Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)
No mês vocacional de agosto dedicamos a segunda semana para reavivar a alegria de ser e de viver numa família, dom e chamado de Deus.
Neste ano o tema inspirado na Encíclica Pós Sinodal Familiaris Consortio foi: “Família seja o que você é!”. Sem dúvida aponta para o valor trascendente e sublime da família, a primeira instituição criada e desejada por Deus. Tem se afirmado repetidas vezes que ela configura o partimônio espiritual mais valioso da humanidade, constituindo a célula mater da sociedade e a escola do mais precioso humanismo solidário.
De veras como afirmava o estadista Rui Barbosa, o que é a Pátria senão a família amplificada. Nela se aprendem todas as virtudes sociais : justiça, solidariedade, compaixão, misericórdia, sacrifício e doação. As relações e os vínculos fundamentais e permanentes de um ser humano tem como berço a família, nupcialidade e esponsalidade, paternidade e maternidade, filiação e fraternidade.
Mas ela constitui-se como testemunhava Mahatma Ghandi em “asram”, santuário da vida e da paz pois em seu seio assumimos e damos os primeiros passos no diálogo, comunicação e comunhão com Deus e os irmãos.
A paz começa e inicia em casa, vivenciando o perdão e a reconciliação, semeando paciência, acolhimento e hospitalidade para com todos(as). Ainda como afirmava o Papa Francisco na Amoris Laetitia nº 24 : “A família vive sua missão no anuncio explícito do Evangelho, como também nos diferentes âmbitos da vida, não sendo o menos importante o cuidado com a Criação.
Nesse sentido é o sujeito protagonista de uma ecologia integral, porque é o sujeito social primário que contem no seu seio os dois pirncipios básicos da civilização humana sobre a Terra: o princípi
o de comunhão e o princípio de fecundidade, (AL 25). Por tudo isso podemos concluir que a família é caminho necessário e crucial para a sociedade e a Igreja, acreditar nela significa gerar futuro e esperança para o mundo. Diante do cenário eleitoral deste ano, somos convidados a renovar e discernir nossas convicções sobre a missão da família, num projeto de nação justa, fraterna e inclusiva
. É importante neste momento não aderir facilmente a um discurso de famílismo superficial e demagógico mas defender a Carta dos Direitos da família redigida e apresentada pela Santa Sé em 22 de outubro de 1983, e impulsioná-la a tornar-se sujeito e protagonista de políticas públicas que a respeitem, protejam e valorizem como o maior recurso e fim de um verdadeiro e integral desenvolvimento humano e cristão. Deus seja louvado!

