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Home Noticias Igreja

Pastoral Familiar publica o primeiro “Observatório da vida e da família”.

18/12/2020
em Igreja
Tempo de leitura: 12 mins leitura
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É preciso estudar bastante para ser padre. Veja os cursos que você deve fazer para assumir esse importante papel na comunidade! Fonte: https://www.guiadacarreira.com.br/profissao/como-virar-padre/

Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026 Encontro Nacional de Formação da Pastoral Familiar - 2026

Pastoral Familiar

Observatório brasileiro da vida e da família:

Católicos e Cultura

 

I – Luzes e sombras sobre a vida e a família

A vida humana tem um valor incalculável porque, como afirma o filósofo Pascal, participa do Ser de maneira mais plena que qualquer outro ser. A vida humana é relação direta com o Mistério Infinito. Por outro lado, nenhum homem e nenhuma mulher são os autores de sua própria existência: todos nós recebemos a vida como dom, dádiva preciosa que nos é dada para administrar. É verdade que pai e mãe nos entregaram a vida, mas eles foram apenas os instrumentos de uma vontade criadora infinitamente maior, a vontade do Mistério Criador. Com a mesma força e decisão com a qual o Mistério Criador faz brilhar o sol de dia e as estrelas iluminam a noite, quer que eu e você tenhamos vida humana.

            Essa é a razão pela qual a vida humana sempre foi considerada inviolável e indisponível pela Igreja, um bem que não pode ser negociado nem mesmo pelas maiores autoridades governamentais. Além disso, a vida humana foi criada à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1, 27), isto é, criada para o amor, para a comunhão, para realizar-se fazendo o dom de si para o bem e a felicidade de outros.

            A família constituída por um homem e uma mulher e eventuais filhos, fundada sobre o matrimônio e destinada a durar a vida inteira, corresponde ao desígnio de Deus e por isso é o lugar no qual a imagem de Deus pode tornar-se visível, resplandecer, fazendo-nos experimentar toda a beleza e toda a realização possíveis.

            Na sociedade contemporânea, observamos muitas lutas para defender a dignidade de toda pessoa humana, exigindo-se que seja respeitada em qualquer condição de existência, mas, ao mesmo tempo, verificam-se muitas formas de agressão.

Luzes

No contexto social e na cultura atual, há sinais de crescimento da justiça, da redistribuição da riqueza e diminuição da pobreza, sinais de maior acesso a alimentos e a bens de consumo, preocupação com a ecologia e com a vida humana, acesso à educação e a outras necessidades básicas (cf. IBGE, 2010); e, até mesmo, realização de políticas familiares. Estes fatos, que muito nos alegram, são de tal maneira objeto de divulgação e de propaganda que nos parece desnecessário descrevê-los de maneira pormenorizada.

Sombras

Simultaneamente, observamos sinais que indicam graves carências e problemas como consequência da afirmação e propagação da busca do próprio interesse e do bem individual, mesmo com o sacrifício de outros. Vejamos algumas situações na realidade brasileira:

  • O Evangelho raramente serve para orientar a vida das pessoas e das famílias brasileiras, mesmo quando são católicas, sobretudo no que se refere às decisões econômicas, políticas e administrativas. Prevalece uma mentalidade utilitarista que de tudo calcula a vantagem, o interesse. Isto impede que as pessoas encontrem felicidade fazendo dom de si mesmas para o bem do outro, da família e da sociedade, mesmo com sacrifício próprio.
  • Amplia-se a agressão à vida e à sua dignidade, quando o Ministério da Saúde prepara uma normativa para permitir a realização do aborto ilegal, tentando driblar a legislação e passando por cima do Congresso;[1] quando legitima-se a eliminação de seres humanos em nome do bem-estar individual, como é o caso do aborto de bebês portadores de anencefalia aprovado pelo STF.[2] E ainda, assistimos à penosa tentativa de legalizar o aborto aproveitando as conclusões da Rio + 20, com a introdução da problemática (ecológica?) da “saúde reprodutiva da mulher”.[3] Por fim, observa-se a tentativa de abrir a brecha para o aborto e a eutanásia no projeto do Novo Código Penal, em tramitação no Congresso. No mesmo código, é reduzida a 12 anos a idade para que uma relação sexual seja considerada estupro.[4]
  • Existem inúmeras tentativas de descaracterizar a família constituída por um homem e uma mulher, fundada no vínculo indissolúvel do matrimônio e aberta à geração de novas vidas e à responsabilidade de educá-las, equiparando-a a outras formas de agregação que não possuem as características próprias da família.
  • A educação das crianças e dos adolescentes não é planejada para ser a continuação da educação dada pelos pais. Antes, pelo contrário, a educação sexual e a diversidade de gêneros são apresentadas de maneira muito diferente e até contrária à educação que os pais querem para seus filhos como, por exemplo, acontece com a oferta do “kit gay”.[5] Nessa linha, a possibilidade de dar um ensino religioso a crianças e adolescentes das escolas públicas, firmada no acordo Brasil-Santa Sé, aprovado pelo governo brasileiro e ratificado pelo Congresso Nacional, fica cada vez mais distante, bloqueando a possibilidade de socorrer crianças e adolescentes com a apresentação de um grande ideal de vida e valores que possam orientar positivamente suas escolhas.[6]
  • Observamos o uso cada vez mais frequente e precoce de álcool e de outras substâncias psicoativas (as drogas) e elevados índices de violência, especialmente entre jovens e adolescentes. Isto inibe a possibilidade de crescimento positivo e a elaboração de um projeto de vida orientado à construção do bem pessoal, familiar e da sociedade. Muitas famílias acabam, por causa disso, desorganizadas e perdem a paz. É possível reconhecer uma conexão entre a cultura que banaliza a vida e a morte, o amor e a família, o comportamento ético e a caridade fraterna e males que afligem especialmente adolescentes e jovens.
  • Percebe-se, enfim, que em muitas ocasiões, são defendidas (e tomadas) medidas legislativas, judiciárias ou de governo que contradizem frontalmente a vontade da grande maioria da população. Posições minoritárias, supostamente mais “iluminadas e modernas”, fortes pela proximidade com o poder, acabam sendo impostas a toda a população, fazendo reviver posturas arrogantes e ranços autoritários que nos pareciam vencidos e superados depois de tantos anos de lutas e de sacrifícios.

II – Essas circunstâncias nos interrogam e desafiam

Estas situações observadas na realidade brasileira constituem um desafio e uma provocação para encontrar respostas adequadas. Não parece razoável achar que o mundo pode caminhar do jeito que quiser, desde que em nossa casa criemos um ambiente diferente, com uma educação cristã mais rigorosa. É difícil aceitar passivamente a difusão de uma mentalidade que agride a vida, descarta a família, torna nossos filhos quase estranhos a nós, tudo avalia pelo custo que tem e/ou pelo lucro que dele se pode extrair, mesmo quando se trata de realidades sagradas como a vida de um filho.

  1. Afinal, é esta a sociedade que queremos para nós e para nossos filhos?
  2. Será que escolhemos representantes não plenamente afinados com a avaliação que damos da realidade e com os valores que deveriam orientar a convivência na sociedade?
  3. Como corrigir as falhas que cometemos na escolha de nossos representantes?
  4. Como estar presentes nesse contexto cultural e político de maneira propositiva, criativa, fazendo valer nossa voz e nossas opções?
  5. Que iniciativas nós podemos tomar em conjunto para participar da construção de uma nação plenamente democrática e republicana?
  6. Quem provoca esses problemas são “os outros” ou nós mesmos, tomados pela cultura da banalidade, com preguiça de avaliar e julgar o que acontece? Ou apoiamos ingenuamente essa realidade de destruição de tudo o que é mais precioso e sagrado por medo de parecer atrasados e não suficientemente modernos?

III – Propostas para responder a esses desafios

Não ficar isolado

Estes desafios não podem ser enfrentados solitariamente. Acabaríamos fazendo o papel de dom Quixote. O mais oportuno é participar sistematicamente das Pastorais da Igreja, dos movimentos, grupos, entidades; formar com outros amigos uma associação de famílias e comissões de respeito, promoção e defesa da vida. Ou seja, faz-se necessário agir em conjunto como “povo da vida e pela vida”. ( Evangelium vitae, 92)

 

Caminhar juntos

A Igreja inteira está preocupada com estas questões e temos a sorte de poder participar do caminho comum. Bispos do mundo inteiro se reuniram com o Papa para refletir sobre o novo ardor e novos métodos para ação evangelizadora. A Nova Evangelização é o campo preferencial de atuação para o qual a Igreja nos convida.

Agir juntos.

  1. Criar espaços de liberdade, de convivência orientada de maneira consciente a viver valores evangélicos, ajudando os mais jovens a reconhecer como isto vale a pena, proporciona experiências humanas mais carregadas de significados e de satisfação.
  2. Documentar e testemunhar fatos da nossa vida que expressam a alegria, a beleza e a paz que encontramos vivendo em Cristo; a amizade fraterna, a grandeza e a dignidade de uma família cristã levada a sério, de modo a tornar a nossa vida de família satisfatória e admirável, contribuindo assim para difundir uma maior estima pela família.
  3. Ajudar a cultivar um olhar crítico com relação a programas de partidos e a propostas de governos para discernir quem mais favorece e promove a vida e sua dignidade e quem mais a agride.
  4. Manifestar a própria opinião nas redes sociais, criando e alimentando sites, blogs, agências de notícias, e enviando e-mails ou cartas aos meios de comunicação social, a deputados, senadores, juízes, ministérios públicos.
  5. Acompanhar mais de perto a educação que é dada a nossos filhos, o material didático e os livros que são usados, mesmo quando frequentam escolas católicas.
  6. Buscar estabelecer parcerias do próprio grupo, associação ou comissões e abrir diálogos com pessoas sensíveis a estas problemáticas e com as responsabilidades civis e políticas nas diversas esferas da sociedade organizada, nos mais diferentes campos de atuação profissional, começando desde já a preparar-se para participar de maneira ativa e crítica das próximas eleições de 2014.
  7. Estar presente nos espaços públicos e sociais de participação popular, onde propostas, sugestões e encaminhamentos sociais concernentes à vida e à família são discutidos e elaborados, a fim de serem apresentados aos poderes públicos.
  8. Formar-se através dos encontros promovidos pelas pastorais, movimentos, comunidades novas, associações, grupos e outros, bem como através de instituições e organismos católicos ou não, em nível universitário ou não, a fim de aprofundar e transmitir uma visão do homem que exalte de fato sua dignidade.
  9. Empregar e difundir livros, manuais, subsídios impressos ou audiovisuais e outros materiais didáticos, pastorais e académicos publicados.[7]

 Concluímos com este belo convite feito a toda Igreja e a toda sociedade pelo Beato João Paulo II, na Encíclica Evangelium vitae, n. 95:

Urge uma mobilização geral das consciências e um esforço ético comum, para se realizar uma grande estratégia a favor da vida. Todos juntos devemos construir uma nova cultura da vida: nova, porque em condições de enfrentar e resolver os problemas inéditos de hoje acerca da vida do homem; nova, porque assumida com convicção mais firme e laboriosa por todos os cristãos; nova, porque capaz de suscitar um sério e corajoso confronto cultural com todos. A urgência desta viragem cultural está ligada à situação histórica que estamos atravessando, mas radica-se sobretudo na própria missão evangelizadora confiada à Igreja. De fato, o Evangelho visa «transformar a partir de dentro e fazer nova a própria humanidade»; é como o fermento que leveda toda a massa (cf. Mt 13,33) e, como tal, é destinado a permear todas as culturas e a animá-las a partir de dentro, para que exprimam a verdade integral sobre o homem e sua vida

Comissão Nacional da Pastoral Familiar – CNPF

29 de novembro de 2012.

 

 



Cf. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1100945-governo-estuda-adotar-medidas-de-reducao-de-danos-para-aborto-ilegal.shtml

. Disponível em: http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/9043-cnbb-manifesta-posicao-contraria-a-decisao-do-stf

http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/noticias/9670-globalizacao-da-solidariedade

Cf. Art. 186 afirma que só é punível a relação sexual com menores de 12 anos, diminuindo assim a idade no caso de estupro de vulnerável, que é atualmente de 14 (Cf. p. 85 do anteprojeto). Disponível em: http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getPDF.asp?t=110444&tp=1

Cf. http://www1.folha.uol.com.br/poder/920652-dilma-suspende-kit-gay-apos-protesto-da-bancada-evangelica.shtml.

, proposta pela Procuradoria Geral da União. Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=ensino%20religioso&processo=4439.

[7] A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar vêm editando vários subsídios (Hora da Família, Hora da Vida etc.), livros (Desafios e Possibilidades da Família no limiar do século XXI, Pronunciamentos do Papa Bento XVI etc.) e outros materiais, a fim de colaborar com a formação da pessoa, da família e da sociedade. Para mais informações: www.cnpf.org.br; secren@cnpf.org.br; tel.: (61) 34432900.

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  • Olá, estimadas famílias. Estamos aqui no Vaticano, na sala Paulo VI, para o nosso quinto dia de reflexões sobre os 10 anos da Amoris Laetitia. E hoje tratando especificamente dos do tema nas dificuldades da vida, acompanhamento e apoio necessário às nossas famílias.Para o início desta reflexão, foram introduzidos a os o tema com algumas colocações que vocês encontram também no site apontado onde estão todos esses subsídios que estamos aqui trabalhando. E tudo isso nos fez mergulhar ainda mais profundamente no capítulo oitavo de Amoris Laetitia, como em toda ela que permeia esse cuidado, esse apoio e esse acompanhamento.Mas hoje precisamente falando das dificuldades que passamos enquanto famílias, se suscita a necessidade de passarmos da assistência para o acompanhamento. A importância de formarmos redes de apoio tanto comunitária quanto profissional e pastoral. Não podemos estar sozinhos, precisamos de apoio de toda essa conjuntura.Ajuda mútua, sem julgamentos, fraternal, menos formal, precisamos de processos de discernimento.Nesses 10 anos, Amoris Laetitia nos leva a mostrar o rosto materno da Igreja. Materno como da mãe Aparecida, que ama e abençoa o Brasil. Por isso nós daqui pedimos também a bênção dela sobre todo o nosso povo brasileiro.Um fraterno abraço a todos.
  • Que Nossa Senhora Aparecida interceda por cada lar, fortaleça os casais, proteja as crianças, acompanhe os jovens e cubra com seu manto os idosos e todos aqueles que precisam de cuidado.Que Maria nos ensine a viver uma fé que se transforma em presença, cuidado e amor dentro de nossas famílias.Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós!
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