Quando pensamos em “terra santa”, imaginamos normalmente o território que Jesus percorreu, e quando pensamos em “lugar sagrado”, geralmente imaginamos o altar de uma igreja ou um santuário.
No livro de Êxodo, quando Moisés se aproxima da sarça ardente, um arbusto que pegava fogo, mas não se consumia, Deus diz a ele a seguinte frase: “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa.”
Por que Deus pede para Moisés tirar as sandálias? As sandálias carregam a poeira da rua, a sujeira do mundo, e servem como uma barreira de proteção entre os pés e o chão. Tirar as sandálias significa desarmar-se, purificar-se. Significa vulnerabilidade.
No Sacramento do Matrimônio, o marido e a esposa são um para o outro verdadeiro “chão sagrado”, a vida a dois é o lugar onde Deus escolheu para se manifestar na vida do casal.
E para estar no chão sagrado do coração do outro, é preciso tirar as “sandálias”. Mas o que são essas sandálias no casamento? É possível citar alguns exemplos:
- O orgulho e a autossuficiência: achar que sempre se tem razão e que não é preciso ceder.
- As bagagens do passado: feridas de relacionamentos anteriores ou maus exemplos familiares que são trazidos para dentro de casa.
- O egoísmo: a mentalidade de “o que eu ganho com isso?”, muito comum no mundo de hoje, mas incompatível com a vida conjugal.
- Estar sempre na defensiva: ter medo de se mostrar vulnerável, de chorar, de pedir perdão e de dizer “eu errei”.
- Torcer para que o outro não tenha sucesso: é muito trinte quando um cônjuge torce pelo fracasso do outro, alegrando-se com isso, e ainda pior, caçoando do insucesso, esquecendo-se que “são uma só carne”.
Tirar as sandálias diante do seu cônjuge é dizer: “Eu me desarmo diante de você. Eu não vou te machucar. Você é valioso demais para que eu pise no seu coração com a sujeira do meu egoísmo.”
O Matrimônio, diferente do casamento civil, não é um contrato. Um contrato é baseado na desconfiança. O Sacramento do Matrimônio é uma Aliança, sinal visível da graça invisível de Deus, é dizer um para o outro: “eu dou a minha vida por você, independentemente do que aconteça”.
O matrimônio, de uma forma ainda mais profunda, transforma a casa dos cônjuges em uma verdadeira Igreja Doméstica, lugar de comunhão, de oração, lugar de bençãos, reflexo da Igreja instituída por Cristo.
A graça do Sacramento do Matrimônio garante que o casal não está sozinho, Deus nunca abandona a família. Quando o vinho acabar, como nas Bodas de Caná, quando a rotina cansar, quando a crise financeira bater, a Graça Sacramental é a força de Cristo que sustenta o casal, que sustenta o compromisso assumido no altar, compromisso que dura por toda a vida.
Gostaria de concluir sugerindo três atitudes simples, mas que podem surtir um maravilho efeito:
- Peçam perdão rápido: não durmam brigados. Pedir perdão é o ato mais rápido de tirar as sandálias do orgulho. Pode ser que seja difícil, mas procurem encontra uma maneira, ainda que seja dentro de um silencioso e duradouro abraço.
- Rezem juntos: um casal que dobra os joelhos juntos diante de Deus, fica de pé diante de qualquer dificuldade.
- Tratem-se com respeito: cuidem das palavras que usam um com o outro. O sarcasmo, a ironia e os gritos podem machucar grandemente os corações e manchar o “chão sagrado” do lar.
Que Deus abençoe todas as famílias!
Jeandré C. Castelon
Casado, pai de dois filhos, membro da Pastoral Familiar, Advogado e Mestre em Teologia Pastoral

