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X Encontro mundial das Famílias – Breve impressão

por Luiz Lopes, 30 de junho de 2022, 0 Comentários(s)

Dom Bruno Elizeu Versari
Bispo de Campo Mourão (PR)

Nos dias 22 a 26 de junho aconteceu em Roma o X Encontro Mundial das famílias. O Papa Francisco quis que este encontro fosse multicêntrico, isto é, ao mesmo tempo que acontecia em Roma, também acontecia nas dioceses do mundo inteiro. As famílias acompanhavam com orações e celebrações em suas próprias paróquias e também de tudo o que acontecia em Roma de forma online. Foi impressionante de ver testemunhos de participação das famílias nas Diocese do “mundo inteiro”. Posso dizer que esta foi uma forma boa de usar a internet. Aproximando as pessoas, levando a mensagem a lugares quem “nem se vê no mapa”.

Um encontro com famílias do mundo inteiro. Fez pensar em pentecostes. “Cada um falava em sua própria língua e todos entendiam”. Expressões, ritos celebrativos, músicas regionais, culturas diversas. Gente de todas as raças, “não havia distinção entre eles”. Todos estavam ali com um único objetivo: “O AMOR NA FAMÍLIA: VOCAÇÃO E CAMINHO DE SANTIDADE”.

Sob a coordenação da Diocese de Roma, foi tudo perfeito. O Anfitrião, Papa Francisco fez questão de estar na abertura, no encerramento e no Angelus para o envio dos casais em missão no mundo, mesmo sendo ajudado por uma cadeira de rodas, nunca esboçou cansaço ou desanimo, tinha sempre uma palavra de para orientar e os braços estendidos para acolher, abraçar e afagar, como um “Bom Pastor” àqueles que ali estavam. Aquilo que se vê de longe, pela TV ou pela internet pude acompanhar, até fotografar a poucos metros de distância e ver e ouvir ao vivo e a cores. Estar ali? Nunca pensei. Nem parecia que era verdade. Mas, como o próprio Papa Francisco diz: “deixemos nos surpreender por Deus”.

O encontro todo foi marcado por testemunhos. Famílias do mundo inteiro dizendo como estão vivendo a vocação que Deus lhes confiou. “Formar uma família santa”. Várias vezes escutei o termo: “famílias perfeitas não existem. O que existem são famílias normais”. Casais jovens partilhando da expectativa de construir uma família marcadas pelo ensinamento cristão, de fé em Deus e na Igreja. Famílias de caminhada partilhando os desafios e como eles foram superados. Fez-me lembrar de um bordão que sempre ouço: “Quando Deus está no comando, tudo concorre para o bem”. Pude sentir como isso é verdadeiro.

Foram muitos os testemunhos, não tenho intenção de transcrevê-los aqui. Mas quero fazer referência a um apenas, talvez porque eu falo dos sacramentos da Igreja, da confissão e do perdão. Um casal da Austrália, Daniel e Leila. Falando sobre viver a santidade na família, falou-nos do perdão que eles viveram. “Nós temos sete filhos, um dia nossos quatro filhos foram com a priminha comprar “gelato” para o aniversário, enquanto caminhava e brincavam, porque era aniversário da priminha, veio um veículo em alta velocidade e matou todas as crianças. E agora como viver com isso para a vida inteira? Disse a mãe: se eu não perdoar vou carregar isso para a vida inteira sozinha. Conversou com o marido e decidem perdoar o assassino dos quatro filhos. Diziam eles: o perdão nos libertará e nos dará forças para cuidarmos dos outros três filhos e seremos livres diante de Deus, porque estamos certos que aquele que perdoou os que mataram seu Filho na Cruz estará do nosso lado e nos dará forças para seguir nossas vidas”. Após esse testemunho, não teve quem não chorou. Entendi um pouco mais “quem muito amou, muito perdoou”. Olhando para o casal, hoje com quatro filhos, dizendo: “hoje Deus reconstruiu nossa família. Louvo a Deus por estar ali e ver e ouvir tudo aquilo tão sofrido, mas tão real como deve ser o amor em família.

Na missa de encerramento o Papa Francisco falando às famílias do mundo inteiro disse: “a família deve ser a escola do amor, ali se apende a amar sem medidas”. A família deve ser a “Igreja doméstica e a Igreja deve ser uma grande família”. Como é de seu jeito de ser, não esqueceu as famílias que foram destruídas pela guerra na Ucrânia e da irmã que tinha sido morta naquele dia, 26 de junho, no Haiti por causa de sua fé e de defender a família.

Voltamos para nossas casas e dioceses, com uma pergunta “o que fomos ver? ” “Um caniço agitado pelo vento? ” Não! Fomos ver muito mais que isso” Fomos ver uma igreja que se preocupa e acredita na família. Uma igreja que quer ser família. Uma Igreja que acredita no amor do esposo e da esposa. Uma Igreja que acredita que quando “Deus está no comando”, tudo concorre para o bem…”. Louvo e agradeço a Deus por participar deste momento da vida da nossa Igreja.

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