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Home Artigos

Relação financeira e afetiva entre pais e filhos adultos

21/04/2024
em Artigos
Tempo de leitura: 6 mins leitura
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Relação financeira e afetiva entre pais e filhos adultos

Adriana Rodrigues
Psicóloga

Amar é… deixar o filho adulto fazer o próprio caminho, inclusive financeiro.

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Qual pai ou mãe não sonha com um futuro feliz para seus filhos?

Queremos vê-los crescer e se tornarem adultos com autonomia, capazes de seguir a própria vida. Mas nem sempre isso acontece!

Para que o filho possa ter uma completa autonomia é preciso que ele tenha as condições de se sustentar, que seja capaz de angariar recursos suficientes para se manter.

Os cientistas do desenvolvimento consideram a entrada na vida adulta por volta dos 20 anos de idade, essa fase se encerra em torno dos 40 anos. Nesse período, a pessoa ingressa no mercado de trabalho, gera renda e se torna autônomo financeiramente.

No entanto, por diversos motivos, o que se vê é o aumento no número de filhos adultos que continuam precisando do dinheiro dos pais para suprir suas necessidades e desejos. Quando essa situação é esporádica, em um espaço de tempo muito bem definido, não há nenhum problema, uma vez que os pais podem ajudar. Porém, quando essa ajuda perdura, podemos estar atrapalhando o próprio desenvolvimento dos filhos, tornando-os dependentes financeiros.

E quando isso acontece, é necessário que os próprios pais encarem a difícil tarefa de analisarem o próprio comportamento. Afinal, a atitude dos genitores, por mais bem intencionada, cheia de amor e cuidado, pode gerar consequências negativas para a vida dos filhos.

Pontos para refletir

Para ajudar na reflexão, eis quatro pontos que podem estar na base do problema e funcionando como uma barreira que impede a evolução natural da autonomia. Esses pontos não abarcam todas as possibilidades, são apenas alguns possíveis caminhos.

Quando se olha para a verdade, por mais dolorosa ou difícil que seja, aumentam as chances de encontrar saídas. Negar o problema ou fazer de conta que tudo está bem, não vai resolver absolutamente nada.

Então, com o coração e mente abertos, reflita se algum destes pontos se aplica a você:

  1. Falta de limites: os pais podem ter dificuldade de colocar limites claros e bem definidos. Por vezes, temem que ao dizer não, o filho se ressinta e se afaste. Pode ser muito difícil para alguns pais lidar com a raiva que o filho sentirá ao ouvir uma “negativa”.

Outros pais podem ter dificuldade de dar limites aos filhos porque eles próprios não conseguem dizer “não” para si mesmos.

  • Dificuldade para lidar com perdas ou mudanças: ver os filhos crescerem e partirem sem precisarem de nós é muitas vezes sentido como uma perda, uma mudança indesejada e, na tentativa de manter os filhos ligados a nós, mantendo o status quo, cria-se um cordão que nos une a eles, alimentando essa ligação por meio das ajudas financeiras. Dessa forma, os pais se mantêm indispensáveis, além de tê-los sempre ao alcance dos olhos.
  • O apego ao poder: quando os pais pagam as contas, acreditam que recebem junto o direito de opinar na vida dos filhos. É como se você comprasse o poder de mandar no outro. Isso pode acontecer porque você:
    • não acredita que ele possa fazer boas escolhas;
    • quer protegê-lo das consequências dolorosas que a vida apresenta;
    • gosta de estar sempre no controle de tudo.
  • O desejo de ser uma espécie de herói: a sensação prazerosa de que se é importante e de que é possível salvá-los dos percalços da vida, pode ser uma forma de prisão relacional. Com isso, enfraquece-se os filhos, porque nas entrelinhas vai a mensagem de que eles não conseguirão sem os pais.

Pais desempenham papéis coadjuvantes

Para ajudar os filhos a serem adultos e financeiramente independentes, é necessário deixá-los enfrentar a vida. Você deve assumir o papel de coadjuvante, o protagonista é ele. Não duvide da capacidade do seu filho de viver a própria vida.

Não se deve virar as costas para os filhos, de jeito nenhum, apenas acredite, confie e esteja ao lado para que ele possa superar cada obstáculo. Você pode orientar, se ele quiser ouvir, poderá nutri-lo com afeto e encorajá-lo a seguir em frente.

Com relação à ajuda financeira sistemática feita aos filhos adultos, é importante ressaltar que nem sempre é saudável retirá-la da noite para o dia, por isso, é saudável uma conversa respeitosa e amigável, para informar ao filho que não será mais possível a sua ajuda financeira. Estabeleça uma estratégia para a retirada dessa ajuda, que pode ser definida em conjunto com ele. Há algumas possibilidades. Eis duas:

  • Defina uma data para o fim da ajuda financeira, daqui a 3 ou 6 meses, por exemplo.
  • Estabeleça uma redução gradual até zerar. Essa estratégia pode ser interessante para alguns casos, porque permite que o filho possa ir se acostumando com as ajudas cada vez menores.

Entre a data da conversa e as datas estabelecidas para o fim ou redução da ajuda, acompanhe os passos que seu filho está dando. A ideia é você encorajá-lo e ajudá-lo a enfrentar os desafios que surgirão.

Desafio: manter o combinado. Pode acontecer de o filho acreditar que você vai flexibilizar quando chegar a data prevista. Pode ser que ele ainda não tenha se organizado e peça prorrogação do prazo. Pode ser que ele fique nervoso ou triste, são inúmeras as possibilidades. O importante é você ser fiel à necessidade de ajudá-lo a ter autonomia financeira. Se for necessário, ajude-o a identificar onde está o problema e procure clarear as ideias para que ele encontre o caminho da autonomia. Mostre que está decidido e disposto a ajudá-lo a superar as dificuldades.

É óbvio que o tema “dinheiro e amor paternal” é sensível e desafiador. Mas não há outro caminho para uma vida adulta, íntegra e satisfatória, se não houver esse enfrentamento. É salutar que pais e filhos aprendam a seguir cada qual o seu caminho, sem precisar se distanciar emocionalmente uns dos outros. É preciso criar ou restabelecer uma conexão pela via do afeto e do respeito.

A conclusão é de um trecho do escritor José Saramago:

“Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo.”

Foto de capa: Gilly on Unsplash

Tags: pais e filhos
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📅 6 a 8 de novembro
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Venha viver esse momento de formação conosco!

Inscrições abertas e vagas limitadas. Acesse o link da bio para se inscrever.
  • O arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, e o bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, dom Bruno Elizeu Versari, fizeram um balanço da participação brasileira no encontro “Dez anos depois da Amoris laetitia: anunciar o Evangelho com as famílias hoje”, realizado entre os dias 7 e 14 de outubro, no Vaticano.

Eles reconhecem o empenho da Pastoral Familiar no Brasil e fazem um convite às famílias brasileiras e a todo o clero a continuarem a promover a santidade neste ambiente tão fecundo de amor.
  • Olá, estimadas famílias. Estamos aqui no Vaticano, na sala Paulo VI, para o nosso quinto dia de reflexões sobre os 10 anos da Amoris Laetitia. E hoje tratando especificamente dos do tema nas dificuldades da vida, acompanhamento e apoio necessário às nossas famílias.

Para o início desta reflexão, foram introduzidos a os o tema com algumas colocações que vocês encontram também no site apontado onde estão todos esses subsídios que estamos aqui trabalhando. E tudo isso nos fez mergulhar ainda mais profundamente no capítulo oitavo de Amoris Laetitia, como em toda ela que permeia esse cuidado, esse apoio e esse acompanhamento.

Mas hoje precisamente falando das dificuldades que passamos enquanto famílias, se suscita a necessidade de passarmos da assistência para o acompanhamento. A importância de formarmos redes de apoio tanto comunitária quanto profissional e pastoral. Não podemos estar sozinhos, precisamos de apoio de toda essa conjuntura.

Ajuda mútua, sem julgamentos, fraternal, menos formal, precisamos de processos de discernimento.

Nesses 10 anos, Amoris Laetitia nos leva a mostrar o rosto materno da Igreja. Materno como da mãe Aparecida, que ama e abençoa o Brasil. Por isso nós daqui pedimos também a bênção dela sobre todo o nosso povo brasileiro.

Um fraterno abraço a todos.
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