A taxa de mortalidade infantil manteve-se em 12,6 óbitos por mil nascidos vivos em 2024, repetindo o patamar registrado em 2022 e 2023. Considerando a média da última década, o índice não apresenta redução. A mortalidade na infância, que inclui crianças de até 5 anos, foi de 14,9 por mil em 2024, também caracterizando estagnação. Os dados fazem parte do Cenário da Infância e Adolescência no Brasil 2026, da fundação Abrinq.
O material consolida as informações recentes e séries históricas que permitem acompanhar tendências ao longo da última década.
Baixo peso
O estudo mostra aumento no percentual de bebês com baixo peso ao nascer. Em 2024, 9,5% dos nascidos vivos tinham menos de 2,5 quilos, maior valor da série histórica e terceiro ano consecutivo em patamar elevado. Em 2015, essa proporção era de 8,4%.
Na nutrição infantil, 3,6% das crianças de até 5 anos estavam com baixo peso para a idade em 2024. O déficit de altura baixa ou muito baixa atingia 11,7% nessa faixa etária. Em 2019, o percentual era de 13,4%. Embora tenha redução em relação a esse ano, mais de uma em cada dez crianças apresenta comprometimento no crescimento.
O excesso de peso também integra o cenário. Entre crianças de até 5 anos, 5,8% estavam acima do peso recomendado em 2024, cerca de 451 mil crianças. Em 2015, o índice era de 8,0%. Já entre crianças de 5 a 10 anos, a obesidade atingiu 9,0% em 2024. O percentual chegou a 10,4% em 2021 e, apesar da queda recente, permanece acima dos níveis observados no início da série histórica. Em números absolutos, mais de 588 mil crianças dessa faixa etária estavam em situação de obesidade.
Gravidez na adolescência em queda
A proporção de nascidos vivos de mães com até 19 anos foi de 11,4% em 2024. Em 2019, o percentual era de 14,7%. A redução ocorre em todas as regiões, ainda que em ritmos distintos.
No Norte, o índice passou de 22,1% para 18,5% no período. No Nordeste, de 17,8% para 13,7%. Sudeste e Sul registraram, em 2024, 8,8% e 8,3%, respectivamente.
Em números absolutos, o Brasil registrou 273.213 nascidos vivos de mães com até 19 anos em 2024. Desse total, 261.206 eram de adolescentes de 15 a 19 anos e 12.004 de meninas de 10 a 14 anos. Houve ainda três registros de nascimentos de mães com menos de 10 anos.
Pobreza
Em 2024, 24,5% da população brasileira vivia em situação de pobreza, o equivalente a 53,1 milhões de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo, cerca de R$ 706 por mês. Pouco mais de 8% estavam em extrema pobreza, com renda de até um quarto do salário mínimo, aproximadamente R$ 353,50 mensais.
Entre crianças, os percentuais são mais elevados. Segundo a publicação, 40,9% das crianças com até 6 anos e 40,8% das crianças com até 12 anos viviam em situação de pobreza. A extrema pobreza atingia 14,4% das crianças na primeira infância e 14,7% daquelas com até 12 anos.


