrem a ele que existe outro caminho. Um homem ajudando outro homem a mudar pode salvar uma família inteira. Um homem cristão, por amor a Cristo, precisa falar com outro homem e dizer: “Isso não é certo.” “Procure ajuda.” “Pare antes que destrua sua família.” Uma conversa pode salvar vidas.

Convoco os homens – jovem, adulto, pai de família, trabalhador – participantes das nossas Comunidades Eclesiais de Base, dos Círculos Bíblicos, das pastorais, movimentos, grupos de oração, do terço dos homens- a falar sobre o assunto. Assumam essa missão como parte da própria fé vivida no dia a dia. Sejamos todos promotores da vida, e não cúmplices da violência. Uma comunidade que fala sobre o problema é uma comunidade que cura. O silêncio é cúmplice da violência; a palavra liberta. Para que isso aconteça, não é necessário formalidade, é preciso coragem.

Assim, sugiro que aprendamos a promover rodas de conversa sobre masculinidade saudável e discipulado; cuidado emocional; prevenção à violência; caminhos de superação do machismo; educação dos filhos no respeito; fé e cuidado com a vida. É sinal de maturidade cristã que um homem seja capaz de refletir e dialogar.

Cristo nos chama para agir, a tomar atitudes e práticas para proteger vidas. Se vocês presenciam ou suspeitam de violência, procedam assim:

1. Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher.

2. Ligue 190 – Emergência policial.

3. Procure a Delegacia Especializada da Mulher (DEAM).

4. Encaminhe a vítima para atendimento médico e psicológico.

5. Ajude a garantir que a mulher não fique sozinha.

6. Acolha sem julgar, sem pressionar e sem expor.

No território que compreende a Igreja particular de Cachoeiro de Itapemirim, proponho que assumamos em nossas comunidades: criar Grupos comunitários e paroquiais de enfrentamento à Violência; produzir materiais formativos para homens; implementar, em toda a Diocese, o Mês da Proteção da Mulher; oferecer formação para agentes de pastoral acolherem vítimas; promover encontros anuais sobre masculinidade cristã; integrar paróquias à rede municipal e estadual de proteção; fortalecer a Pastoral Familiar, a Pastoral da Escuta e a Pastoral da Mulher.

Precisamos, como cristãos, como homens de Deus, ouvir o clamor das mulheres, rezar por suas dores, suas histórias, suas resistências e sua esperança. Pedimos perdão pelo silêncio histórico que tantas vezes tolerou a violência. Não podemos esquecer que crianças expostas à violência doméstica, são vítimas invisíveis. Elas carregam traumas por toda a vida. Proteger a mulher é proteger os filhos.

Por fim, que São José, homem justo, ensine-nos a amar sem dominar, proteger sem controlar, servir sem esperar retorno. Que o Espírito Santo converta os corações endurecidos. E que o Deus da vida nos envie como defensores da dignidade de cada mulher.  Recebam minha bênção e meu cuidado pastoral.

 

Dom Luiz Fernando Lisboa, CP
Diocese de Cachoeiro de Itapemirim (ES)

Tags: VidaViolência contra a mulher
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  • Olá, estimadas famílias. Estamos aqui no Vaticano, na sala Paulo VI, para o nosso quinto dia de reflexões sobre os 10 anos da Amoris Laetitia. E hoje tratando especificamente dos do tema nas dificuldades da vida, acompanhamento e apoio necessário às nossas famílias.Para o início desta reflexão, foram introduzidos a os o tema com algumas colocações que vocês encontram também no site apontado onde estão todos esses subsídios que estamos aqui trabalhando. E tudo isso nos fez mergulhar ainda mais profundamente no capítulo oitavo de Amoris Laetitia, como em toda ela que permeia esse cuidado, esse apoio e esse acompanhamento.Mas hoje precisamente falando das dificuldades que passamos enquanto famílias, se suscita a necessidade de passarmos da assistência para o acompanhamento. A importância de formarmos redes de apoio tanto comunitária quanto profissional e pastoral. Não podemos estar sozinhos, precisamos de apoio de toda essa conjuntura.Ajuda mútua, sem julgamentos, fraternal, menos formal, precisamos de processos de discernimento.Nesses 10 anos, Amoris Laetitia nos leva a mostrar o rosto materno da Igreja. Materno como da mãe Aparecida, que ama e abençoa o Brasil. Por isso nós daqui pedimos também a bênção dela sobre todo o nosso povo brasileiro.Um fraterno abraço a todos.
  • Que Nossa Senhora Aparecida interceda por cada lar, fortaleça os casais, proteja as crianças, acompanhe os jovens e cubra com seu manto os idosos e todos aqueles que precisam de cuidado.Que Maria nos ensine a viver uma fé que se transforma em presença, cuidado e amor dentro de nossas famílias.Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!
  • Deus continua nos convidando. Como nossa família tem respondido?O Evangelho deste domingo nos apresenta um convite para participar da alegria do Reino. E, muitas vezes, Deus também nos chama por meio das pequenas oportunidades do cotidiano: na oração em família, na Santa Missa, no serviço, no perdão e na reconciliação.Que nesta semana nossa família tenha um coração disponível para dizer “sim” aos convites de Deus.
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