No último sábado (11), a Pastoral Familiar da Arquidiocese de Fortaleza, integrante do Regional Nordeste 1-da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), promoveu uma importante formação com o tema “O escândalo do feminicídio como desafio da fé “, a partir do artigo assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB, padre Rodolfo Chagas Pinho.
O encontro reuniu cerca de 130 agentes pastorais comprometidos, com a missão de refletir e agir diante de uma das mais dolorosas realidades da sociedade atual. A Formação foi conduzida por Fábio e Márcia, (casal formador integrantes da comissão da Pastoral Familiar da Arquidiocese de Fortaleza), que iniciaram o momento com a oração de São Francisco pela Paz, convidando todos a se colocarem como instrumentos de amor, reconciliação e cuidado com a vida.
A partir dessa espiritualidade, os participantes foram provocados a refletir: quem são os discípulos e apóstolos hoje? A resposta ecoou com força – somos todos nós, chamados a viver e anunciar o evangelho em meio às realidades mais desafiadoras. O feminicídio, tema central do encontro, foi apresentado não apenas como um problema social, mas como uma ferida profunda que interpela a fé cristã. A violência contra a mulher foi reconhecida como uma grave violação da dignidade humana e uma profanação da vida, exigindo uma resposta concreta da igreja e da sociedade.
Durante a formação foi recordada uma mensagem do Papa Francisco, que denuncia a violência contra a mulher como um ato de covardia e um atentado contra a própria obra de Deus. Diante de números alarmantes e histórias marcadas por dor, ficou evidente que não é possível permanecer indiferente. O sofrimento de tantas mulheres e famílias clama por escuta, acolhimento e ação.
Outro ponto forte da reflexão foi o reconhecimento de que, de alguma forma, toda a sociedade é chamada à responsabilidade. O silêncio, a omissão e até pequenas atitudes do cotidiano podem contribuir para a perpetuação da violência. Por isso, a mudança começa também na conversão pessoal e comunitária.
A Pastoral Familiar foi destacada como um espaço privilegiado de evangelização e cuidado, sendo chamada a atuar de forma ainda mais concreta. A missão vai além de acompanhar famílias: é preciso prevenir a violência, promover relações saudáveis e formar consciências à luz do Evangelho.
A formação também abordou as raízes culturais da violência como a mentalidade de dominação e a falta de formação humana e espiritual. Em um mundo marcado por múltiplas influências – inclusive das redes sociais, torna-se urgente fortalecer os vínculos familiares, promover o diálogo e oferecer referências saudáveis para crianças e jovens.
Neste sentido, a educação aparece como como caminho fundamental para a transformação. Construir uma cultura de paz exige esforço contínuo, compromisso e união entre pastorais, movimentos e serviços de toda a comunidade. Pequenas ações, como o diálogo em família, a escuta atenta e a vivência da fé no cotidiano, fazem grande diferença.
A formação reforçou ainda a importância de preparar melhor casais e jovens para a vida em família, abordando temas como afetividade, respeito, dignidade e responsabilidade. Também foi destacada a necessidade de conhecer e divulgar instrumentos de proteção, como a Lei Maria da Penha, e de incentivar iniciativas que promovam a defesa da vida.
Diante de uma realidade tão desafiadora, a mensagem final foi de esperança e compromisso. O feminicídio é uma ferida aberta, mas a fé cristã aponta caminhos de cura e transformação. Cristo é apresentado como aquele que cura as feridas mais profundas, e cada agente pastoral é chamado a ser instrumento dessa cura no mundo.
Mais do que um momento formativo, o encontro foi um chamado à ação. Um convite para que cada comunidade se torne espaço de acolhimento, proteção e promoção da vida, onde o amor, a dignidade e a paz sejam sempre colocadas em primeiro lugar.
Texto: Cléa Costa - Agente de Comunicação do Regional Nordeste 1
















