Durante a sua participação no Congresso Mundial dos Médicos Católicos, realizado em Brasília, o Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Renzo Pegoraro, fez uma série de reflexões sobre os rumos da medicina moderna, a centralidade da bioética e o papel indispensável da Igreja e dos profissionais católicos na construção de um sistema de saúde mais humano e justo.
Monsenhor Pegoraro recordou os ensinamentos de São João Paulo II e alertou para os perigos da chamada “cultura da morte”, que estimula uma sociedade em que a dignidade humana passa a ser seletiva. “Essa cultura encoraja uma sociedade onde todos são iguais, mas alguns são mais iguais que outros — um mundo dos poderosos contra os fracos”, ressaltou.
Pegoraro destacou também que, frente aos desafios e emergências do mundo contemporâneo, a bioética surge como uma luz de orientação e diálogo. Para ele, as crises atuais devem ser enxergadas como oportunidades para alcançar a boa saúde, especialmente para aqueles que mantêm a esperança.
O presidente da Pontifícia Academia para a Vida fez ainda uma importante distinção teológica e existencial, prevenindo contra o perigo de condicionar o valor espiritual da pessoa ao seu estado físico: “É importante não associar a saúde à salvação, não transformar pessoas que não têm boa saúde em pessoas sem salvação”, disse.
Apoio aos mais vulneráveis
Em sua fala, Mons. Pegoraro reconheceu os limites práticos e econômicos da medicina global. Diante de recursos limitados, enfatizou a necessidade de uma gestão responsável e solidária. “Precisamos redescobrir o apoio aos outros como uma necessidade. Somente dessa forma poderemos desenvolver melhores sistemas de saúde”, destacou. “Hoje, na nossa sociedade, não existe um sistema perfeito. É importante pensar que talvez nunca tenhamos um sistema perfeito, mas podemos torná-lo melhor. A Igreja Católica, na sua maneira tradicional de ensinar, pode oferecer uma solução para o apoio às pessoas mais vulneráveis”, completou.
Médicos do futuro
Para o monsenhor, a presença ativa dos médicos católicos é indispensável para assegurar que os mais necessitados recebam cuidados dignos. Ele também fez uma reflexão sobre a formação acadêmica das próximas gerações. “Como mudamos o universo? Precisamos mudar as escolas médicas. Criamos as universidades. Como podemos pensar nessa formação dos médicos do futuro? Precisamos tentar uma nova estrutura de educação. É preciso ter essa inspiração, porque precisamos educar o médico do futuro, não os do passado”, indagou o presidente da Pontifícia Academia para a Vida.
Sobre o Congresso
O XXVII Congresso Mundial dos Médicos Católicos se encerra neste sábado (1º) e trouxe como tema: “Médicos católicos entre as revoluções industrial e digital”. O tema foi inspirado pela escolha do nome do Santo Padre Leão XIV, que busca enfrentar os desafios da Revolução Digital, inspirado pelo predecessor Leão XIII, que guiou a Igreja durante a Revolução Industrial.

