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Home Noticias Família

«Spe Salvi», encíclica para dar esperança à humanidade

18/12/2020
em Família, Igreja, No Mundo
Tempo de leitura: 5 mins leitura
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Por Jesús Colina

Fonte: www.zenit.org/portuguese

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 30 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI apresentou nesta sexta-feira a encíclica «Spe Salvi» («Salvos na esperança»), na qual apresenta uma humanidade em ocasiões desenganada na dimensão da esperança oferecida por Cristo.

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O documento, de menos de 80 páginas, dividido em oito partes, foi assinado pelo Papa neste mesmo dia na Biblioteca do Palácio Apostólico, e está dirigida aos bispos, aos presbíteros e aos diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fiéis leigos.

Começa com uma passagem da Carta do apóstolo São Paulo aos Romanos, «é na esperança que fomos salvos» (8, 24), e destaca como «elemento distintivo dos cristãos o fato de eles terem um futuro»: sua vida «não acaba no vazio» (número 2).

A esperança, um encontro

«Chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus: isto significa receber esperança», declara no número 3 da carta, a segunda encíclica do Papa, depois de «Deus caritas est» («Deus é amor»), publicada em janeiro de 2006.

O Papa mostra o que é a esperança cristã apresentando o exemplo da escrava sudanesa Santa Josefina Bakhita, nascida em 1869, em Darfur, que dizia «eu sou definitivamente amada, aconteça o que acontecer; este grande Amor me espera»(3).

A encíclica explica que Jesus não trouxe uma «mensagem sócio-revolucionária», «não era um combatente por uma libertação política». Trouxe «o encontro com o Deus vivo», «com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo» (4).

Cristo «diz-nos quem é na realidade o homem e o que ele deve fazer para ser verdadeiramente homem». «Ele indica ainda o caminho para além da morte; só quem tem a possibilidade de fazer isto é um verdadeiro mestre de vida» (6).

Para o Papa está muito claro que a esperança não é algo, mas Alguém: não se fundamenta no que passa, mas em Deus, que se entrega para sempre (8).

Neste sentido, acrescenta, a «crise atual da fé» «é sobretudo uma crise da esperança cristã» (17).

Desilusões

A encíclica mostra as desilusões vividas pela humanidade nos últimos tempos, como por exemplo o marxismo, que «esqueceu o homem e a sua liberdade. Esqueceu que a liberdade permanece sempre liberdade, inclusive para o mal. Pensava que, uma vez colocada em ordem a economia, tudo se arranjaria.» (21)

«O seu verdadeiro erro — declara — é o materialismo: de facto, o homem não é só o produto de condições económicas nem se pode curá-lo apenas do exterior criando condições económicas favoráveis.» (21)

A fé cega no progresso é outra das desilusões analisadas, assim com o mito segundo o qual o homem pode ser redimido pela ciência.

«A ciência pode contribuir muito para a humanização do mundo e dos povos. Mas, pode também pode destruir o homem e o mundo, se não for orientada por forças que se encontram fora dela». «Não é a ciência a que redime o homem. O homem é redimido pelo amor.» (25-26)

Lugares da esperança

O Papa indica quatro «lugares» de aprendizagem e de exercício da esperança.

O primeiro é a oração: «Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar mais ninguém, a Deus sempre posso falar» (32).

Recorda o testemunho do cardeal Nguyen Van Thuan, que durante treze anos esteve nas prisões vietnamitas, nove deles em isolamento: «numa situação de desespero aparentemente total, a escuta de Deus, o poder falar-Lhe, tornou-se para ele uma força crescente de esperança» (32).

O segundo lugar de aprendizagem da esperança é o «agir». «A esperança, em sentido cristão, é sempre esperança para os demais». «Só a grande esperança-certeza de que, não obstante todos os fracassos, a minha vida pessoal e a história no seu conjunto estão conservadas no poder indestrutível do Amor e, graças a isso e por isso, possuem sentido e importância, só uma tal esperança pode, naquele caso, dar ainda a coragem de agir e de continuar» (35).
O sofrimento é outro lugar de aprendizagem: «Certamente é preciso fazer tudo o possível para diminuir o sofrimento»; contudo, «não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor» (37).

O último lugar de aprendizagem da esperança é o Juízo de Deus: «Sim, existe a ressurreição da carne. Existe uma justiça. Por isso, a fé no Juízo final é, primariamente, e sobretudo esperança – aquela esperança, cuja necessidade se tornou evidente justamente nas convulsões dos últimos séculos» (43).

Mas a esperança não é egoísta. «Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho. Continuamente entra na minha existência a vida dos outros: naquilo que penso, digo, faço e realizo. E, vice-versa, a minha vida entra na dos outros: tanto para o mal como para o bem» (48).

«O que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança?», pergunta o Papa; e responde «Então terei feito também o máximo pela minha salvação pessoal» (48).

A encíclica conclui apresentando «Maria, estrela da esperança». «Mãe nossa — invoca –, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o seu reino! Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho» (50).

A encíclica foi apresentada à imprensa pelo cardeal Georges Cottier O.P., teólogo emérito da Casa Pontifícia, e pelo Pe. Albert Vanhoye S.J., professor de exegese do Novo Testamento no Pontifício Instituto Bíblico.

O Pe. Federico Lombardi S.J., diretor da Sala de Informação da Santa Sé, declarou que a encíclica foi escrita totalmente pelo Papa e não descartou que após as escritas sobre o amor e a esperança, possa dedicar outra à fé, a primeira das três virtudes teologais.

 
 

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