No último sábado (10), o X Encontro do Conselho Arquidiocesano da Pastoral Familiar de Fortaleza (CE), que integra o Regional Nordeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reuniu aproximadamente 130 participantes na Faculdade Católica, para refletir sobre o “tema: DGAE -2026-2032 – Diretrizes Gerais da ação evangelizadora do Brasil, o papel e a missão da Pastoral Familiar na paróquia.”
A Formação foi conduzida por Dom Janison de Sá Santos ( Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza) e proporcionou um momento de aprofundamento sobre os desafios da evangelização e o compromisso da igreja com as Famílias na realidade atual.
Durante o encontro, os participantes foram convidados a conhecer melhor as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora e a refletir sobre como suas orientações podem ser colocadas em prática nas Paróquias e Comunidades. A Formação destacou a importância de uma Igreja que caminha em comunhão, escuta as pessoas, reconhece as transformações da sociedade e busca novos caminhos para anunciar Jesus Cristo.
Ao abordar a missão da Igreja, Dom Janison já ressaltou que evangelizar significa anunciar Jesus Cristo não apenas por meio de palavras, mas também pelo testemunho, pelos gestos de amor, pelo acolhimento e pelo cuidado com as pessoas.
Nesse contexto, a Pastoral Familiar tem um Papel fundamental: Acolher, acompanhar e cuidar das famílias, considerando suas realidades, necessidades e desafios. A reflexão destacou que as mudanças sociais e familiares exigem discernimento e abertura para novas formas de atuação pastoral.
Inspirada na passagem do Evangelho de Lucas, capítulo 5, em que Jesus convida os discípulos a avançarem para águas mais profundas, a formação propôs uma reflexão sobre a necessidade de superar a acomodação e ampliar a presença evangelizadora das comunidades.
Muitas vezes, as atividades pastorais contam com a participação das mesmas pessoas. Por isso, é necessário abrir as portas da Igreja, aproximar-se de quem está distante e criar oportunidades para que novas famílias encontrem acolhida e participem da vida comunitária. Ao mesmo tempo, o Bispo formador lembrou que também é essencial cuidar daqueles que já fazem parte da comunidade, oferecendo formação, acompanhamento espiritual e oportunidade de crescimento na fé. A missão evangelizadora, portanto, envolve tanto fortalecer os vínculos existentes quanto ir ao encontro de novas pessoas.
Outro ponto importante da formação foi a imagem da Igreja como “tenda do encontro”, símbolo de acolhida, proteção, cuidado e acompanhamento. A Tenda por sua capacidade de ser montada e adaptada conforme as necessidades, inspira uma igreja aberta às transformações, sem perder sua identidade e sua missão. Essa imagem foi relacionada à presença de Deus na vida das famílias, em suas casas, nos relacionamentos, nas alegrias e também nas dificuldades. A Reflexão recordou que Deus faz nascer a esperança mesmo diante de situações aparentemente impossíveis. Assim a Pastoral Familiar é chamada a estar próxima das Famílias, escutando suas necessidades e oferecendo orientação, apoio e esperança.
Também foi ressaltada a importância de acompanhar crianças, adolescentes e jovens, ajudando-os a discernir os caminhos que conduzem à vida e ao bem. Nesse processo, a família, a comunidade e a Palavra de Deus, desempenham um Papel essencial na formação cristã.
A Formação apresentou os cinco caminhos da missão propostos pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora: Animação Bíblica da Pastoral; Iniciação à Vida Cristã; comunidades de discípulos missionários; liturgia e piedade popular e Serviço à vida plena para todos.
Esses caminhos convidam as comunidades a fortalecer o contato com a Palavra de Deus, promove o amadurecimento da fé, construir ambientes acolhedores, valorizar a vida litúrgica e assumir o compromisso com a defesa da vida, a opção preferencial pelos pobres e a ecologia integral.
Durante a reflexão sobre a iniciação à vida cristã, destacou-se que a evangelização não deve se limitar à preparação para os sacramentos. É necessário favorecer um encontro pessoal com Jesus Cristo e garantir que as pessoas encontrem, na comunidade, acolhida, acompanhamento e oportunidades de participação.
Nesse sentido, o planejamento das ações pastorais para 2027 foi apontado como uma tarefa importante, considerando as necessidades concretas de cada paróquia e os desafios da evangelização. Outro destaque do encontro foi a reflexão sobre as três conversões necessárias para a missão: das relações, dos processos e dos vínculos. A conversão das relações convida à construção de uma convivência marcada pelo respeito, pelo diálogo, pela paciência e pela fraternidade. A conversão dos processos propõe aprimorar a organização pastoral, valorizando a escuta, a transparência, a participação e as decisões compartilhadas nos conselhos e nas equipes de serviço da Igreja. Já a conversão dos vínculos incentiva a aproximação com pessoas e grupos que estão além dos ambientes habituais da comunidade, incluindo aqueles que não participam da vida eclesial e os diferentes setores da sociedade.
As três dimensões reforçam que a comunhão não se limita ao discurso, mas precisa se concretizar nas atitudes, nas relações e na maneira como a missão é realizada. A participação dos cristãos na política também foi tema de reflexão. O diálogo destacou a importância de superar generalizações e o descrédito indiscriminado em relação aos representantes políticos, reconhecendo os desafios existentes sem abandonar a responsabilidade de participar da vida pública.
Os cristãos são chamados a contribuir para uma sociedade orientada pela justiça, pela honestidade, pela dignidade humana e pelo bem comum. O Compromisso com melhores condições de vida, saúde, educação e oportunidades para todos também faz parte de responsabilidade social e da missão cristã.
Ao longo do encontro, foi reforçada a importância da Bíblia na vida pessoal, familiar e comunitária, como fonte de conhecimento de Jesus Cristo e orientação para as decisões e ações pastorais.
O X Encontro do Conselho Arquidiocesano da Pastoral Familiar reafirmou, assim, a necessidade de uma Igreja missionária, acolhedora e próxima das famílias. A formação convidou os participantes a conhecerem as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora e a transformarem suas orientações em ações concretas nas paróquias e comunidades. Mais do que realizar atividades, o desafio é caminhar em comunhão, fortalecer a participação, cuidar de quem já está presente e ir ao encontro de quem precisa experimentar o amor de Deus. Dessa forma, a Pastoral Familiar continua contribuindo para que a evangelização alcance as famílias em suas realidades concretas, levando acolhida, fé e esperança.


