No último sábado (7), a Arquidiocese de Fortaleza, que integra o Regional Nordeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), promoveu uma formação para os agentes paroquiais da Pastoral Familiar, setores, movimentos e serviços pró- família. O Encontro reuniu cerca de 180 participantes com o objetivo de refletir sobre a atuação da Pastoral Familiar na Campanha da Fraternidade 2026, que traz como lema: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
Após o momento inicial de oração, o diácono Cláudio, da Paróquia Santa Luzia, conduziu a formação, aprofundando o significado da palavra “moradia”. Mais do que uma estrutura física, a moradia foi apresentada como um direito fundamental garantido pela Constituição Federal, essencial para uma vida digna, segura e saudável. Morar com dignidade implica acesso a água, saneamento, coleta de lixo, transporte, saúde, educação e trabalho – condições básicas para a estabilidade social e psicológica das famílias.
Durante a exposição, foram recordadas as Campanhas da Fraternidade de 1986 e 1993, que abordaram respectivamente a terra e a moradia. Apesar de, aparentemente, enfoques distintos, ambas denunciaram a exclusão social e defenderam a dignidade da pessoa humana – temas que permanecem atuais.
Foi ressaltado que, embora moradia seja um direito social no Brasil, a realidade da precariedade habitacional, ainda atinge milhões de pessoas, muitas vezes sendo injustamente atribuída aos próprios pobres.
O diácono também apresentou uma análise da realidade urbana brasileira, destacando como o modelo neoliberal acentuou desigualdades, transformou a moradia em mercadoria e fortaleceu a especulação imobiliária. Dados sobre o déficit habitacional, o crescimento das favelas, o aumento da população em situação de rua e a existência de milhões de imóveis vazios evidenciam a urgência de políticas públicas que funcionem.
Iluminada pela fé cristã, a reflexão recordou que a moradia é um direito sagrado, presente na sagrada escritura e na Tradição da Igreja. Na Bíblia a terra e a casa são dons de Deus. O próprio Jesus Cristo, que “veio morar entre nós”, viveu sem moradia e se identificou com os pobres e excluídos. Também foram destacados os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja e do Papa Francisco, especialmente sobre os pilares da terra, teto e trabalho.
Na parte final, os participantes foram chamados ao agir, entendido como exigência da fé cristã. Foram apresentadas propostas concretas nos âmbitos pessoal, comunitário, eclesial e sociopolítico, como a defesa da função social da propriedade, o apoio a políticas públicas de habitação, o incentivo aos movimentos populares por moradia e o fortalecimento da presença pastoral nas periferias.

