Durante a Santa Missa do 8º Simpósio Diocesano das Famílias, realizado no dia 8 de agosto, no Instituto Sagrada Família, em Santo André (SP), o bispo da Diocese de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini, convidou as famílias a cultivarem uma fé amadurecida e a redescobrirem sua identidade e missão a partir do projeto de Deus.
Promovido pelo Setor Vida e Família local, o Simpósio teve como tema “Família, torna-te aquilo que tu és!” e reuniu famílias para um dia de oração, formação e convivência, preparando também a vivência da Semana Nacional da Família.
Na homilia, Dom Pedro partiu da Palavra de Deus e da afirmação de que “o justo viverá pela fé” para recordar que é justamente a fé que sustenta a família diante das dificuldades e dos desafios encontrados no cotidiano. “A Santa Missa nos reúne, mas muito mais nos une no ideal de seguir Jesus, ouvir e testemunhar a sua Palavra através da fé”, afirmou.
Família: identidade e missão
Ao desenvolver o tema do Simpósio, Dom Pedro retomou os ensinamentos de São João Paulo II na exortação apostólica Familiaris Consortio. Segundo o bispo, a família não descobre apenas quem ela é, mas também aquilo que é chamada a realizar. “No plano de Deus Criador e Redentor, a família descobre não só a sua identidade, o que é, mas também a sua missão, o que ela pode e deve fazer”, explicou.
Dom Pedro apresentou quatro tarefas fundamentais da família cristã: a formação de uma comunidade de pessoas, o serviço à vida, a participação no desenvolvimento da sociedade e a participação na vida e na missão da Igreja. “A família não é fechada sobre si mesma, mas deve ajudar a promover um mundo melhor. E, quarto, a participação na vida e na missão da Igreja. A família é convocada a ser também missionária, levar Jesus ao mundo”, afirmou.
Para o bispo, compreender essas dimensões ajuda a família a reconhecer sua dignidade e sua responsabilidade dentro da Igreja e também na sociedade.
Uma fé adulta para os desafios de hoje
A fé ocupou lugar central na reflexão. Dom Pedro reconheceu que viver a proposta cristã para o matrimônio e para a família nem sempre é fácil, especialmente diante de valores e comportamentos que caminham em outra direção. “É preciso uma fé autêntica para fazer o milagre de viver uma família conforme o projeto de Deus”, afirmou.
O bispo falou também das dúvidas que podem surgir no coração de quem procura permanecer fiel ao Evangelho. “Muitas vezes a própria família também não consegue achar que vai dar certo. O que estamos fazendo? Será que é o certo? Do jeito que nós estamos vivendo? É tão difícil, é tão sacrificado”, observou.
Diante dessas inquietações, Dom Pedro recordou que a resposta cristã passa pela confiança em Deus. “Quem tem fé fala: não, o justo viverá pela fé.”
Segundo ele, essa fé precisa crescer e amadurecer. Assim como os discípulos apresentados no Evangelho ainda demonstravam fragilidade diante do mal, também o cristão é chamado a pedir a Deus uma fé mais firme, capaz de sustentar suas escolhas. “Eu creio, Senhor, mas aumenta a minha fé”, recordou, apresentando a oração como expressão de humildade e confiança.
Acreditar em Jesus e acolher seus ensinamentos
Dom Pedro também alertou para o risco de professar a fé em Jesus sem permitir que seus ensinamentos orientem concretamente as escolhas. “Às vezes a pessoa quer acreditar em Jesus. Eu acredito em Jesus, acredito em Jesus. Jesus começa a falar para você o que você deve fazer, aí você já não acredita mais”, provocou.
E acrescentou: “Ter fé em Jesus é a aceitação da sua pessoa, mas também do seu ensinamento. Não pode ser dividido.”
Dirigindo-se especialmente aos casais, o bispo afirmou que o esforço para viver o matrimônio segundo o Evangelho já é, por si só, um testemunho. “Os casais cristãos, como vocês, que estão se esforçando para viver o projeto de Deus a respeito do matrimônio, estão cumprindo a Palavra do Senhor. Então isto é um testemunho de fé, mas precisa fazer isso com decisão, com determinação.”
Recuperar o coração e a vida interior
Outro ponto da homilia foi a necessidade de recuperar a vida interior em uma sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de preocupações e pela presença constante das telas. “O corre-corre, a pressa, as preocupações, o consumismo, a tecnologia, o celular nos tiram do nosso centro. Não conseguimos rezar, não conseguimos fazer silêncio, nos concentrar para achar o rumo”, alertou.
Dom Pedro relacionou essa dificuldade de voltar ao próprio interior com os problemas encontrados também nos relacionamentos. “Quando não falamos ao coração nem deixamos o coração falar, perdemos a capacidade de relacionamento, de encontrar-se com o outro, que é Deus, o grande Outro, e com os outros.”
Por isso, incentivou os casais a criarem espaços concretos para a oração, o silêncio e a revisão da própria caminhada. “Sugiro que o casal projete assim: o marido fale para a mulher, vamos fazer um retiro espiritual. Nós dois vamos num lugar tranquilo para refletirmos, rezar e refletir. Passar um dia fazendo uma revisão da nossa caminhada segundo a Palavra de Deus.”
Para o bispo, momentos assim ajudam o casal a reencontrar o essencial. “Isto faz emergir o coração, o amor diante de Deus, e isso fortalece a caminhada na fé.”
“Família é projeto de Deus”
Na parte final da homilia, Dom Pedro deixou uma palavra de incentivo às famílias para que não se deixem vencer pelo desânimo ou pela sensação de que a proposta cristã para a vida familiar perdeu espaço. “Vocês não precisam ficar duvidando. A família vai acabar porque os meios de comunicação, a nossa cultura, é inimiga da família. Vocês não pensem que eles vão vencer. Não. A família é projeto de Deus.”
A mensagem deixada pelo bispo apontou, assim, para uma família que não vive sem dificuldades, mas que encontra na fé, na oração, na Palavra de Deus e na perseverança os caminhos para continuar respondendo à própria vocação.

