A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) alerta as famílias sobre um mal que tem atrapalhado e sido motivo para a destruição de várias famílias pelo Brasil: as apostas on-line. “Estamos falando de uma armadilha e não um simples jogo ou brincadeira inocente”, diz o texto que traz orientações de como atuar em situações relacionadas a esta situação.
“O jogo, quando se transforma em vício, rouba a paz, mata sonhos e destrói famílias. Mas Jesus quer devolver vida, esperança, dignidade e recomeço: “Eu vim para que tenham vida” (Jo 10,10)”.
Leia o texto na íntegra:
Quando o jogo vira algemas
Irmãos e irmãs,
Nós, da Pastoral Familiar, precisamos falar com seriedade, caridade e responsabilidade sobre uma realidade que tem entrado em muitas casas pela porta do celular e causado sofrimento profundo nas famílias: os jogos de aposta, as chamadas bets online e tantas outras formas de apostas digitais.
Estamos falando de uma armadilha e não um simples jogo ou brincadeira inocente que, muitas vezes, começa de modo silencioso, prometendo dinheiro fácil, diversão rápida e solução imediata para problemas financeiros, mas termina gerando dívidas, conflitos, isolamento, ansiedade, desespero e destruição familiar.
Nos últimos tempos, padres, agentes de pastoral e famílias de diversas comunidades têm se deparado com situações muito dolorosas, tais como: casais que perderam bens importantes; pais e mães que usaram o dinheiro da comida ou das contas da casa tentando recuperar pequenas quantias; jovens mergulhados em dívidas altas; famílias inteiras abaladas pela mentira, pelo medo e pela vergonha. Em alguns casos, a dor chega ao extremo do luto, quando pessoas, tomadas pelo desespero e pela sensação de não haver saída, acabam atentando contra a própria vida.
E isso tudo segue o caminho da mentira: “Você vai ganhar e resolver sua vida”. Muitas plataformas oferecem pequenos ganhos no início, justamente para prender a pessoa. Depois, quando ela já está envolvida emocionalmente, começa a perder muito mais do que ganhou. Outra mentira: “É só um passatempo”. Para muitas pessoas, esse passatempo se transforma rapidamente em dependência, pois mexe com ansiedade, expectativa, frustração e desejo de recuperar o que foi perdido.
A Palavra nos exorta: “Os que querem ficar ricos caem em tentação e armadilha” (1Tm 6,9). Muitas vezes, é uma mistura perigosa de ganância, desespero, ilusão e sofrimento. E quando a pessoa percebe, já não está apenas jogando, está presa.
Se você está envolvido com jogos de aposta, dê hoje o primeiro passo, pare agora. Apague o aplicativo, bloqueie o cartão, peça ajuda para interromper o ciclo. Isso não é fraqueza, é coragem. Fale com seu cônjuge, com alguém da família, com o padre, com um agente da Pastoral Familiar ou com um amigo. Procure ajuda especializada quando necessário, grupos de apoio e profissionais da saúde podem ajudar. A dívida pode ser negociada, a vida, não.
Se você é familiar de alguém que está preso nesse vício, também precisa agir com firmeza e amor. Não empreste dinheiro simplesmente para cobrir dívida de jogo, porque isso pode alimentar ainda mais o ciclo da dependência. Ajude a pessoa, mas não sustente o vício. Ao mesmo tempo, não humilhe, não exponha e não destrua a pessoa com palavras duras. Muitas vezes, a pessoa já está tomada por culpa, medo e autodesprezo.
O jogo, quando se transforma em vício, rouba a paz, mata sonhos e destrói famílias. Mas Jesus quer devolver vida, esperança, dignidade e recomeço: “Eu vim para que tenham vida” (Jo 10,10). Rezemos pelas famílias feridas por essa realidade e nos coloquemos em atitude de serviço à vida.
Pastoral Familiar do Brasil


