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Home Noticias Igreja

Leão XIV: zelar pela escuta e pelo bem da comunhão

O Papa se reuniu, nesta quinta-feira (21), com associações de fiéis, movimentos eclesiais e novas comunidades

21/05/2026
em Igreja, No Mundo
Tempo de leitura: 4 mins leitura
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Leão XIV: zelar pela escuta e pelo bem da comunhão

(Foto: Vatican Media)

O Papa Leão XIV  se reuniu, nesta quinta-feira, com integrantes das associações de fiéis, movimentos eclesiais e novas comunidades, na Sala Nova do Sínodo. O Encontro Anual – que se termina nesta sexta-feira (22) – é promovido pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e tem como tema: “Servir, acompanhar, guiar. Fundamentos e práticas do governo nas associações”.

O Pontífice destacou que de um lado, o apelo a «cuidar e valorizar a memória de um patrimônio vivo»; do outro, o papel «profético», atento às urgências pastorais para «responder aos novos desafios e às sensibilidades culturais, sociais e espirituais do nosso tempo».

 

Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026

Porto seguro

Se em toda entidade social se sente a necessidade de ter “pessoas e estruturas adequadas que se ocupem de orientar e coordenar a vida comum”, na Igreja o governo “não nasce da simples exigência de coordenar as necessidades religiosas dos seus membros”, afirma o Papa, ressaltando a natureza sacramental de uma instituição que não tem apenas uma dimensão exterior.

“Na sua raiz, o termo ‘governar’ remete à ação de ‘segurar o leme’, de ‘navegar um navio’. Trata-se, portanto, de dar uma direção segura, de modo que a comunidade seja um lugar de crescimento para as pessoas que dela fazem parte.”

Não um simples governo

À luz dessas características peculiares, na Igreja o governo “nunca é apenas técnico”, mas, pelo contrário, esclarece ele, “tem em si mesmo uma orientação salvífica, ou seja, deve tender para o bem espiritual dos fiéis”. Quanto às associações de fiéis e aos movimentos eclesiais, seu governo – “geralmente confiado a leigos” e expressão do munus de Cristo recebido no Batismo – “coloca-se a serviço dos outros fiéis e da vida associativa”, prossegue o Papa, e é fruto de eleições livres, “expressão de um discernimento comum”.

Por um governo útil, livre e ordenado

Três, portanto, são as consequências do governo entendido como “dom particular do Espírito”: deve ser para a utilidade de todos, ou seja, finalizado ao bem “da comunidade, da associação, de toda a Igreja” e não explorado “para interesses pessoais ou formas mundanas de prestígio e de poder”; não pode “jamais ser imposto de cima”, mas um “dom reconhecível na comunidade e livremente acolhido”; deve estar sujeito “ao discernimento dos Pastores, que velam pela autenticidade e pelo uso ordenado dos carismas”.

A escuta recíproca, a corresponsabilidade, a transparência, a proximidade fraterna, o discernimento comunitário são as características que, segundo o Papa, “devem estar sempre presentes no governo” que, para ser “bom”, deve promover a subsidiariedade e a participação responsável de todos.

Do carisma para fora

Indicações “simples”, diz o Bispo de Roma, “mas a serem sempre tidas em conta no exercício da autoridade”. Por isso, ele deseja a abertura da associação ou do movimento, e de cada um de seus membros, “às situações históricas”.

“A pertença, de fato, é autêntica e fecunda quando não se esgota na participação em atividades internas ao grupo, mas interpreta os sinais dos tempos e se projeta para o exterior, dirigindo-se a todos, à cultura do tempo e aos campos de missão ainda não explorados.”

O valor da comunhão

O Pontífice enfatiza, em seguida, a comunhão, “outro elemento de vital importância”. Quem governa, sublinha ele, é chamado a ter “uma sensibilidade particular para a salvaguarda, o crescimento e a consolidação da comunhão”, internamente, em relação a outras realidades eclesiais e na Igreja.

 

“Quem exerce uma missão de governo na Igreja deve aprender a ouvir e acolher opiniões diferentes, orientações culturais e espirituais diferentes, temperamentos pessoais diferentes, procurando sempre preservar, sobretudo nas decisões necessárias e muitas vezes difíceis de tomar, o bem superior da comunhão.”

Abertos ao caminho da Igreja

Tudo isso exige “testemunho de mansidão, de desapego e de amor desinteressado pelos irmãos e pela comunidade”, esclarece o Papa, antes de se deter no carisma fundacional, “referência imprescindível para o governo de uma realidade eclesial”. Por isso, ressalta mais uma vez a importância da dimensão de comunhão com toda a Igreja: “muitas vezes encontramos grupos que se fecham em si mesmos e pensam que sua realidade específica é a única ou que ela é a Igreja, mas a Igreja somos todos nós e muito mais! E, portanto, nossos movimentos devem realmente procurar viver em comunhão com toda a Igreja, tanto no âmbito diocesano quanto no âmbito universal”.

“Governar de maneira fiel ao carisma fundacional significa, portanto, encontrar nele a inspiração para se abrir ao caminho que a Igreja percorre no presente, sem se limitar aos modelos, ainda que positivos, do passado, mas deixando-se provocar por realidades e desafios novos, em diálogo com todos os outros componentes do corpo eclesial.”   

Por fim, de Leão XIV, um agradecimento às associações de fiéis e aos movimentos eclesiais, “dom inestimável para a Igreja”, cuja variedade de carismas e métodos de apostolado desenvolvidos ao longo dos anos permite “estar presentes nos campos da cultura, da arte, do social, do trabalho, levando a luz do Evangelho a todos os lugares”.

*Com fotos e informações do Vatican News
Tags: Movimento EclesiaisPapa
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