A relação entre catequese e família foi tema de uma das oficinas formativas realizadas nesta sexta-feira, 28 de agosto, durante a II Romaria Nacional de Catequistas, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP). O encontro reuniu catequistas de diferentes regiões do Brasil para refletir sobre os desafios e as possibilidades da transmissão da fé no ambiente familiar.
Promovida pela Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Romaria reúne mais de 4,6 mil participantes, entre catequistas, coordenadores, ministros ordenados, religiosos e religiosas. O evento tem como tema “Transmitir a fé hoje” e como lema “O que vimos e ouvimos, vos anunciamos” (1Jo 1,3).
A oficina “Catequese e Família” ressaltou que a iniciação à vida cristã não pode ser compreendida como responsabilidade exclusiva dos catequistas. A transmissão da fé necessita da participação da família e do testemunho de uma comunidade que acolhe, acompanha e ajuda cada pessoa a estabelecer uma relação viva com Jesus Cristo.
Durante a atividade, destacou-se que a família é o primeiro ambiente no qual a criança aprende a confiar, amar, perdoar, agradecer e reconhecer a presença de Deus. Por isso, mais do que reproduzir em casa os conteúdos apresentados nos encontros catequéticos, os familiares são chamados a cultivar experiências simples de fé no cotidiano, como a oração, a leitura da Palavra de Deus, a participação nas celebrações, a bênção dos alimentos e os gestos de solidariedade e reconciliação.
Os participantes também refletiram sobre as dificuldades enfrentadas pelas famílias contemporâneas, entre elas a falta de tempo, as extensas jornadas de trabalho, a fragilidade dos vínculos, a cultura digital, as diferentes configurações familiares e o distanciamento de muitos adultos da vida comunitária. Diante dessas situações, a catequese é chamada a superar atitudes de cobrança e julgamento, adotando uma postura de acolhida, escuta e acompanhamento.
A oficina reforçou, ainda, a necessidade de estabelecer uma verdadeira aliança entre catequistas, famílias e comunidade. Essa parceria não deve acontecer apenas por meio de reuniões informativas ou da convocação dos pais em momentos próximos à celebração dos sacramentos. É necessário oferecer encontros vivenciais, celebrações, momentos de convivência, escuta da Palavra e experiências missionárias capazes de envolver toda a família no processo de iniciação à vida cristã.
Outro aspecto destacado foi o reconhecimento da família como sujeito da evangelização. Mesmo diante de limitações e dificuldades, cada família possui dons, experiências e possibilidades próprias para testemunhar o Evangelho. Cabe à comunidade cristã aproximar-se de sua realidade, valorizar seus pequenos passos e ajudá-la a descobrir que a fé pode ser vivida nas relações, nas escolhas e nos acontecimentos cotidianos.
A metodologia da oficina favoreceu a participação e a troca de experiências entre os catequistas. Por meio de dinâmicas, reflexões e partilhas, os participantes puderam identificar desafios presentes em suas comunidades e construir propostas para uma aproximação mais efetiva com as famílias.
Ao final, ficou o compromisso de promover uma catequese cada vez mais integrada à vida familiar, na qual os pais e responsáveis não sejam considerados apenas colaboradores ocasionais, mas companheiros de caminhada e protagonistas da educação cristã. Desse modo, catequese, família e comunidade poderão formar uma rede de cuidado e testemunho, capaz de ajudar crianças, adolescentes, jovens e adultos a encontrarem Jesus Cristo e a amadurecerem como discípulos missionários.
A II Romaria Nacional de Catequistas prossegue até domingo, 30 de agosto, no Santuário Nacional de Aparecida, com conferências, celebrações, momentos de espiritualidade e atividades formativas voltadas ao fortalecimento da missão catequética no Brasil.






