“A vocação para a família e a vocação sacerdotal estão enraizadas na dificuldade de ser cristãos hoje. O problema não consiste na falta de vocações sacerdotais, mas na falta de cristãos. De fato, se observarmos as micro comunidades ou lugares, onde a fé é bem vivida, encontramos a fonte de vocações para o matrimônio e da vocação sacerdotal”. Com efeito, acrescentou o bispo, “a solução poderia ser uma nova aliança entre o clero e as famílias leigas. Notamos a crise dos sacerdotes, como também a crise dos casais. Isto significa que, se permanecermos juntos, talvez, possamos ajudar-nos mutuamente, mas também crescermos juntos”.
Em outubro, dez anos após a exortação apostólica Amoris Laetitia, do Papa Francisco, Leão XIV convocou os presidentes das Conferências episcopais do mundo inteiro, para um momento de “escuta mútua” e de “discernimento sinodal”, precisamente sobre o tema do amor conjugal. A este respeito, o Secretário-adjunto do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, observou:
“Penso que esta será uma ocasião de grande importância, porque poderá ser uma oportunidade única para refletirmos juntos, ouvindo o ponto de vista do mundo. Esta assembleia será, obviamente, altamente qualificada, porque apresentará as preocupações de todas as famílias cristãs e não-cristãs, que vivem em todas as latitudes do globo. Ela nos permitirá ouvi-las de modo mais profundo e atento”.
Formação vocacional
Por sua vez, a professora Gabriella Gambino, subsecretária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, destacou a importância de refletir sobre o munus docendi, ou seja, como tornar realmente criativo o sacerdote. “Para que possa se tornar um mestre da fé e um guia espiritual, capaz de acender a chama da vocação batismal nos jovens, que um dia serão chamados a formar novas famílias: uma família que não tem apenas um papel, um status, uma situação ou uma condição, mas uma vocação”.
Se o matrimônio for uma vocação eclesial, como a vocação sacerdotal, então precisam de preparação e formação, como acrescenta a subsecretária do Dicastério: “O matrimônio é uma vocação. Logo, somos chamados a algo grandioso. Por isso, talvez, tenha chegado a hora de interrogar-nos, seriamente, sobre como todos nós estamos nos preparando. Os sacerdotes nos seminários, mas não só. Devemos ser capazes de colocar em ação aquele poder batismal, que, depois, deve florescer nos jovens, em forma de vocação extraordinária, que pertence à maioria dos fiéis batizados no mundo”.
A professora Gambino, citou, em particular, a Lumen Gentium: “Os documentos conciliares convidam todos os cristãos — leigos, famílias e sacerdotes — cada um segundo a própria vocação, a formar a comunidade eclesial. Isso é extremamente importante, pois a complementaridade das vocações é essencial para a construção da Igreja. Enfim, os sacerdotes devem ser formados para poder gerar famílias cristãs e acompanhá-las. Mas, as famílias, por sua vez, devem defender os sacerdotes, acompanhá-los e fazer com que se sintam acolhidos e não abandonados”.
Encontro Nacional de Bispos e Assessores
Para fortalecer essa atuação da Igreja junto às famílias no Brasil, a Comissão Episcopal para a Vida e a Família promove o Encontro Nacional de Bispos Referenciais e Assessores (as) da Pastoral Familiar, que será realizado entre os dias 29 de junho e 2 de julho, em Brasília.
As inscrições para participar do encontro estão abertas até 17 de maio e devem ser realizadas pelo formulário https://app.ciaticket.com.br/e/REFERENCIAL2026 ou pelo telefone/WhatsApp (61)3443-2900.
Neste ano, o encontro vai abordar “O aggiornamento da Teologia do Matrimônio em Amoris Laetitia”, iluminado pelo lema: “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8). O intuito é reunir, formar e fortalecer os assessores e as assessoras da Pastoral Familiar para que, em comunhão com a Igreja e à luz do Evangelho da família, possam acompanhar, discernir e integrar, com unidade, zelo pastoral e espírito missionário, a ação evangelizadora junto às famílias.

