A Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) celebrou, nesta quinta-feira (19), no Santuário Nacional de Aparecida (SP), os 10 anos da publicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, sobre a Alegria do Amor, do Papa Francisco. A Missa em ação de graças na solenidade de São José foi presidida pelo bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão, dom Bruno Elizeu Versari, e concelebrada pelo assessor padre Rodolfo Chagas Pinho. Na ocasião, o bispo destacou o caráter pastoral do texto.
“A família é chamada a compartilhar a oração diária, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão eucarística, para fazer crescer o amor e tornar-se cada vez mais um templo onde habita o Espírito Santo. É na família que se aprende os primeiros passos da fé, onde se aprende os valores cristãos a partir do exemplo dos pais. Por isso, a família é o lugar onde os pais se tornam os primeiros mestres da fé para os filhos”, disse dom Bruno. “O texto insiste na necessidade de a Igreja acompanhar as famílias em suas diversas situações concretas, inclusive aquelas marcadas por fragilidades, separações ou novas uniões. O princípio do discernimento pastoral aparece como caminho para integrar e cuidar das pessoas, evitando julgamentos simplistas e promovendo uma atitude de misericórdia”, comentou.
De acordo com dom Bruno, a exortação propõe uma abordagem profundamente realista da vida familiar. “Em vez de apresentar apenas um ideal abstrato de família, o texto reconhece as alegrias, desafios, fragilidades e esperanças presentes na vida cotidiana dos lares”, destacou.
“Um dos pontos centrais de Amoris Laetitia é a valorização da família como lugar privilegiado de crescimento humano e espiritual. O amor conjugal é apresentado não apenas como um sentimento, mas como um compromisso que se constrói ao longo do tempo, marcado por paciência, perdão, diálogo e fidelidade. Inspirando-se no célebre hino à caridade da Primeira Carta aos Coríntios (1Cor 13), o documento descreve o amor familiar como um processo de amadurecimento constante”, continuou.
O prelado ressaltou que ao longo da última década, a Amoris Laetitia influenciou significativamente a Pastoral Familiar em diversas dioceses do mundo, especialmente as do Brasil. Ele recordou o “Itinerário Vivencial de acompanhamento personalizado para o Sacramento do Matrimônio” e o “Itinerário para Casais em Nova União” como frutos da Exortação. “Dez anos depois de sua publicação, o documento continua a provocar reflexão teológica e pastoral. Mais do que oferecer respostas definitivas para todos os desafios da família contemporânea, Amoris Laetitia convida a Igreja a caminhar com as famílias, escutando suas realidades e anunciando a beleza do amor vivido no matrimônio”, disse.
Leia a Homilia de Dom Bruno na íntegra
No Evangelho de Mateus, o tema da justiça é central. Portanto, Jesus deveria nascer dentro de um ambiente de um homem justo. Cumprir a justiça é diferente de cumprir a Lei, que era o código normativo em Israel. José é um homem justo, sua justiça vai além da Lei, defende a vida e coloca a humanidade diante do juízo de Deus.
Em Mateus o anjo aparece em sonho e José agindo como pai dá o nome ao menino e será o nome que Deus indicar. Desse modo José reconhece como seu filho adotivo e o fará entrar na descendência de Davi.
José demonstra sua docilidade à Palavra de Deus e aceita Maria com esposa, selando assim o casamento em definitivo. José demonstra que é justo e se insere na longa lista dos justos do Antigo Testamento, não só acolhendo Maria com esposa, mas também acolhendo Jesus como o Messias que vem de modo bem diverso de como normalmente se esperava.
O exemplo de José, que era justo, motiva-nos a sermos justos, mesmo vivendo em meio a um mundo de injustiças e violências. O justo é aquele que escuta e que faz a vontade de Deus.
Dez anos da Exortação Apostólica Amoris Laetitia
Em 19 de março de 2016 foi publicada a exortação apostólica Amoris Laetitia (“A Alegria do Amor”), fruto do caminho sinodal realizado pela Igreja Católica nos Sínodos sobre a Família de 2014 e 2015. Dez anos depois, o documento permanece como uma das reflexões mais amplas e pastorais sobre o matrimônio e a vida familiar na Igreja contemporânea.
A exortação propõe uma abordagem profundamente realista da vida familiar. Em vez de apresentar apenas um ideal abstrato de família, o texto reconhece as alegrias, desafios, fragilidades e esperanças presentes na vida cotidiana dos lares. Ao longo de seus nove capítulos, o documento percorre temas como o amor conjugal, a educação dos filhos, as crises matrimoniais, o acompanhamento pastoral e o discernimento nas situações complexas.
Um dos pontos centrais de Amoris Laetitia é a valorização da família como lugar privilegiado de crescimento humano e espiritual. O amor conjugal é apresentado não apenas como um sentimento, mas como um compromisso que se constrói ao longo do tempo, marcado por paciência, perdão, diálogo e fidelidade. Inspirando-se no célebre hino à caridade da Primeira Carta aos Coríntios (1Cor 13), o documento descreve o amor familiar como um processo de amadurecimento constante.
A família é chamada a compartilhar a oração diária, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão eucarística, para fazer crescer o amor e tornar-se cada vez mais um templo onde habita o Espírito Santo. É na família que se aprende os primeiros passos da fé, onde se aprende os valores cristãos a partir do exemplo dos pais. Por isso, a família é o lugar onde os pais se tornam os primeiros mestres da fé para os filhos.
Outro aspecto importante da exortação é o seu forte caráter pastoral. O texto insiste na necessidade de a Igreja acompanhar as famílias em suas diversas situações concretas, inclusive aquelas marcadas por fragilidades, separações ou novas uniões. O princípio do discernimento pastoral aparece como caminho para integrar e cuidar das pessoas, evitando julgamentos simplistas e promovendo uma atitude de misericórdia.
Ao longo da última década, Amoris Laetitia influenciou significativamente a pastoral familiar em diversas dioceses do mundo. Muitos programas de preparação para o matrimônio foram renovados, hoje falamos em “Itinerário Vivencial de acompanhamento personalizado para o Sacramento do Matrimônio” e cresceu a atenção ao acompanhamento dos casais nos primeiros anos de vida conjugal, bem como às famílias que atravessam crises e aos que vivem em nova união oferecemos um “Itinerário para casais e nova união” para que se sintam acolhidos e possam se integrar na vida da Igreja.
Dez anos depois de sua publicação, o documento continua a provocar reflexão teológica e pastoral. Mais do que oferecer respostas definitivas para todos os desafios da família contemporânea, Amoris Laetitia convida a Igreja a caminhar com as famílias, escutando suas realidades e anunciando a beleza do amor vivido no matrimônio.
O caminho da Igreja, desde o Concílio de Jerusalém (50) em diante, é sempre o de Jesus: O caminho da misericórdia e da integração… O caminho da Igreja é o de não condenar eternamente ninguém … Derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas que a pedem com coração sincero… Porque a caridade verdadeira é sempre imerecida, incondicional e gratuita.
Assim, o décimo aniversário da exortação não é apenas ocasião de memória, mas também de renovação. O texto recorda que a família permanece sendo um espaço fundamental para a transmissão da fé, para a formação humana e para a construção de uma sociedade mais solidária. Celebrar esses dez anos significa redescobrir a alegria do amor que se vive nas famílias e renovar o compromisso de apoiá-las em sua missão.
Para concluir. No número 11 desta Exortação Apostólica encontramos esse texto: “O casal que ama e gera a vida é a verdadeira “escultura” viva capaz de manifestar Deus criador e salvador. Por isso, o amor fecundo chega a ser o símbolo das realidades íntimas de Deus… e a família é o seu reflexo vivente.
Quero em nome da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB agradecer aos Bispos, padres, diáconos, religiosos e religiosas leigos e leigas, agentes da Pastoral Familiar e dos movimentos que atuam junto às famílias pelo esforço em fazer chegar uma palavra segura do ensinamento da Igreja sobre a “Alegria do amor na família”. Deus recompense cada um e por intercessão da Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José Deus abençoe todas as famílias do Brasil. Amém!


